Sergio Leo, De Brasília
Lessa: “Um banco comercial está preocupado com o lucro; o banco de desenvolvimento se preocupa com a prosperidade, o desenvolvimento do país”
Em busca de uma “aliança com o setor industrial”, como definiu o vice-presidente do BNDES, Darc Costa, em reunião com empresários, o banco decidiu reduzir em 1 ponto percentual a taxa de risco (spread) cobrada nos financiamentos da instituição ao setor privado, limitar em 210 dias o prazo para aprovação de empréstimo e aumentar para 100% a parcela financiada de projetos de exportação e iniciativas capazes de promover “inclusão social”.
“Um banco comercial ou de investimento está preocupado com o lucro; o banco de desenvolvimento (como o BNDES) se preocupa com a prosperidade, o desenvolvimento do país”, comentou o presidente do BNDES, Carlos Lessa, ao anunciar a decisão de melhorar as condições de empréstimo do BNDES. A medida faz parte das recém-definidas políticas operacionais do banco, que devem entrar em vigor até o fim do ano.
Lessa apresentou as novas políticas em uma reunião inédita da diretoria do banco com representantes empresariais, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O presidente do BNDES disse aos líderes empresariais que queria ouvir as sugestões dos empresários antes de submeter a proposta à votação da diretoria. Darc defendeu uma aliança entre BNDES e o setor privado.
A pedido do presidente da CNI, Armando Monteiro, e de outros dirigentes do setor privado, o BNDES vai analisar a proposta de estender a outros setores o socorro do banco oferecido às distribuidoras de energia, com empréstimos para resolver problemas conjunturais. “Não há desenvolvimento sem empresas saudáveis, robustas”, comentou Lessa, que decidiu criar um grupo de trabalho para discutir o assunto. “Muitas das empresas brasileiras têm problemas derivados de choques externos, como o do câmbio”, exemplificou.
Os empresário pediram ao BNDES para estudar também o financiamento a “bens intangíveis”, como programas de modernização gerencial.
A redução do prazo de aprovação de projetos era uma demanda dos empresários; alguns, segundo a CNI, levavam mais de um ano para tramitação no banco.
O spread nos empréstimos diretos do BNDES (sem intermediários) sofreu corte de 1 ponto percentual, e a taxa máxima, de 7,5% (cobrada de empresas de controle estrangeiro em setores não prioritários), passou a 6,5%. A mínima, cobrada de pequenas e médias empresas nacionais, passou a 1%.
Uma parcela dessa taxa de risco, o chamado “spread de crédito”, que reflete o risco do tomador e variava entre 0,1% a 4,5%, foi unificada em 1,5%. “Somos um banco de fomento e temos de olhar o risco da economia como um todo, e não individualmente as empresas”, comentou Darc Costa. “O critério de rating (classificação de risco) funciona muito bem no curto prazo, mas como operamos no médio e longo prazos um rating bom hoje pode ser desastroso amanhã.” Ele lembrou que a AES, hoje responsável pela contabilização de resultados negativos no banco, era classificada como AAA, o melhor índice de risco, quando recebeu empréstimos do BNDES.
Nas operações indiretas do banco, com intermediários, o BNDES passará a ter taxas de risco entre 1,5% a 5,5%, mais o spread (taxa de risco) cobrado pelo agente financeiro. Essas taxas também tiveram queda de 1 ponto percentual. A queda nas taxas, tanto das operações diretas quanto nas indiretas, se soma à redução já realizada da taxa básica de juros do BNDES, a TJLP, que caiu de 12% para 11% ao ano.
“Estamos também ampliando prazos de empréstimos”, informou Darc Costa. “No caso de projetos no setor ferroviário, por exemplo, o prazo passou de dez para quinze anos.”
Lessa comentou os maus resultados do banco no segundo trimestre do ano, devido à necessidade de fazer provisões para os empréstimos concedidos à AES. A renegociação das dívidas da empresa permitirá ao banco terminar o ano com lucro, garantiu. Professoral, ele deu “nota zero” à interpretação “equivocada” de que o BNDES está pedindo aumento de capital ao Tesouro Nacional, para enfrentar os prejuízos com o provisionamento dos créditos da AES.
Com o aumento das operações e a manutenção de seu patrimônio, há dez anos sem aumento de capital pelo Tesouro, o BNDES tem uma relação entre empréstimos e patrimônio muito grande, o que limita sua capacidade de oferecer mais crédito. “O banco vem crescendo, seu patrimônio não, o que representa uma alavancagem excessiva”, disse Lessa. “Manda a boa regra que haja capitalização.”
