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LULA INCLUI DIREITOS HUMANOS EM AGENDA E “ACONSELHA” FIDEL

da Folha de S.Paulo, enviado especial a Havana
Apesar de ter dito que não trataria de direitos humanos em Cuba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se ontem pela manhã com o cardeal de Havana, dom Jaime Ortega, um dos principais mediadores entre o regime castrista e a oposição, para discutir a situação dos presos políticos.
Lula também recebeu a mãe de um brasileiro preso na ilha e, em conversa com Fidel, abordaria ontem os direitos humanos.
A Folha apurou que Lula decidiu se encontrar com um representante da Igreja Católica e com a mãe do brasileiro Paulo Hilel para dar uma satisfação às ONGs que pediram que ele intercedesse junto ao governo cubano para amenizar a repressão política. No início do ano, Fidel prendeu 75 dissidentes e mandou matar três que tentavam fugir de barco.
O cardeal Ortega, apesar da boa relação com o ditador, tenta mediar a relação do governo com os oposicionistas. Segundo um membro da comitiva de Lula, que preferiu não se identificar, o presidente fez um “gesto político para os defensores dos direitos humanos” ao se reunir com o cardeal e com Maria Gilza Hilel dos Santos, mãe do brasileiro que está preso há nove meses sob a acusação de tentar levar ilegalmente brasileiros de Cuba para os EUA.
Maria Gilza quer que as autoridades cubanas marquem logo o julgamento de seu filho. Paulo Hilel tem cidadania norte-americana. Diplomatas brasileiros afirmam que há escutas telefônicas incriminando Hilel, que nega as acusações. Lula disse à mãe do brasileiro que orientaria a embaixada a dar assistência ao rapaz.
“Crítica reservada”
Dois membros da comitiva de Lula disseram à Folha que o presidente abordaria ontem, em conversa com Fidel, o tema direitos humanos, dando ao ditador uma espécie de conselho.
Na quinta-feira, o assessor especial de Lula e frade dominicano Frei Betto deu um sinal de que o assunto seria tratado pelo presidente: “Aos inimigos, a denúncia; aos amigos, a crítica reservada”.
Lula prefere a “critica reservada” para poupar Fidel, de quem é amigo.
Anteontem, em jantar no Palácio da Revolução, Lula fez questão de dizer que lhe marcou muito uma visita que recebeu de Fidel em 1990. Ele veio ao Brasil em março, para a posse de Fernando Collor de Mello, que vencera Lula na eleição presidencial. Fidel foi à posse e a São Bernardo do Campo, para visitar Lula.
O jantar com Fidel transcorreu em clima de festa. Houve show de cantores cubanos e muitas brincadeiras. Lula deu ao presidente cubano a chave de um carro movido a gasolina e álcool: “A chave está aqui. O carro não sei quando chega”, disse o presidente.
Fidel brincou, arrancando risadas: “Tenho um amigo russo que não poderia ter esse carro. Ele beberia todo o combustível”.
O ditador, sempre chamado por Lula de presidente e nunca por “comandante”, como é o costume em Cuba, deu ao brasileiro uma garrafa de rum. Foi a vez de Lula brincar e contar que ganhara certa vez uma garrafa de rum de Fidel, mas a guardara com “tanto carinho” que, quando a abriu, a bebida não prestava mais.
Em encontro com estudantes brasileiros em Cuba, ontem pela manhã, Lula usou o lema da abertura política no regime militar para definir sua política externa como “ampla, geral e irrestrita”. Lula disse isso ao explicar os motivos de buscar uma união de países em desenvolvimento contra os ricos.
Afirmou que fez um pacto com África do Sul e Índia para formar um G3 e que espera um G5, com a adesão de China e Rússia, para enfrentar o protecionismo econômico dos Estados Unidos e da União Européia.
Lula foi homenageado pelos estudantes e se emocionou ao ouvir o discurso de uma bailarina. Comentou: “Presidente não pode chorar toda hora”.
Em seguida, encontrou-se com empresários brasileiros que desejam investir na ilha. No encontro, o presidente disse que vai estimular as empresas brasileiras a se tornarem multinacionais.
Depois disso, ele ainda teve um encontro reservado com Fidel. Foi o último compromisso em Cuba. No início da tarde, Lula retornaria ao Brasil.

