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STEPHANES DIZ QUE BALANÇO DO BANESTADO ERA “MAQUIADO”

Tudo Paraná
Atual secretário de Administração do Paraná afirma que banco registrava prejuízo diário de R$ 2 milhões
Curitiba – Sentado ao lado dos deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o Banestado (CPI do Banestado) na Assembléia Legislativa, o ex-presidente do banco, Reinhold Stephanes – atual secretário de Administração do Paraná –, afirmou ontem em depoimento que os balanços do banco eram “maquiados e irregulares”, além de apresentarem prejuízos diários. De acordo com ele, os balanços não apresentavam a realidade da instituição financeira.
Stephanes assumiu a presidência do banco em 1999, após ter sido convidado pela segunda vez pelo então governador Jaime Lerner. “Registrei, em artigos publicados pelos jornais, minha indignação quanto às fraudes e irregularidades que ocorreram no banco. O desrespeito era geral, os funcionários tinham perdido sua auto-estima e o balanço apresentava um prejuízo diário de cerca de R$ 2 milhões, isto só em operações inter-bancárias. Os balanços eram atrasados, irregulares e maquiados.”
O ex-presidente do banco completou a declaração afirmando que em seu período de gestão nenhuma irregularidade foi cometida. “Quando entreguei o cargo, o banco estava trabalhando em plena capacidade, apresentava lucro e perspectivas futuras muito boas.”
Reinhold Stephanes disse ainda aos deputados que não participou da comissão de licitação que definiu a venda do Banestado e que não teve influência na avaliação do banco. No entanto, o então vice-presidente, José Evangelista de Souza, e o ex-diretor financeiro Waldemar Dante Borgado fizeram parte da comissão, indicados por Stephanes.
O ex-presidente revelou que as relações que mantinha com o então governador, Jaime Lerner, e o então secretário de Estado da Fazenda, Giovani Gionédis, “eram relativamente tensas”.
“Ao primeiro secretário de Lerner que foi fazer pedidos, eu disse que a festa havia acabado. Também tivemos divergências quanto ao cronograma de privatização. Eu defendia que fosse após a venda do Banespa (Banco do Estado de São Paulo).”
Perguntado sobre a recomendação do Banco Central (BC) de que era necessário fazer um ajuste no balanço do Banestado no valor de R$ 954 milhões, bem como de que a situação do patrimônio líquido era negativa em R$ 1,431 bilhão, já em 31 de dezembro de 1997, Stephanes afirmou que os ajustes foram efetuados “sempre com a mais absoluta concordância do Banco Central”.
Mesmo sabendo que fazer alterações de resultado de exercício passado é crime, Stephanes disse que nenhum lançamento foi feito antes de “exaustivas” discussões com fiscais do BC e até mesmo com o Tribunal de Contas do Estado (TC). Sobre se foi um bom negócio ter emprestado R$ 5,6 bilhões da União para vender o banco por R$ 1,6 bilhão, o ex-presidente disse que acreditava que o Banestado valia muito mais, mas quem definiu o preço foi o mercado. “Houve o leilão e o banco não valeria mais do que isso, senão teriam pago mais.”
A CPI quis saber se o Banestado foi bem avaliado, mas o ex-presidente disse que não saberia. O Bradesco, segundo ele, ficou meses com um grupo de 30 a 40 pessoas analisando todo o Banestado.
“Coloco em dúvida até onde a avaliação teve influência no preço final pago, uma vez que teve um ágio de mais de 300%. O preço mínimo era um valor de referência.”
A participação do Banco Central nesse processo foi criticada por Stephanes. “O Banco Central agiu de forma burocrática. Se houvesse uma intervenção um ano antes, o Banestado não teria chegado a essa situação.” Ele disse que chegou a falar para a diretoria do BC que todos eram culpados pela situação.

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STEPHANES DIZ QUE BALANÇO DO BANESTADO ERA “MAQUIADO”

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Atual secretário de Administração do Paraná afirma que banco registrava prejuízo diário de R$ 2 milhões

Curitiba – Sentado ao lado dos deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o Banestado (CPI do Banestado) na Assembléia Legislativa, o ex-presidente do banco, Reinhold Stephanes – atual secretário de Administração do Paraná –, afirmou ontem em depoimento que os balanços do banco eram “maquiados e irregulares”, além de apresentarem prejuízos diários. De acordo com ele, os balanços não apresentavam a realidade da instituição financeira.

Stephanes assumiu a presidência do banco em 1999, após ter sido convidado pela segunda vez pelo então governador Jaime Lerner. “Registrei, em artigos publicados pelos jornais, minha indignação quanto às fraudes e irregularidades que ocorreram no banco. O desrespeito era geral, os funcionários tinham perdido sua auto-estima e o balanço apresentava um prejuízo diário de cerca de R$ 2 milhões, isto só em operações inter-bancárias. Os balanços eram atrasados, irregulares e maquiados.”

O ex-presidente do banco completou a declaração afirmando que em seu período de gestão nenhuma irregularidade foi cometida. “Quando entreguei o cargo, o banco estava trabalhando em plena capacidade, apresentava lucro e perspectivas futuras muito boas.”

Reinhold Stephanes disse ainda aos deputados que não participou da comissão de licitação que definiu a venda do Banestado e que não teve influência na avaliação do banco. No entanto, o então vice-presidente, José Evangelista de Souza, e o ex-diretor financeiro Waldemar Dante Borgado fizeram parte da comissão, indicados por Stephanes.

O ex-presidente revelou que as relações que mantinha com o então governador, Jaime Lerner, e o então secretário de Estado da Fazenda, Giovani Gionédis, “eram relativamente tensas”.

“Ao primeiro secretário de Lerner que foi fazer pedidos, eu disse que a festa havia acabado. Também tivemos divergências quanto ao cronograma de privatização. Eu defendia que fosse após a venda do Banespa (Banco do Estado de São Paulo).”

Perguntado sobre a recomendação do Banco Central (BC) de que era necessário fazer um ajuste no balanço do Banestado no valor de R$ 954 milhões, bem como de que a situação do patrimônio líquido era negativa em R$ 1,431 bilhão, já em 31 de dezembro de 1997, Stephanes afirmou que os ajustes foram efetuados “sempre com a mais absoluta concordância do Banco Central”.

Mesmo sabendo que fazer alterações de resultado de exercício passado é crime, Stephanes disse que nenhum lançamento foi feito antes de “exaustivas” discussões com fiscais do BC e até mesmo com o Tribunal de Contas do Estado (TC). Sobre se foi um bom negócio ter emprestado R$ 5,6 bilhões da União para vender o banco por R$ 1,6 bilhão, o ex-presidente disse que acreditava que o Banestado valia muito mais, mas quem definiu o preço foi o mercado. “Houve o leilão e o banco não valeria mais do que isso, senão teriam pago mais.”

A CPI quis saber se o Banestado foi bem avaliado, mas o ex-presidente disse que não saberia. O Bradesco, segundo ele, ficou meses com um grupo de 30 a 40 pessoas analisando todo o Banestado.

“Coloco em dúvida até onde a avaliação teve influência no preço final pago, uma vez que teve um ágio de mais de 300%. O preço mínimo era um valor de referência.”

A participação do Banco Central nesse processo foi criticada por Stephanes. “O Banco Central agiu de forma burocrática. Se houvesse uma intervenção um ano antes, o Banestado não teria chegado a essa situação.” Ele disse que chegou a falar para a diretoria do BC que todos eram culpados pela situação.

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