Estadão – MARCELO REHDER e PATRÍCIA CAMPOS MELLO
A produção da indústria paulista deu um salto no mês passado, impulsionada pelas encomendas do comércio para o fim de ano. Levantamento divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que o Indicador do Nível de Atividade (INA), que mede o desempenho das empresas do setor, cresceu 6% em relação a agosto. Na comparação com setembro do ano passado, o aumento foi de 5,5%. Foi o terceiro mês consecutivo de expansão da produção industrial em São Paulo.
De acordo com a diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Messer, o crescimento da produção no mês passado foi favorecido ainda pelo aumento da produção de bens de consumo duráveis para atendimento do mercado doméstico, principalmente de automóveis e aparelhos eletroeletrônicos da linha de imagem e som. Além disso, as exportações mantiveram o ritmo de crescimento do primeiro semestre. No geral, as vendas do setor cresceram 5,7%, na comparação com agosto, e 4,4% em relação a setembro, já descontada a inflação do período.
“O varejo foi cauteloso e atrasou o mais que pôde o envio dos pedidos de Natal, para reduzir o risco de virar o ano com estoques em níveis indesejados”, diz Clarice. No ano passado, os lojistas adotaram a mesma estratégia, por causa das incertezas eleitorais.
A forte expansão da atividade industrial em setembro fez a Fiesp rever a projeção de resultado do setor para o ano. Até o mês passado, Clarice previa retração de 1% a 1,5% na produção este ano, comprada com a de 2002. Agora, ela já espera estabilidade ou, no máximo, queda de 1%. Mas o resultado final pode surpreender. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o INA está no zero a zero na comparação com igual período de 2002. Para outubro e, possivelmente, novembro, no entanto, a expectativa na Fiesp é de novo crescimento do INA.
Termômetro – No mês passado, todos os 11 segmentos da indústria acompanhados pela Fiesp apresentaram crescimento em relação a agosto (ver quadro). Os dados captados pela entidade já foram sentidos no caixa das empresas. Na Dixie-Toga, maior fabricante de embalagens flexíveis da América Latina, a produção para o mercado interno cresceu entre 5% e 6% em relação ao segundo semestre. Mas, segundo o presidente da empresa, Walter Schalka, esse aumento ainda não é significativo. “Esperávamos que o crescimento sazonal fosse maior, de 10% a 11%, porque o primeiro semestre foi muito fraco”, diz Schalka. “Mas muitos clientes ainda estão com estoques altos.”
A Dixie Toga produz embalagens principalmente para bens não-duráveis, como alimentos e artigos de higiene. O setor é considerado um termômetro da atividade econômica. “A recuperação foi mais forte no setor de bens duráveis”, diz Schalka. Mesmo assim, alguns bens mostram uma recuperação mais rápida. “Enquanto as embalagens para produtos mais básicos, como margarina e creme dental, aumentam, as de iogurte continuam na mesma.”
Já a área de exportação da empresa – tanto as embalagens fornecidas para exportadores, como aquelas vendidas diretamente no exterior – não decepcionou. “O aumento na produção chegou a 30%”, diz Schalka.
Transição – A Ápice, uma fabricante de embalagens de pequeno porte de São Caetano do Sul, com 90 funcionários, está experimentando um crescimento de 10% nas vendas para o mercado interno.
“Notamos uma melhora no setor alimentício, mas crescemos também porque estamos roubando participação de outras indústrias, oferecendo preços mais baixos”, diz Reinaldo Wosniak, presidente da Ápice.
Para a diretora da Fiesp, a economia brasileira vive um período de transição. “Estamos passando de um ano capitaneado pelas exportações para um período em que a atividade será determinada pela expansão do mercado doméstico”. Na sua avaliação, o espaço para aumento das vendas externas brasileiras será mais restrito em 2004. O crescimento no mercado interno, no entanto, ainda é considerado por ela uma incógnita. “Vai depender da recuperação do poder de compra da população e da maior oferta de crédito.”
