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COM GAROTINHO, PMDB PODE DISPUTAR COM PT CONDIÇÃO DE MAIOR BANCADA DA CÂMAR

O ex-governador Anthony Garotinho oficializou ontem sua filiação ao PMDB, ajudando a transformar o partido na segunda maior força na Câmara dos Deputados. Ao trocar o PSB pelo novo partido, Garotinho levou com ele 12 deputados federais, aumentando a bancada do PMDB na Câmara para 78 integrantes – a maior bancada continua sendo a do PT, com 93 deputados.
Numa cerimônia ruidosa, realizada no Espaço Cultural da Câmara, Garotinho, sua mulher, a governadora do Estado do Rio, Rosinha Matheus, e o vice-governador, Luiz Paulo Conde, foram recebidos com festa pela cúpula do PMDB. Em seu primeiro discurso no novo partido, o ex-governador, hoje secretário de Segurança Pública do Rio, prometeu apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Garotinho desentendeu-se com o PSB depois que passou a fazer oposição ao governo. “Estou no PMDB com o coração e com a razão. Trocar de partido não significa trocar de lado”, afirmou. “O PSB também apóia o governo. Não vou trabalhar contra. Se fosse, estaria trabalhando contra o Brasil.”
O ingresso de Garotinho no PMDB foi negociado pela ala do partido descontente com o apoio ao governo Lula. Aparentemente, houve um acordo com o grupo governista para que Garotinho não faça oposição. “Garotinho vai seguir a orientação partidária. Pelo menos, foi esse o compromisso que ele assumiu com a direção”, revelou o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). “Isso (a filiação) não atrapalha absolutamente a relação do PMDB com o governo.”
Ficou claro que a filiação de Garotinho serviu aos dois grupos do PMDB: no caso dos descontentes, ela cria a possibilidade de, mais adiante, o partido, fortalecido pelas novas filiações, fazer oposição ao governo; no caso do segundo grupo, ela aumenta a musculatura do partido para negociar ministérios e cargos com o governo.
“A filiação de Garotinho não inviabiliza a aliança do PMDB com o governo, mas fortalece o diálogo”, disse o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP). Do grupo que resistiu à filiação do ex-governador fluminense, o líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE), fez questão de lembrar que o partido apóia o governo Lula.
“A nossa convivência vai ser fraterna, de lealdade”, discursou Oliveira na cerimônia de boas-vindas. Contrário à filiação, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), um forte aliado do governo no partido, não compareceu à cerimônia, o que rendeu o seguinte comentário do deputado Geddel Vieira (PMDB-BA), seu desafeto: “Tudo a que Sarney se opõe é bom”.
Quem mais perdeu com a ida de Garotinho para o PMDB foi o PSB, que viu sua bancada encolher de 29 para 16 deputados – dos 13 que saíram, 10 foram para o PMDB e três para o PSC. Mais dois deputados – um do PP e outro, do PTB – completam as 12 filiações obtidas pelo PMDB. Com as mudanças, o PSC, que só tinha um deputado, ganhou outros cinco: três do PSB, mais um do PTB e outro do PFL.
A nova configuração partidária preocupa o governo porque o PMDB está negociando a criação de um bloco com o PSC. Michel Temer disse que, levando-se em conta o fato de que existem dois deputados pemedebistas licenciados, a bancada do futuro bloco poderá chegar a 86 deputados, sete a menos que a do PT.
Na verdade, a diferença pode ser ainda menor, uma vez que o presidente do PT, José Genoino, dá como favas contadas a expulsão de três deputados “rebeldes” do partido – Luciana Genro (RS), João Fontes (SE) e João Batista de Araújo, o Babá (PA). “A nossa bancada tem 90 deputados. Esses três já não são do PT”, disse ele.
O ex-deputado não quis comentar ontem a filiação de Garotinho, mas afirmou que o governo quer ter uma relação “institucional” com o PMDB e seus principais interlocutores. Entre eles, não está Garotinho. “Vamos propor uma aliança político-eleitoral com o PMDB para as eleições municipais de 2004”, informou Genoino.
Quanto à formação do bloco PMDB-PSC, o presidente do PT disse que seu partido não está negociando a criação de um bloco, admitida pelo líder petista na Câmara, Nelson Pellegrino (BA). “Nossa negociação é com a base de apoio ao governo”, afirmou. “O PT não vai inchar para diminuir a sua qualidade.”
O “novo” PMDB, mesmo reafirmando apoio ao governo, deu mostras ontem de que dará trabalho na reforma tributária. Garotinho afirmou que, do jeito que está, ela prejudica os Estados produtores de gás e petróleo. O senador Renan Calheiros defendeu a repartição das receitas federais, ponto considerado inegociável pelo governo. “Impostos, não importa se impostos ou contribuições, precisam ser divididos com os Estados”, afirmou.
Cristiano Romero, De Brasília
Fonte: Valor Econômico

Por 10:23 Sem categoria

COM GAROTINHO, PMDB PODE DISPUTAR COM PT CONDIÇÃO DE MAIOR BANCADA DA CÂMAR

O ex-governador Anthony Garotinho oficializou ontem sua filiação ao PMDB, ajudando a transformar o partido na segunda maior força na Câmara dos Deputados. Ao trocar o PSB pelo novo partido, Garotinho levou com ele 12 deputados federais, aumentando a bancada do PMDB na Câmara para 78 integrantes – a maior bancada continua sendo a do PT, com 93 deputados.

