O Valor
A grande concentração dos ativos em títulos públicos é um dos principais problemas dos bancos brasileiros, na avaliação da diretora sênior da agência internacional de classificação de risco de crédito Fitch Atlantic Ratings, Maria Rita Gonçalves.
Nesse sentido, acrescentou, a queda gradual, estável e contínua nos juros brasileiros pode beneficiar os bancos brasileiros do ponto de vista da classificação de risco porque vai obriga-los a ampliar o crédito para tentar manter a rentabilidade e, dessa forma, diversificar os ativos.
Entre os bancos de países emergentes da América Latina, incluindo México, os brasileiros têm os melhores rating individuais, avaliação que vai de A a E e não considera o suporte do controlador ou do governo e o teto soberano. Seis bancos brasileiros têm rating individual “C” enquanto os demais países emergentes têm oito.
Os títulos públicos, explicou, atraem porque têm rentabilidade elevada e risco menor. “Os títulos públicos, porém, não são ausentes de risco e uma diversificação maior é positiva”, afirmou.
Os bancos brasileiros têm conseguido manter “ganhos recorrentes expressivos” desde 1980, pois são ágeis e conseguem se adaptar ao “stop and go” nos juros, desenvolvendo, por exemplo, a área de serviços bancários.
“A volatilidade brasileira tem sido bem aproveitada pelo bancos”, disse. Mas, com a queda contínua das taxas, o sistema financeiro nacional terá de desenvolver um controle maior de custos e da inadimplência no crédito à pessoa física e jurídica.
No primeiro semestre deste ano, lembrou ela, a rentabilidade dos bancos já foi afetada pela queda na atividade econômica e pela estabilidade no câmbio. O retorno anualizado sobre o patrimônio dos 25 maiores bancos brasileiros ficou ligeiramente acima de 10% em comparação com 25% no ano passado e quase 30% em 1999. Tanto em 2002 quanto em 1999, notou, os bancos ganharam com a volatilidade das taxas de juros e do câmbio.
“Daqui para a frente, os bancos vão precisar calibrar sua forma de atuar, acredita Maria Rita. Ela lembrou que um terço do spread bancário, hoje, é decorrente da inadimplência, segundo o Banco Central (BC). Os créditos classificados de D a H, isto é, com atraso a partir de 61 dias, que representavam 9% da carteira em junho de 2000 subiram a 10,5% em junho passado.
Será necessário também reduzir os custos. Mas, a grande saída dos bancos para recompor seus ganhos será mesmo o crédito, cuja demanda não está reagindo, explicou porque “os spreads ainda são elevados e falta renda” para animar as pessoas a se endividarem.
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Por Mhais• 17 de outubro de 2003• 11:40• Sem categoria
QUEDA DOS JUROS FAVORECE A AVALIAÇÃO DOS BANCOS
O Valor
A grande concentração dos ativos em títulos públicos é um dos principais problemas dos bancos brasileiros, na avaliação da diretora sênior da agência internacional de classificação de risco de crédito Fitch Atlantic Ratings, Maria Rita Gonçalves.
Nesse sentido, acrescentou, a queda gradual, estável e contínua nos juros brasileiros pode beneficiar os bancos brasileiros do ponto de vista da classificação de risco porque vai obriga-los a ampliar o crédito para tentar manter a rentabilidade e, dessa forma, diversificar os ativos.
Entre os bancos de países emergentes da América Latina, incluindo México, os brasileiros têm os melhores rating individuais, avaliação que vai de A a E e não considera o suporte do controlador ou do governo e o teto soberano. Seis bancos brasileiros têm rating individual “C” enquanto os demais países emergentes têm oito.
Os títulos públicos, explicou, atraem porque têm rentabilidade elevada e risco menor. “Os títulos públicos, porém, não são ausentes de risco e uma diversificação maior é positiva”, afirmou.
Os bancos brasileiros têm conseguido manter “ganhos recorrentes expressivos” desde 1980, pois são ágeis e conseguem se adaptar ao “stop and go” nos juros, desenvolvendo, por exemplo, a área de serviços bancários.
“A volatilidade brasileira tem sido bem aproveitada pelo bancos”, disse. Mas, com a queda contínua das taxas, o sistema financeiro nacional terá de desenvolver um controle maior de custos e da inadimplência no crédito à pessoa física e jurídica.
No primeiro semestre deste ano, lembrou ela, a rentabilidade dos bancos já foi afetada pela queda na atividade econômica e pela estabilidade no câmbio. O retorno anualizado sobre o patrimônio dos 25 maiores bancos brasileiros ficou ligeiramente acima de 10% em comparação com 25% no ano passado e quase 30% em 1999. Tanto em 2002 quanto em 1999, notou, os bancos ganharam com a volatilidade das taxas de juros e do câmbio.
“Daqui para a frente, os bancos vão precisar calibrar sua forma de atuar, acredita Maria Rita. Ela lembrou que um terço do spread bancário, hoje, é decorrente da inadimplência, segundo o Banco Central (BC). Os créditos classificados de D a H, isto é, com atraso a partir de 61 dias, que representavam 9% da carteira em junho de 2000 subiram a 10,5% em junho passado.
Será necessário também reduzir os custos. Mas, a grande saída dos bancos para recompor seus ganhos será mesmo o crédito, cuja demanda não está reagindo, explicou porque “os spreads ainda são elevados e falta renda” para animar as pessoas a se endividarem.
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