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SALÁRIO DOS EXECUTIVOS NO BRASIL FICA ABAIXO DA INFLAÇÃO

Por Roberta Lippi, para o Valor, de São Paulo
“Todo mundo ficou mais pobre”, diz Vicente Gomes, diretor do Hay Group
O ano de vacas magras vivido pela economia brasileira em 2002 e primeiro semestre deste ano refletiu-se nos bolsos dos principais executivos das empresas do país. Pesquisa recém-concluída pela consultoria Hay Group com executivos de primeiro escalão mostrou que a remuneração deles entre junho de 2002 e maio deste ano sequer acompanhou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Que os bônus não seriam generosos, já era de se esperar. O que surpreendeu, no entanto, é que até mesmo a correção do salário-base ficou abaixo da inflação. É a primeira vez, em quase vinte anos de levantamento, que isso acontece.
Na média, houve um aumento de 14,2% no salário-base dos profissionais pesquisados. Na remuneração total, a recuperação da moeda ficou ainda menor, com 13%, frente a um INPC médio no período de 20,44%. No caso dos executivos número um das organizações, as perdas foram um pouco mais amenas: a média de alta do salário-base foi de 15,5% e a remuneração total, 16,4%. “No topo, ainda prevalece a pressão de mercado, porque são profissionais mais preciosos e difíceis de serem repostos”, explica Vicente Gomes, diretor da Hay responsável pela pesquisa.
No geral, acrescenta Gomes, a pesquisa mostrou uma forte correlação entre o desempenho financeiro das empresas medido pelo índice Valor 1000 e o comportamento da remuneração dos executivos. “Aconteceu no topo o mesmo fenômeno verificado nos níveis mais baixos. Ou seja, todo mundo ficou mais pobre”, diz o diretor da Hay. No levantamento deste ano, foram entrevistados 1.520 profissionais de 141 empresas – 49% multinacionais, 35% nacionais e 16% de capital misto. Entre os executivos pesquisados, 24 eram presidentes ou CEOs, 92 presidentes de subsidiárias, 45 vice-presidentes e 1.080 diretores.
Apesar do momento nada generoso para os executivos, um recorte feito este ano na pesquisa da Hay Group revelou um aspecto bastante interessante. Quando analisadas as empresas listadas no Nível 1 da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que lista as organizações com bons índices de governança corporativa, os resultados foram melhores para os altos executivos do que a média das companhias. “Como a preocupação com ética e as políticas de transparência nos Estados Unidos chamaram a atenção dos altos salários dos CEOs, imaginávamos que os comandantes das empresas com governança tivessem remuneração menos agressiva”, explica Gomes. “Mas o resultado da pesquisa mostrou, para nossa grande surpresa, que as empresas com critérios transparentes de gestão conseguem fazer uma boa equação entre resultado financeiro e recompensa aos executivos.”
No caso das empresas com boa governança corporativa (foram avaliadas cerca de 15), o salário-base evoluiu de 16% a 17%. Em geral, a remuneração paga por essas empresas aos profissionais de comando, conforme revelou a pesquisa, é cerca de 30% mais agressiva que a média. “Esses dados mostram que a qualidade da gestão, atratividade para investidores e a garantia aos direitos dos minoritários oferecidas por essas empresas são, também, mais compensadoras para os seus executivos”, afirma Gomes.
Prova disso são os salários dos próprios conselheiros de administração, que tiveram alta de mais de 100% em um ano. A média paga a um membro de conselho cresceu de R$ 4.104 para R$ 10.142 de junho do ano passado a maio de 2003. Para os diretores externos, o pagamento pela participação nos conselhos de administração aumentou de R$ 4.300 para R$ 5.680. “A cobrança por resultados das empresas está fazendo com que o papel dos boards seja revisto e aumenta, também, a pressão pela recompensa dos membros de conselho”, explica o diretor da consultoria. Esses profissionais estão entrando, inclusive, para a lista de pagamento de bônus das empresas. Algumas companhias pagam até “stock options” para os conselheiros, segundo Gomes.
O relatório do Hay Group ficou pronto há cerca de três semanas. Mas, apesar dos resultados apertados no período, as tendências para 2004 não são desanimadoras. Gomes prevê que as perdas de 2002 e 2003 se recuperem no próximo ano. Dentro de uma previsão de inflação de 6% a 7%, a consultoria calcula que haja uma alta nos salários-base dos altos executivos entre 9% e 12%. “Acreditamos em uma recuperação do poder de compra frente ao período anterior. Mas o que está por trás, mesmo, é a pressão do mercado. Acreditamos que a busca de profissionais de primeiro escalão e também em outros níveis fique mais aquecida para os próximos 12 meses.”
Os setores que têm demonstrado maior aquecimento são aqueles ligados à exportação, explica Gomes, como papel e celulose, mineração e siderurgia. Essas empresas tiveram resultados econômicos bons, expandiram seus negócios, e isso refletiu também, segundo ele, na remuneração dos executivos.

