PLÍNIO FRAGA
da Folha de S.Paulo
As tendências de esquerda do PT se reúnem hoje para definir o nome que pretendem registrar para disputar, em prévia interna, a indicação de candidato do partido em São Paulo contra a prefeita Marta Suplicy.
Contrariando a cúpula partidária e a do governo federal, as tendências de esquerda acreditam que vão reunir as assinaturas de um terço do Diretório ou da Comissão Executiva Municipal, que obrigaria o partido a realizar uma prévia para a escolha de seu candidato em São Paulo, como determina o estatuto petista.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do PT, José Genoino, já se manifestaram contrariamente à realização da prévia, vista como um constrangimento desnecessário para a candidatura de Marta à reeleição.
Com apoio das correntes majoritárias do partido e de suas principais lideranças, Marta dificilmente perderia a prévia interna. Mas, com a pré-candidatura registrada, a esquerda obrigaria o PT a conviver com dois postulantes oficiais à Prefeitura de São Paulo, pelo menos até 1º de novembro, a data mais próxima em que poderia ser realizada.
A esquerda tentará postergar essa data, tentando ganhar espaço interna e externamente, desgastando o quanto puder a imagem da prefeita. O prazo máximo para a realização das prévias é 9 de maio de 2005.
“Fratricídio”
O presidente do PT repetidas vezes tem lembrado o risco de disputas internas “fratricidas”, citando em especial o exemplo do Rio Grande do Sul no ano passado, onde o então governador Olívio Dutra foi obrigado a disputar as prévias contra Tarso Genro.
O governador foi derrotado por Genro, que perdeu a eleição para o peemedebista Germano Rigotto. “A prévia é um direito estatutário, mas nós vamos negociar para evitá-las”, insiste Genoino.
Pelo calendário definido pela Executiva Nacional do PT, a primeira semana de outubro é a data limite para uma série de decisões internas sobre a eleição.
A possibilidade de alianças, apoios a candidatos de outros partidos e realização de prévias são algumas discussões que têm de ser iniciadas.
Em 1998, quando disputou o governo do Estado de São Paulo, Marta venceu prévia interna contra o deputado estadual Renato Simões para obter a candidatura.
Sua boa performance naquela eleição –obteve 22,51% dos votos válidos, ficando próximo do então governador tucano Mário Covas (22,95%) na disputa sobre quem enfrentaria o pepebista Paulo Maluf (32,21% dos votos) no primeiro turno–, assegurou sua candidatura para a prefeitura em 2000.
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