Notícias recentes
- Governo Lula vai registrar a menor inflação da história, diz Haddad
- Trabalhador se mantém na luta coletiva, aponta pesquisa, segundo Sérgio Nobre
- Congresso aprova Orçamento para 2026
- Após adiamentos, Banco Central desiste de regular Pix Parcelado
- Bolsa supera os 164 mil pontos e bate terceiro recorde seguido
Comentários
Por Mhais• 29 de outubro de 2003• 11:54• Sem categoria
FIM DE ANO ELEVA PRODUÇÃO INDUSTRIAL EM 6%
Estadão – MARCELO REHDER e PATRÍCIA CAMPOS MELLO
A produção da indústria paulista deu um salto no mês passado, impulsionada pelas encomendas do comércio para o fim de ano. Levantamento divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que o Indicador do Nível de Atividade (INA), que mede o desempenho das empresas do setor, cresceu 6% em relação a agosto. Na comparação com setembro do ano passado, o aumento foi de 5,5%. Foi o terceiro mês consecutivo de expansão da produção industrial em São Paulo.
De acordo com a diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Messer, o crescimento da produção no mês passado foi favorecido ainda pelo aumento da produção de bens de consumo duráveis para atendimento do mercado doméstico, principalmente de automóveis e aparelhos eletroeletrônicos da linha de imagem e som. Além disso, as exportações mantiveram o ritmo de crescimento do primeiro semestre. No geral, as vendas do setor cresceram 5,7%, na comparação com agosto, e 4,4% em relação a setembro, já descontada a inflação do período.
“O varejo foi cauteloso e atrasou o mais que pôde o envio dos pedidos de Natal, para reduzir o risco de virar o ano com estoques em níveis indesejados”, diz Clarice. No ano passado, os lojistas adotaram a mesma estratégia, por causa das incertezas eleitorais.
A forte expansão da atividade industrial em setembro fez a Fiesp rever a projeção de resultado do setor para o ano. Até o mês passado, Clarice previa retração de 1% a 1,5% na produção este ano, comprada com a de 2002. Agora, ela já espera estabilidade ou, no máximo, queda de 1%. Mas o resultado final pode surpreender. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o INA está no zero a zero na comparação com igual período de 2002. Para outubro e, possivelmente, novembro, no entanto, a expectativa na Fiesp é de novo crescimento do INA.
Termômetro – No mês passado, todos os 11 segmentos da indústria acompanhados pela Fiesp apresentaram crescimento em relação a agosto (ver quadro). Os dados captados pela entidade já foram sentidos no caixa das empresas. Na Dixie-Toga, maior fabricante de embalagens flexíveis da América Latina, a produção para o mercado interno cresceu entre 5% e 6% em relação ao segundo semestre. Mas, segundo o presidente da empresa, Walter Schalka, esse aumento ainda não é significativo. “Esperávamos que o crescimento sazonal fosse maior, de 10% a 11%, porque o primeiro semestre foi muito fraco”, diz Schalka. “Mas muitos clientes ainda estão com estoques altos.”
A Dixie Toga produz embalagens principalmente para bens não-duráveis, como alimentos e artigos de higiene. O setor é considerado um termômetro da atividade econômica. “A recuperação foi mais forte no setor de bens duráveis”, diz Schalka. Mesmo assim, alguns bens mostram uma recuperação mais rápida. “Enquanto as embalagens para produtos mais básicos, como margarina e creme dental, aumentam, as de iogurte continuam na mesma.”
Já a área de exportação da empresa – tanto as embalagens fornecidas para exportadores, como aquelas vendidas diretamente no exterior – não decepcionou. “O aumento na produção chegou a 30%”, diz Schalka.
Transição – A Ápice, uma fabricante de embalagens de pequeno porte de São Caetano do Sul, com 90 funcionários, está experimentando um crescimento de 10% nas vendas para o mercado interno.
“Notamos uma melhora no setor alimentício, mas crescemos também porque estamos roubando participação de outras indústrias, oferecendo preços mais baixos”, diz Reinaldo Wosniak, presidente da Ápice.
Para a diretora da Fiesp, a economia brasileira vive um período de transição. “Estamos passando de um ano capitaneado pelas exportações para um período em que a atividade será determinada pela expansão do mercado doméstico”. Na sua avaliação, o espaço para aumento das vendas externas brasileiras será mais restrito em 2004. O crescimento no mercado interno, no entanto, ainda é considerado por ela uma incógnita. “Vai depender da recuperação do poder de compra da população e da maior oferta de crédito.”
Deixe um comentário