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SALÁRIO DOS EXECUTIVOS NO BRASIL FICA ABAIXO DA INFLAÇÃO

Por Roberta Lippi, para o Valor, de São Paulo

“Todo mundo ficou mais pobre”, diz Vicente Gomes, diretor do Hay Group

O ano de vacas magras vivido pela economia brasileira em 2002 e primeiro semestre deste ano refletiu-se nos bolsos dos principais executivos das empresas do país. Pesquisa recém-concluída pela consultoria Hay Group com executivos de primeiro escalão mostrou que a remuneração deles entre junho de 2002 e maio deste ano sequer acompanhou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Que os bônus não seriam generosos, já era de se esperar. O que surpreendeu, no entanto, é que até mesmo a correção do salário-base ficou abaixo da inflação. É a primeira vez, em quase vinte anos de levantamento, que isso acontece.

Na média, houve um aumento de 14,2% no salário-base dos profissionais pesquisados. Na remuneração total, a recuperação da moeda ficou ainda menor, com 13%, frente a um INPC médio no período de 20,44%. No caso dos executivos número um das organizações, as perdas foram um pouco mais amenas: a média de alta do salário-base foi de 15,5% e a remuneração total, 16,4%. “No topo, ainda prevalece a pressão de mercado, porque são profissionais mais preciosos e difíceis de serem repostos”, explica Vicente Gomes, diretor da Hay responsável pela pesquisa.

No geral, acrescenta Gomes, a pesquisa mostrou uma forte correlação entre o desempenho financeiro das empresas medido pelo índice Valor 1000 e o comportamento da remuneração dos executivos. “Aconteceu no topo o mesmo fenômeno verificado nos níveis mais baixos. Ou seja, todo mundo ficou mais pobre”, diz o diretor da Hay. No levantamento deste ano, foram entrevistados 1.520 profissionais de 141 empresas – 49% multinacionais, 35% nacionais e 16% de capital misto. Entre os executivos pesquisados, 24 eram presidentes ou CEOs, 92 presidentes de subsidiárias, 45 vice-presidentes e 1.080 diretores.

Apesar do momento nada generoso para os executivos, um recorte feito este ano na pesquisa da Hay Group revelou um aspecto bastante interessante. Quando analisadas as empresas listadas no Nível 1 da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que lista as organizações com bons índices de governança corporativa, os resultados foram melhores para os altos executivos do que a média das companhias. “Como a preocupação com ética e as políticas de transparência nos Estados Unidos chamaram a atenção dos altos salários dos CEOs, imaginávamos que os comandantes das empresas com governança tivessem remuneração menos agressiva”, explica Gomes. “Mas o resultado da pesquisa mostrou, para nossa grande surpresa, que as empresas com critérios transparentes de gestão conseguem fazer uma boa equação entre resultado financeiro e recompensa aos executivos.”

No caso das empresas com boa governança corporativa (foram avaliadas cerca de 15), o salário-base evoluiu de 16% a 17%. Em geral, a remuneração paga por essas empresas aos profissionais de comando, conforme revelou a pesquisa, é cerca de 30% mais agressiva que a média. “Esses dados mostram que a qualidade da gestão, atratividade para investidores e a garantia aos direitos dos minoritários oferecidas por essas empresas são, também, mais compensadoras para os seus executivos”, afirma Gomes.

Prova disso são os salários dos próprios conselheiros de administração, que tiveram alta de mais de 100% em um ano. A média paga a um membro de conselho cresceu de R$ 4.104 para R$ 10.142 de junho do ano passado a maio de 2003. Para os diretores externos, o pagamento pela participação nos conselhos de administração aumentou de R$ 4.300 para R$ 5.680. “A cobrança por resultados das empresas está fazendo com que o papel dos boards seja revisto e aumenta, também, a pressão pela recompensa dos membros de conselho”, explica o diretor da consultoria. Esses profissionais estão entrando, inclusive, para a lista de pagamento de bônus das empresas. Algumas companhias pagam até “stock options” para os conselheiros, segundo Gomes.

O relatório do Hay Group ficou pronto há cerca de três semanas. Mas, apesar dos resultados apertados no período, as tendências para 2004 não são desanimadoras. Gomes prevê que as perdas de 2002 e 2003 se recuperem no próximo ano. Dentro de uma previsão de inflação de 6% a 7%, a consultoria calcula que haja uma alta nos salários-base dos altos executivos entre 9% e 12%. “Acreditamos em uma recuperação do poder de compra frente ao período anterior. Mas o que está por trás, mesmo, é a pressão do mercado. Acreditamos que a busca de profissionais de primeiro escalão e também em outros níveis fique mais aquecida para os próximos 12 meses.”

Os setores que têm demonstrado maior aquecimento são aqueles ligados à exportação, explica Gomes, como papel e celulose, mineração e siderurgia. Essas empresas tiveram resultados econômicos bons, expandiram seus negócios, e isso refletiu também, segundo ele, na remuneração dos executivos.

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