Numa cerimônia ruidosa, realizada no Espaço Cultural da Câmara, Garotinho, sua mulher, a governadora do Estado do Rio, Rosinha Matheus, e o vice-governador, Luiz Paulo Conde, foram recebidos com festa pela cúpula do PMDB. Em seu primeiro discurso no novo partido, o ex-governador, hoje secretário de Segurança Pública do Rio, prometeu apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Garotinho desentendeu-se com o PSB depois que passou a fazer oposição ao governo. “Estou no PMDB com o coração e com a razão. Trocar de partido não significa trocar de lado”, afirmou. “O PSB também apóia o governo. Não vou trabalhar contra. Se fosse, estaria trabalhando contra o Brasil.”

O ingresso de Garotinho no PMDB foi negociado pela ala do partido descontente com o apoio ao governo Lula. Aparentemente, houve um acordo com o grupo governista para que Garotinho não faça oposição. “Garotinho vai seguir a orientação partidária. Pelo menos, foi esse o compromisso que ele assumiu com a direção”, revelou o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). “Isso (a filiação) não atrapalha absolutamente a relação do PMDB com o governo.”

Ficou claro que a filiação de Garotinho serviu aos dois grupos do PMDB: no caso dos descontentes, ela cria a possibilidade de, mais adiante, o partido, fortalecido pelas novas filiações, fazer oposição ao governo; no caso do segundo grupo, ela aumenta a musculatura do partido para negociar ministérios e cargos com o governo.

“A filiação de Garotinho não inviabiliza a aliança do PMDB com o governo, mas fortalece o diálogo”, disse o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP). Do grupo que resistiu à filiação do ex-governador fluminense, o líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE), fez questão de lembrar que o partido apóia o governo Lula.

“A nossa convivência vai ser fraterna, de lealdade”, discursou Oliveira na cerimônia de boas-vindas. Contrário à filiação, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), um forte aliado do governo no partido, não compareceu à cerimônia, o que rendeu o seguinte comentário do deputado Geddel Vieira (PMDB-BA), seu desafeto: “Tudo a que Sarney se opõe é bom”.

Quem mais perdeu com a ida de Garotinho para o PMDB foi o PSB, que viu sua bancada encolher de 29 para 16 deputados – dos 13 que saíram, 10 foram para o PMDB e três para o PSC. Mais dois deputados – um do PP e outro, do PTB – completam as 12 filiações obtidas pelo PMDB. Com as mudanças, o PSC, que só tinha um deputado, ganhou outros cinco: três do PSB, mais um do PTB e outro do PFL.

A nova configuração partidária preocupa o governo porque o PMDB está negociando a criação de um bloco com o PSC. Michel Temer disse que, levando-se em conta o fato de que existem dois deputados pemedebistas licenciados, a bancada do futuro bloco poderá chegar a 86 deputados, sete a menos que a do PT.

Na verdade, a diferença pode ser ainda menor, uma vez que o presidente do PT, José Genoino, dá como favas contadas a expulsão de três deputados “rebeldes” do partido – Luciana Genro (RS), João Fontes (SE) e João Batista de Araújo, o Babá (PA). “A nossa bancada tem 90 deputados. Esses três já não são do PT”, disse ele.

O ex-deputado não quis comentar ontem a filiação de Garotinho, mas afirmou que o governo quer ter uma relação “institucional” com o PMDB e seus principais interlocutores. Entre eles, não está Garotinho. “Vamos propor uma aliança político-eleitoral com o PMDB para as eleições municipais de 2004”, informou Genoino.

Quanto à formação do bloco PMDB-PSC, o presidente do PT disse que seu partido não está negociando a criação de um bloco, admitida pelo líder petista na Câmara, Nelson Pellegrino (BA). “Nossa negociação é com a base de apoio ao governo”, afirmou. “O PT não vai inchar para diminuir a sua qualidade.”

O “novo” PMDB, mesmo reafirmando apoio ao governo, deu mostras ontem de que dará trabalho na reforma tributária. Garotinho afirmou que, do jeito que está, ela prejudica os Estados produtores de gás e petróleo. O senador Renan Calheiros defendeu a repartição das receitas federais, ponto considerado inegociável pelo governo. “Impostos, não importa se impostos ou contribuições, precisam ser divididos com os Estados”, afirmou.

Cristiano Romero, De Brasília
Fonte: Valor Econômico

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