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Comentários
Por Mhais• 2 de outubro de 2003• 09:38• Sem categoria
BNDES MELHORA CONDIÇÕES DE SEUS EMPRÉSTIMOS E BUSCA MAIS DIÁLOGO
Sergio Leo, De Brasília
Lessa: “Um banco comercial está preocupado com o lucro; o banco de desenvolvimento se preocupa com a prosperidade, o desenvolvimento do país”
Em busca de uma “aliança com o setor industrial”, como definiu o vice-presidente do BNDES, Darc Costa, em reunião com empresários, o banco decidiu reduzir em 1 ponto percentual a taxa de risco (spread) cobrada nos financiamentos da instituição ao setor privado, limitar em 210 dias o prazo para aprovação de empréstimo e aumentar para 100% a parcela financiada de projetos de exportação e iniciativas capazes de promover “inclusão social”.
“Um banco comercial ou de investimento está preocupado com o lucro; o banco de desenvolvimento (como o BNDES) se preocupa com a prosperidade, o desenvolvimento do país”, comentou o presidente do BNDES, Carlos Lessa, ao anunciar a decisão de melhorar as condições de empréstimo do BNDES. A medida faz parte das recém-definidas políticas operacionais do banco, que devem entrar em vigor até o fim do ano.
Lessa apresentou as novas políticas em uma reunião inédita da diretoria do banco com representantes empresariais, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O presidente do BNDES disse aos líderes empresariais que queria ouvir as sugestões dos empresários antes de submeter a proposta à votação da diretoria. Darc defendeu uma aliança entre BNDES e o setor privado.
A pedido do presidente da CNI, Armando Monteiro, e de outros dirigentes do setor privado, o BNDES vai analisar a proposta de estender a outros setores o socorro do banco oferecido às distribuidoras de energia, com empréstimos para resolver problemas conjunturais. “Não há desenvolvimento sem empresas saudáveis, robustas”, comentou Lessa, que decidiu criar um grupo de trabalho para discutir o assunto. “Muitas das empresas brasileiras têm problemas derivados de choques externos, como o do câmbio”, exemplificou.
Os empresário pediram ao BNDES para estudar também o financiamento a “bens intangíveis”, como programas de modernização gerencial.
A redução do prazo de aprovação de projetos era uma demanda dos empresários; alguns, segundo a CNI, levavam mais de um ano para tramitação no banco.
O spread nos empréstimos diretos do BNDES (sem intermediários) sofreu corte de 1 ponto percentual, e a taxa máxima, de 7,5% (cobrada de empresas de controle estrangeiro em setores não prioritários), passou a 6,5%. A mínima, cobrada de pequenas e médias empresas nacionais, passou a 1%.
Uma parcela dessa taxa de risco, o chamado “spread de crédito”, que reflete o risco do tomador e variava entre 0,1% a 4,5%, foi unificada em 1,5%. “Somos um banco de fomento e temos de olhar o risco da economia como um todo, e não individualmente as empresas”, comentou Darc Costa. “O critério de rating (classificação de risco) funciona muito bem no curto prazo, mas como operamos no médio e longo prazos um rating bom hoje pode ser desastroso amanhã.” Ele lembrou que a AES, hoje responsável pela contabilização de resultados negativos no banco, era classificada como AAA, o melhor índice de risco, quando recebeu empréstimos do BNDES.
Nas operações indiretas do banco, com intermediários, o BNDES passará a ter taxas de risco entre 1,5% a 5,5%, mais o spread (taxa de risco) cobrado pelo agente financeiro. Essas taxas também tiveram queda de 1 ponto percentual. A queda nas taxas, tanto das operações diretas quanto nas indiretas, se soma à redução já realizada da taxa básica de juros do BNDES, a TJLP, que caiu de 12% para 11% ao ano.
“Estamos também ampliando prazos de empréstimos”, informou Darc Costa. “No caso de projetos no setor ferroviário, por exemplo, o prazo passou de dez para quinze anos.”
Lessa comentou os maus resultados do banco no segundo trimestre do ano, devido à necessidade de fazer provisões para os empréstimos concedidos à AES. A renegociação das dívidas da empresa permitirá ao banco terminar o ano com lucro, garantiu. Professoral, ele deu “nota zero” à interpretação “equivocada” de que o BNDES está pedindo aumento de capital ao Tesouro Nacional, para enfrentar os prejuízos com o provisionamento dos créditos da AES.
Com o aumento das operações e a manutenção de seu patrimônio, há dez anos sem aumento de capital pelo Tesouro, o BNDES tem uma relação entre empréstimos e patrimônio muito grande, o que limita sua capacidade de oferecer mais crédito. “O banco vem crescendo, seu patrimônio não, o que representa uma alavancagem excessiva”, disse Lessa. “Manda a boa regra que haja capitalização.”
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