Valor Online
WASHINGTON – Os Estados Unidos reagiram com frieza à proposta feita pelo Brasil e pela Argentina de abertura do setor de serviços na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Um porta-voz do United States Trade Representative (USTR), espécie de ministério do comércio exterior, elogiou a apresentação da proposta pelo Mercosul, mas disse que a oferta apenas ” obedece à carta de intenções firmada pelos ministros em Quito, Equador ” .
O porta-voz lembrou que as propostas deveriam ter sido feitas em fevereiro e que os EUA esperam que sejam feitas também ofertas para investimentos e compras governamentais, que também estavam previstas para o início do ano. ” O setor de serviços é um dos motores do crescimento na região ” , disse o porta-voz do USTR.
Desde o fracasso da reunião do Comitê de Negociação Comercial (CNC) em Trinidad Tobago, os EUA endureceram na negociação com o Brasil e, embora não admitam melhorar ofertas para a agricultura, estão pressionando pela inclusão dos setores que o Brasil propôs retirar.
O boletim americano ” Inside US Trade ” informou na sexta-feira que uma das propostas feitas pelo embaixador brasileiro Adhemar Bahadian, co-presidente da Alca, aos EUA foi a divisão da negociação da Alca em duas fases. A primeira terminaria em 2005 com um acordo mínimo, que excluiria tanto subsídios agrícolas quanto investimentos e compras governamentais, segundo declarações de Bahadian ao boletim. A segunda fase viria depois de 2005, com a inclusão dessas discussões. O co-presidente americano da Alca, Peter Allgeier, ainda não respondeu à proposta brasileira, mas disse na semana passada durante a visita ao Brasil que a Alca poderá ser criada mesmo sem a presença do país. Procurado pelo Valor, Bahadian estava em trânsito entre Brasília e Buenos Aires na sexta-feira.
Outra proposta brasileira, de comprometimentos diferentes de cada país com a Alca, já havia sido rechaçada pelos EUA na reunião de Trinidad Tobago. Depois da falta de acordo entre os co-presidentes da Alca, deve ser marcado em breve o encontro entre o USTR Robert Zoellick e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O vice-secretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Roger Noriega, disse numa entrevista na sexta-feira acreditar que o governo brasileiro está comprometido com o processo de negociação da Alca. Noriega defendeu o acordo num contexto multilateral. ” Os acordos bilaterais não são ideais em alguns casos e podem deixar espaços vazios, e por isso os EUA estão comprometidos com um acordo multilateral ” , disse Noriega. ” Estamos continuando nossas conversas com os brasileiros para saber como prosseguir. Acho que há um reconhecimento de que devemos fazer tudo o que podemos para chegar a um acordo regional. ”
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Por Mhais• 27 de outubro de 2003• 10:31• Sem categoria
EUA REAGEM COM FRIEZA A NOVA PROPOSTA DO BRASIL PARA ALCA
Valor Online
WASHINGTON – Os Estados Unidos reagiram com frieza à proposta feita pelo Brasil e pela Argentina de abertura do setor de serviços na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Um porta-voz do United States Trade Representative (USTR), espécie de ministério do comércio exterior, elogiou a apresentação da proposta pelo Mercosul, mas disse que a oferta apenas ” obedece à carta de intenções firmada pelos ministros em Quito, Equador ” .
O porta-voz lembrou que as propostas deveriam ter sido feitas em fevereiro e que os EUA esperam que sejam feitas também ofertas para investimentos e compras governamentais, que também estavam previstas para o início do ano. ” O setor de serviços é um dos motores do crescimento na região ” , disse o porta-voz do USTR.
Desde o fracasso da reunião do Comitê de Negociação Comercial (CNC) em Trinidad Tobago, os EUA endureceram na negociação com o Brasil e, embora não admitam melhorar ofertas para a agricultura, estão pressionando pela inclusão dos setores que o Brasil propôs retirar.
O boletim americano ” Inside US Trade ” informou na sexta-feira que uma das propostas feitas pelo embaixador brasileiro Adhemar Bahadian, co-presidente da Alca, aos EUA foi a divisão da negociação da Alca em duas fases. A primeira terminaria em 2005 com um acordo mínimo, que excluiria tanto subsídios agrícolas quanto investimentos e compras governamentais, segundo declarações de Bahadian ao boletim. A segunda fase viria depois de 2005, com a inclusão dessas discussões. O co-presidente americano da Alca, Peter Allgeier, ainda não respondeu à proposta brasileira, mas disse na semana passada durante a visita ao Brasil que a Alca poderá ser criada mesmo sem a presença do país. Procurado pelo Valor, Bahadian estava em trânsito entre Brasília e Buenos Aires na sexta-feira.
Outra proposta brasileira, de comprometimentos diferentes de cada país com a Alca, já havia sido rechaçada pelos EUA na reunião de Trinidad Tobago. Depois da falta de acordo entre os co-presidentes da Alca, deve ser marcado em breve o encontro entre o USTR Robert Zoellick e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O vice-secretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Roger Noriega, disse numa entrevista na sexta-feira acreditar que o governo brasileiro está comprometido com o processo de negociação da Alca. Noriega defendeu o acordo num contexto multilateral. ” Os acordos bilaterais não são ideais em alguns casos e podem deixar espaços vazios, e por isso os EUA estão comprometidos com um acordo multilateral ” , disse Noriega. ” Estamos continuando nossas conversas com os brasileiros para saber como prosseguir. Acho que há um reconhecimento de que devemos fazer tudo o que podemos para chegar a um acordo regional. ”
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