O presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, 48, acha que, ao reduzir em 2,5 pontos percentuais a taxa básica de juros, o Banco Central não foi tão conservador como tem sido até agora, neste ano. Para ele, essa decisão “deverá levar a economia do país para um nível mais elevado”. Setubal não quis fazer previsões sobre influência da queda dos juros sobre o resultado dos bancos. “Os bancos vão ganhar o que puderem ganhar”, afirmou. “O que os bancos vão ganhar é uma incógnita muito grande”.
Folha – O que o sr. achou da decisão do Copom?
Roberto Setubal – Eu acho correta. A tendência já está definida. As taxas de juros estão caindo e vão continuar caindo. Espero chegar no final do ano com taxas abaixo de 20%. A trajetória não mudou, a decisão de ontem do Banco Central apenas foi antecipada em relação ao que o mercado esperava. O BC agiu corretamente. Havia espaço para essa queda dos juros, e, agora, o Banco Central não foi tão conservador. Nós devemos chegar no final do ano com juros de cerca de 19%, o que é muito positivo e deverá levar a economia do país para um nível mais elevado de crescimento.
Folha – O sr. acha que o BC abriu mão da política gradualista?
Setubal – Não, eu não vejo dessa forma. O BC aproveitou um espaço que foi criado. O gradualismo continua e, como existe espaço para novas quedas de juros, essa tendência deverá se concretizar ao longo dos próximos meses. Houve muita ansiedade, e ainda continua havendo, em torno das reuniões do Copom. A questão não é saber os juros do mês que vem, mas sim as condições para os juros do ano que vem. A tendência para o ano que vem é de um juro médio de 16% a 17% ao ano [taxa Selic]. O ano deve começar com juro de 19% a 20% e terminar em 15%. Isso, se não houver um novo choque externo. Esses níveis de juros são compatíveis com a meta de inflação do ano que vem, de 5,5%.
Folha – Como os bancos vão reagir à decisão do Copom?
Setubal -O mercado vai continuar reduzindo os juros para o consumidor. As taxas de juros de mais longo prazo, como as cobradas nos financiamentos de automóveis, tenderão a cair menos do que as de mais curto prazo. Os juros no mercado futuro já mostram essa queda. Há poucos meses, os juros para 2004 estavam próximos a 30%, e hoje estão pouco acima de 20%.
Folha – Os bancos vão continuar tão lucrativos?
Setubal – Os bancos vão ganhar o que puderem ganhar. O que os bancos vão ganhar é uma incógnita muito grande. O resultado do banco é uma equação muito mais complexa do que simplesmente as taxas de juros. Os bancos vivem do “spread” [a diferença entre os juros pagos pelos bancos para captar dinheiro no mercado e a taxa cobrada dos clientes] e não dos juros. Quando cai a Selic, os juros dos depósitos [as aplicações dos clientes] nos bancos também caem. Como os bancos acabam pagando menos pelos depósitos, essa redução também é repassada para os empréstimos. O banco é um intermediário, como os supermercados. O supermercado compra o arroz num certo preço e vende num outro preço, com uma margem. Se o preço do arroz cai, o preço cobrado pelo supermercado também tende a cair numa outra ponta. Quando o arroz sobre, o preço do arroz cobrado pelo supermercado também sobe.
Folha -Com juros mais baixos, a tendência não é de queda dos “spreads”?
Setubal – É verdade. Na medida que os juros estão mais elevados, os “spreads” tendem a aumentar porque o risco dos empréstimos aumenta. Quando os juros vão caindo, os “spreads” tendem a cair um pouco, em razão da redução desse risco. A redução do risco também vem com uma tendência de redução da inadimplência. Há uma tendência de reduzir o “spread”. Portanto o consumidor acaba tendo um financiamento mais em conta.
Folha – O processo de redução de juros pode ser mais acelerado?
Setubal – O Brasil tem uma lição de casa grande na área federal. Esse esforço fiscal tem de ser mantido para poder reduzir ainda mais as taxas de juros daqui para a frente.
