Valor Econômico – Débora Guterman
O peso da folha de pagamento nas despesas dos bancos é bem menor do que sugere a dura negociação entre os representantes das instituições financeiras e de seus funcionários na campanha salarial de 2003. O recente processo de enxugamento – 178 mil bancários foram demitidos entre 1994 e 2001, segundo o Ministério do Trabalho – levou as despesas com pessoal a perderem importância em relação à receita de intermediação financeira.
Foram justamente os bancos públicos – em que a discussão trabalhista se acirrou este ano – que fizeram o maior ajuste. Estudo da Austin Rating mostra que os 20 maiores bancos por ativo, entre públicos e privados, comprometiam 27,5% da receita de intermediação com salários em dezembro de 1995, enquanto no fim do ano passado, empenharam apenas 13,9%. No mesmo período, entre os cinco bancos públicos que figuram na lista, o comprometimento dessa receita com pessoal diminuiu nada menos que 20 pontos percentuais. Passou de 37,9% para 17,3%. Já os bancos privados, que gastavam 19,8% da receita de intermediação com folha de pagamento em meados dos anos 90, despenderam 11,9% dela em 2002.
Na avaliação do presidente da Austin, Erivelto Rodrigues, este processo tem ocorrido porque os salários são reajustados com índices próximos à inflação, enquanto a receita está atrelada à taxa Selic e aos juros futuros que, em momentos de grande volatilidade, resultam em ganhos significativos para os bancos.
Além disso, os bancos federais não negociaram aumentos salariais aos seus funcionários durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. O desempenho dos bancos públicos é fortemente influenciado, porém, pelo Banco do Brasil. Em dezembro de 1995, 50,6% da receita de intermediação estavam comprometidas com despesa com pessoal; em 2002, essa relação foi reduzida a 15,1%.
Não para menos, hoje o piso é praticamente o mesmo nos bancos públicos e privados. No Banco do Brasil, o salário inicial é de R$ 797,29; na Caixa Econômica Federal, R$ 848,40 e a média dos privados, de R$ 702,66.
Um levantamento da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) na Confederação Nacional dos Bancários (CNB) mostra que em alguns bancos, apenas a receita com prestação de serviços, como tarifas, administração de fundos e cartão de crédito, já seria suficiente para custear a folha de pagamento. Caso do Itaú – em que a receita com tarifas supera o custo com pessoal em 68,4 pontos -, Unibanco, BankBoston e da Caixa Econômica Federal. Em 2002, o total arrecadado pelos quinze maiores bancos, por ativo, era equivalente a 89,34% das despesas com salários.
Para a economista do Dieese, Yoná dos Santos, o que se tem visto é uma contradição. “O setor bancário tem obtido um desempenho financeiro muito bom em comparação a outros setores da economia, mas ainda assim os bancários têm não têm conseguido recuperar as perdas de poder aquisitivo com a inflação”.
O representante da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Magnus Apostólico, afirma, entretanto, que “apesar da menor participação, mão-de-obra continua sendo a principal despesa”.
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Por Mhais• 17 de outubro de 2003• 11:57• Sem categoria
BANCO DO BRASIL LIDEROU PROCESSO DE AJUSTE SALARIAL ENTRE ESTATAIS
Valor Econômico – Débora Guterman
O peso da folha de pagamento nas despesas dos bancos é bem menor do que sugere a dura negociação entre os representantes das instituições financeiras e de seus funcionários na campanha salarial de 2003. O recente processo de enxugamento – 178 mil bancários foram demitidos entre 1994 e 2001, segundo o Ministério do Trabalho – levou as despesas com pessoal a perderem importância em relação à receita de intermediação financeira.
Foram justamente os bancos públicos – em que a discussão trabalhista se acirrou este ano – que fizeram o maior ajuste. Estudo da Austin Rating mostra que os 20 maiores bancos por ativo, entre públicos e privados, comprometiam 27,5% da receita de intermediação com salários em dezembro de 1995, enquanto no fim do ano passado, empenharam apenas 13,9%. No mesmo período, entre os cinco bancos públicos que figuram na lista, o comprometimento dessa receita com pessoal diminuiu nada menos que 20 pontos percentuais. Passou de 37,9% para 17,3%. Já os bancos privados, que gastavam 19,8% da receita de intermediação com folha de pagamento em meados dos anos 90, despenderam 11,9% dela em 2002.
Na avaliação do presidente da Austin, Erivelto Rodrigues, este processo tem ocorrido porque os salários são reajustados com índices próximos à inflação, enquanto a receita está atrelada à taxa Selic e aos juros futuros que, em momentos de grande volatilidade, resultam em ganhos significativos para os bancos.
Além disso, os bancos federais não negociaram aumentos salariais aos seus funcionários durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. O desempenho dos bancos públicos é fortemente influenciado, porém, pelo Banco do Brasil. Em dezembro de 1995, 50,6% da receita de intermediação estavam comprometidas com despesa com pessoal; em 2002, essa relação foi reduzida a 15,1%.
Não para menos, hoje o piso é praticamente o mesmo nos bancos públicos e privados. No Banco do Brasil, o salário inicial é de R$ 797,29; na Caixa Econômica Federal, R$ 848,40 e a média dos privados, de R$ 702,66.
Um levantamento da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) na Confederação Nacional dos Bancários (CNB) mostra que em alguns bancos, apenas a receita com prestação de serviços, como tarifas, administração de fundos e cartão de crédito, já seria suficiente para custear a folha de pagamento. Caso do Itaú – em que a receita com tarifas supera o custo com pessoal em 68,4 pontos -, Unibanco, BankBoston e da Caixa Econômica Federal. Em 2002, o total arrecadado pelos quinze maiores bancos, por ativo, era equivalente a 89,34% das despesas com salários.
Para a economista do Dieese, Yoná dos Santos, o que se tem visto é uma contradição. “O setor bancário tem obtido um desempenho financeiro muito bom em comparação a outros setores da economia, mas ainda assim os bancários têm não têm conseguido recuperar as perdas de poder aquisitivo com a inflação”.
O representante da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Magnus Apostólico, afirma, entretanto, que “apesar da menor participação, mão-de-obra continua sendo a principal despesa”.
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