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LULA INCLUI DIREITOS HUMANOS EM AGENDA E “ACONSELHA” FIDEL

da Folha de S.Paulo, enviado especial a Havana

Apesar de ter dito que não trataria de direitos humanos em Cuba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se ontem pela manhã com o cardeal de Havana, dom Jaime Ortega, um dos principais mediadores entre o regime castrista e a oposição, para discutir a situação dos presos políticos.

Lula também recebeu a mãe de um brasileiro preso na ilha e, em conversa com Fidel, abordaria ontem os direitos humanos.

A Folha apurou que Lula decidiu se encontrar com um representante da Igreja Católica e com a mãe do brasileiro Paulo Hilel para dar uma satisfação às ONGs que pediram que ele intercedesse junto ao governo cubano para amenizar a repressão política. No início do ano, Fidel prendeu 75 dissidentes e mandou matar três que tentavam fugir de barco.

O cardeal Ortega, apesar da boa relação com o ditador, tenta mediar a relação do governo com os oposicionistas. Segundo um membro da comitiva de Lula, que preferiu não se identificar, o presidente fez um “gesto político para os defensores dos direitos humanos” ao se reunir com o cardeal e com Maria Gilza Hilel dos Santos, mãe do brasileiro que está preso há nove meses sob a acusação de tentar levar ilegalmente brasileiros de Cuba para os EUA.

Maria Gilza quer que as autoridades cubanas marquem logo o julgamento de seu filho. Paulo Hilel tem cidadania norte-americana. Diplomatas brasileiros afirmam que há escutas telefônicas incriminando Hilel, que nega as acusações. Lula disse à mãe do brasileiro que orientaria a embaixada a dar assistência ao rapaz.

“Crítica reservada”

Dois membros da comitiva de Lula disseram à Folha que o presidente abordaria ontem, em conversa com Fidel, o tema direitos humanos, dando ao ditador uma espécie de conselho.

Na quinta-feira, o assessor especial de Lula e frade dominicano Frei Betto deu um sinal de que o assunto seria tratado pelo presidente: “Aos inimigos, a denúncia; aos amigos, a crítica reservada”.
Lula prefere a “critica reservada” para poupar Fidel, de quem é amigo.

Anteontem, em jantar no Palácio da Revolução, Lula fez questão de dizer que lhe marcou muito uma visita que recebeu de Fidel em 1990. Ele veio ao Brasil em março, para a posse de Fernando Collor de Mello, que vencera Lula na eleição presidencial. Fidel foi à posse e a São Bernardo do Campo, para visitar Lula.

O jantar com Fidel transcorreu em clima de festa. Houve show de cantores cubanos e muitas brincadeiras. Lula deu ao presidente cubano a chave de um carro movido a gasolina e álcool: “A chave está aqui. O carro não sei quando chega”, disse o presidente.

Fidel brincou, arrancando risadas: “Tenho um amigo russo que não poderia ter esse carro. Ele beberia todo o combustível”.

O ditador, sempre chamado por Lula de presidente e nunca por “comandante”, como é o costume em Cuba, deu ao brasileiro uma garrafa de rum. Foi a vez de Lula brincar e contar que ganhara certa vez uma garrafa de rum de Fidel, mas a guardara com “tanto carinho” que, quando a abriu, a bebida não prestava mais.

Em encontro com estudantes brasileiros em Cuba, ontem pela manhã, Lula usou o lema da abertura política no regime militar para definir sua política externa como “ampla, geral e irrestrita”. Lula disse isso ao explicar os motivos de buscar uma união de países em desenvolvimento contra os ricos.

Afirmou que fez um pacto com África do Sul e Índia para formar um G3 e que espera um G5, com a adesão de China e Rússia, para enfrentar o protecionismo econômico dos Estados Unidos e da União Européia.
Lula foi homenageado pelos estudantes e se emocionou ao ouvir o discurso de uma bailarina. Comentou: “Presidente não pode chorar toda hora”.

Em seguida, encontrou-se com empresários brasileiros que desejam investir na ilha. No encontro, o presidente disse que vai estimular as empresas brasileiras a se tornarem multinacionais.

Depois disso, ele ainda teve um encontro reservado com Fidel. Foi o último compromisso em Cuba. No início da tarde, Lula retornaria ao Brasil.

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