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO
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Por Mhais• 21 de agosto de 2003• 16:08• Sem categoria
PRESIDENTE DO ITAÚ ACREDITA QUE “BANCOS VÃO GANHAR O QUE PUDEREM”
O presidente do Banco Itaú, Roberto Setubal, 48, acha que, ao reduzir em 2,5 pontos percentuais a taxa básica de juros, o Banco Central não foi tão conservador como tem sido até agora, neste ano. Para ele, essa decisão “deverá levar a economia do país para um nível mais elevado”. Setubal não quis fazer previsões sobre influência da queda dos juros sobre o resultado dos bancos. “Os bancos vão ganhar o que puderem ganhar”, afirmou. “O que os bancos vão ganhar é uma incógnita muito grande”.
Folha – O que o sr. achou da decisão do Copom?
Roberto Setubal – Eu acho correta. A tendência já está definida. As taxas de juros estão caindo e vão continuar caindo. Espero chegar no final do ano com taxas abaixo de 20%. A trajetória não mudou, a decisão de ontem do Banco Central apenas foi antecipada em relação ao que o mercado esperava. O BC agiu corretamente. Havia espaço para essa queda dos juros, e, agora, o Banco Central não foi tão conservador. Nós devemos chegar no final do ano com juros de cerca de 19%, o que é muito positivo e deverá levar a economia do país para um nível mais elevado de crescimento.
Folha – O sr. acha que o BC abriu mão da política gradualista?
Setubal – Não, eu não vejo dessa forma. O BC aproveitou um espaço que foi criado. O gradualismo continua e, como existe espaço para novas quedas de juros, essa tendência deverá se concretizar ao longo dos próximos meses. Houve muita ansiedade, e ainda continua havendo, em torno das reuniões do Copom. A questão não é saber os juros do mês que vem, mas sim as condições para os juros do ano que vem. A tendência para o ano que vem é de um juro médio de 16% a 17% ao ano [taxa Selic]. O ano deve começar com juro de 19% a 20% e terminar em 15%. Isso, se não houver um novo choque externo. Esses níveis de juros são compatíveis com a meta de inflação do ano que vem, de 5,5%.
Folha – Como os bancos vão reagir à decisão do Copom?
Setubal -O mercado vai continuar reduzindo os juros para o consumidor. As taxas de juros de mais longo prazo, como as cobradas nos financiamentos de automóveis, tenderão a cair menos do que as de mais curto prazo. Os juros no mercado futuro já mostram essa queda. Há poucos meses, os juros para 2004 estavam próximos a 30%, e hoje estão pouco acima de 20%.
Folha – Os bancos vão continuar tão lucrativos?
Setubal – Os bancos vão ganhar o que puderem ganhar. O que os bancos vão ganhar é uma incógnita muito grande. O resultado do banco é uma equação muito mais complexa do que simplesmente as taxas de juros. Os bancos vivem do “spread” [a diferença entre os juros pagos pelos bancos para captar dinheiro no mercado e a taxa cobrada dos clientes] e não dos juros. Quando cai a Selic, os juros dos depósitos [as aplicações dos clientes] nos bancos também caem. Como os bancos acabam pagando menos pelos depósitos, essa redução também é repassada para os empréstimos. O banco é um intermediário, como os supermercados. O supermercado compra o arroz num certo preço e vende num outro preço, com uma margem. Se o preço do arroz cai, o preço cobrado pelo supermercado também tende a cair numa outra ponta. Quando o arroz sobre, o preço do arroz cobrado pelo supermercado também sobe.
Folha -Com juros mais baixos, a tendência não é de queda dos “spreads”?
Setubal – É verdade. Na medida que os juros estão mais elevados, os “spreads” tendem a aumentar porque o risco dos empréstimos aumenta. Quando os juros vão caindo, os “spreads” tendem a cair um pouco, em razão da redução desse risco. A redução do risco também vem com uma tendência de redução da inadimplência. Há uma tendência de reduzir o “spread”. Portanto o consumidor acaba tendo um financiamento mais em conta.
Folha – O processo de redução de juros pode ser mais acelerado?
Setubal – O Brasil tem uma lição de casa grande na área federal. Esse esforço fiscal tem de ser mantido para poder reduzir ainda mais as taxas de juros daqui para a frente.
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO
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