Valor Econômico – Mônica Izaguirre
Após uma bem-sucedida campanha de abertura de contas simplificadas para viabilizar microcrédito a pessoas até então sem acesso ao sistema bancário, a Caixa Econômica Federal agora quer expandir operações em outras faixas de renda. Visando conquistar inclusive clientes de classe média alta, a instituição lançou, neste final de semana, uma campanha publicitária para mostrar que não é apenas um banco social. Paralelamente, as agências da CEF passam a adotar uma postura mais agressiva na concessão de crédito.
“Não vamos ficar num canto de determinado nicho de mercado. Temos uma enorme diversidade de produtos modernos, capazes de atender a todos os tipos de cliente. Queremos mostrar que não somos apenas um banco dos excluídos e sim um banco para o conjunto dos brasileiros “, disse ao Valor o presidente da instituição, Jorge Mattoso.
Conforme ele, a Caixa está determinada a aumentar sua presença no mercado, incrementando operações comerciais de crédito, principalmente com pessoas físicas. A meta para 2003 é emprestar R$ 20,75 bilhões no âmbito da carteira comercial, 33,8% a mais do que foi emprestado em 2002. Do total, R$ 14,41 bilhões são destinados a pessoas físicas e R$ 6,34 bilhões a empresas.
No final de 2002, considerados os dois segmentos, o saldo da carteira de crédito comercial da Caixa estava em R$ 6,29 bilhões. Na hipótese de cumprimento da meta, o estoque de operações, influenciado também pelos retornos de empréstimos, fecharia o ano em R$ 7,63 bilhões, mais de 20% acima do que estava em dezembro de 2002 . Do total fixado como meta de novas concessões em 2003, cerca de R$ 8 bilhões foram cumpridos no primeiro semestre. O esforço maior, portanto, está se dando nesta segunda metade do ano.
Mattoso disse que a Caixa quer chegar a dezembro com uma fatia de 7,5% do estoque total de operações comerciais de crédito do sistema financeiro com pessoas físicas. Ao final de 2002, informou, essa participação era de 6,55% e, atualmente, já está em 6,92% . “Vamos disputar mais agressivamente com outros bancos. Condições para isso nós temos”, assegurou. Ele destacou que , só este ano, foram feitos R$ 650 milhões de investimentos em tecnologia e que, para 2004, estão previstos “mais de R$ 700 milhões”. Ainda em curso, o processo de seleção e contratação de 2.250 novos correspondentes bancários em áreas de grande concentração populacional da periferia de grandes cidades faz parte da estratégia de expansão de operações, sobretudo no varejo.
Hoje, fora as casas lotéricas, a Caixa já tem 2.100 correspondentes no país. Distribuída em localidades pequenas, antes sem atendimento bancário, a “primeira geração” de correspondentes, disse Mattoso, foi contratada com objetivos mais sociais, como melhorar a rede de distribuição de benefícios de programas sociais do governo e promover um processo de “inclusão bancária”. Já “a segunda geração de correspondentes ” está sendo selecionada buscando a lucratividade, a partir da expansão de operações de crédito.
Na avaliação de Mattoso, se o banco quiser continuar dando bons lucros, precisa aumentar sua carteira de crédito, pois, num cenário de juros básicos em queda, as aplicações de tesouraria, em títulos públicos, tendem a ser cada vez menos rentáveis. No primeiro semestre deste ano, ainda bastante influenciado pela rentabilidade dos papéis federais, o lucro da Caixa foi de R$ 860 milhões, o que representou um taxa anualizada de retorno de 34,9% sobre o patrimônio líquido.
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Comentários
Por Mhais• 29 de setembro de 2003• 10:52• Sem categoria
CAIXA ADOTA POSTURA MAIS AGRESSIVA NA OFERTA DE CRÉDITO
Valor Econômico – Mônica Izaguirre
Após uma bem-sucedida campanha de abertura de contas simplificadas para viabilizar microcrédito a pessoas até então sem acesso ao sistema bancário, a Caixa Econômica Federal agora quer expandir operações em outras faixas de renda. Visando conquistar inclusive clientes de classe média alta, a instituição lançou, neste final de semana, uma campanha publicitária para mostrar que não é apenas um banco social. Paralelamente, as agências da CEF passam a adotar uma postura mais agressiva na concessão de crédito.
“Não vamos ficar num canto de determinado nicho de mercado. Temos uma enorme diversidade de produtos modernos, capazes de atender a todos os tipos de cliente. Queremos mostrar que não somos apenas um banco dos excluídos e sim um banco para o conjunto dos brasileiros “, disse ao Valor o presidente da instituição, Jorge Mattoso.
Conforme ele, a Caixa está determinada a aumentar sua presença no mercado, incrementando operações comerciais de crédito, principalmente com pessoas físicas. A meta para 2003 é emprestar R$ 20,75 bilhões no âmbito da carteira comercial, 33,8% a mais do que foi emprestado em 2002. Do total, R$ 14,41 bilhões são destinados a pessoas físicas e R$ 6,34 bilhões a empresas.
No final de 2002, considerados os dois segmentos, o saldo da carteira de crédito comercial da Caixa estava em R$ 6,29 bilhões. Na hipótese de cumprimento da meta, o estoque de operações, influenciado também pelos retornos de empréstimos, fecharia o ano em R$ 7,63 bilhões, mais de 20% acima do que estava em dezembro de 2002 . Do total fixado como meta de novas concessões em 2003, cerca de R$ 8 bilhões foram cumpridos no primeiro semestre. O esforço maior, portanto, está se dando nesta segunda metade do ano.
Mattoso disse que a Caixa quer chegar a dezembro com uma fatia de 7,5% do estoque total de operações comerciais de crédito do sistema financeiro com pessoas físicas. Ao final de 2002, informou, essa participação era de 6,55% e, atualmente, já está em 6,92% . “Vamos disputar mais agressivamente com outros bancos. Condições para isso nós temos”, assegurou. Ele destacou que , só este ano, foram feitos R$ 650 milhões de investimentos em tecnologia e que, para 2004, estão previstos “mais de R$ 700 milhões”. Ainda em curso, o processo de seleção e contratação de 2.250 novos correspondentes bancários em áreas de grande concentração populacional da periferia de grandes cidades faz parte da estratégia de expansão de operações, sobretudo no varejo.
Hoje, fora as casas lotéricas, a Caixa já tem 2.100 correspondentes no país. Distribuída em localidades pequenas, antes sem atendimento bancário, a “primeira geração” de correspondentes, disse Mattoso, foi contratada com objetivos mais sociais, como melhorar a rede de distribuição de benefícios de programas sociais do governo e promover um processo de “inclusão bancária”. Já “a segunda geração de correspondentes ” está sendo selecionada buscando a lucratividade, a partir da expansão de operações de crédito.
Na avaliação de Mattoso, se o banco quiser continuar dando bons lucros, precisa aumentar sua carteira de crédito, pois, num cenário de juros básicos em queda, as aplicações de tesouraria, em títulos públicos, tendem a ser cada vez menos rentáveis. No primeiro semestre deste ano, ainda bastante influenciado pela rentabilidade dos papéis federais, o lucro da Caixa foi de R$ 860 milhões, o que representou um taxa anualizada de retorno de 34,9% sobre o patrimônio líquido.
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