(São Paulo) Quase dez meses depois de festejar o então recém-empossado presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Porto Alegre, no 3ª Fórum Social Mundial, ativistas voltam a se reunir a partir desta quinta-feira em Belo Horizonte para a primeira versão exclusivamente nacional do encontro.
Apesar de os organizadores ressaltarem que o evento não será um “tribunal” de avaliação do governo nem ficará restrito à questão, o assunto certamente estará na pauta — um dos três eixos principais propostos é “O Brasil que temos e o Brasil que queremos”, ao lado de “Imperialismo” e “Movimentos Sociais”.
“Nosso objetivo é discutir o Brasil”, resumiu Dirlene Marques, coordenadora do comitê mineiro do Fórum Social Brasileiro (FSB) e presidente do Sindicato dos Economistas de Minas Gerais.
Ela afirmou que os mais de 23 mil delegados inscritos no FSB deverão se perguntar, entre outros pontos, se o governo Lula, eleito numa perspectiva de transformação do país, está realmente seguindo essa tendência.
“De fato o governo tem feito essas mudanças? Para onde ele está indo?”, afirmou Dirlene, citando algumas questões que devem ser discutidas.
Certos setores da esquerda vêm criticando a política econômica conservadora adotada pelo governo, que recebe, ao mesmo tempo, elogios do mercado financeiro. Além disso, alguns analistas ressaltam que os programas sociais do governo federal ainda não deslancharam.
Estrelas ausentes
Os organizadores acreditam que ao todo 40 mil pessoas participem dos eventos, que incluem conferências, seminários, oficinas, testemunhos, feiras e atividades culturais. O Mineirinho, com capacidade para 27 mil pessoas, reunirá a maioria das atividades.
Mesmo com a ênfase nacional do encontro — cujo slogan é “Um outro mundo é possível. Um outro Brasil é necessário” –, estarão presentes ativistas de ao menos outros 30 países, segundo a organização, principalmente da América Latina e da Europa.
A “constelação” de personalidades internacionais vista nos fóruns de Porto Alegre, no entanto, não brilhará na capital mineira. Nem mesmo o presidente Lula, atualmente em viagem à África, deverá marcar presença, como o fez nos três FSM.
O fórum brasileiro começa nesta tarde com uma marcha de abertura pelas ruas de Belo Horizonte, que terminará na praça da Assembléia, com um ato político para os quais foram convidados o prefeito petista Fernando Pimentel e o governador tucano Aécio Neves.
Com apoio dos governos municipal, estadual e federal, além de contar com universidades e organizações como parceiras, o evento termina na noite de domingo, após ao menos seis grandes conferências e 325 atividades auto-gestionadas (propostas e organizadas pelas entidades).
Ao final, deverão estar organizadas as propostas brasileiras a serem levadas ao 4ª FSM, que ocorrerá em janeiro na Índia, pela primeira vez fora do Brasil.
Muito mais que fazer uma avaliação do atual governo, o FSB quer discutir o futuro do país e fortalecer a atuação dos movimentos sociais.
“Nós elegemos um governo popular e democrático e isso foi uma conquista histórica”, disse Salete Valesan Camba, do Instituto Paulo Freire, membro do Conselho Brasileiro do FSM. “Mas o povo precisa ter uma paciência histórica para continuar a sua luta.”
Fonte: Frances Jones – Reuters
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Por Mhais• 6 de novembro de 2003• 07:35• Sem categoria
FÓRUM SOCIAL BRASILEIRO DISCUTE GOVERNO E MUDANÇAS NO PAÍS – REUTERS
(São Paulo) Quase dez meses depois de festejar o então recém-empossado presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Porto Alegre, no 3ª Fórum Social Mundial, ativistas voltam a se reunir a partir desta quinta-feira em Belo Horizonte para a primeira versão exclusivamente nacional do encontro.
Apesar de os organizadores ressaltarem que o evento não será um “tribunal” de avaliação do governo nem ficará restrito à questão, o assunto certamente estará na pauta — um dos três eixos principais propostos é “O Brasil que temos e o Brasil que queremos”, ao lado de “Imperialismo” e “Movimentos Sociais”.
“Nosso objetivo é discutir o Brasil”, resumiu Dirlene Marques, coordenadora do comitê mineiro do Fórum Social Brasileiro (FSB) e presidente do Sindicato dos Economistas de Minas Gerais.
Ela afirmou que os mais de 23 mil delegados inscritos no FSB deverão se perguntar, entre outros pontos, se o governo Lula, eleito numa perspectiva de transformação do país, está realmente seguindo essa tendência.
“De fato o governo tem feito essas mudanças? Para onde ele está indo?”, afirmou Dirlene, citando algumas questões que devem ser discutidas.
Certos setores da esquerda vêm criticando a política econômica conservadora adotada pelo governo, que recebe, ao mesmo tempo, elogios do mercado financeiro. Além disso, alguns analistas ressaltam que os programas sociais do governo federal ainda não deslancharam.
Estrelas ausentes
Os organizadores acreditam que ao todo 40 mil pessoas participem dos eventos, que incluem conferências, seminários, oficinas, testemunhos, feiras e atividades culturais. O Mineirinho, com capacidade para 27 mil pessoas, reunirá a maioria das atividades.
Mesmo com a ênfase nacional do encontro — cujo slogan é “Um outro mundo é possível. Um outro Brasil é necessário” –, estarão presentes ativistas de ao menos outros 30 países, segundo a organização, principalmente da América Latina e da Europa.
A “constelação” de personalidades internacionais vista nos fóruns de Porto Alegre, no entanto, não brilhará na capital mineira. Nem mesmo o presidente Lula, atualmente em viagem à África, deverá marcar presença, como o fez nos três FSM.
O fórum brasileiro começa nesta tarde com uma marcha de abertura pelas ruas de Belo Horizonte, que terminará na praça da Assembléia, com um ato político para os quais foram convidados o prefeito petista Fernando Pimentel e o governador tucano Aécio Neves.
Com apoio dos governos municipal, estadual e federal, além de contar com universidades e organizações como parceiras, o evento termina na noite de domingo, após ao menos seis grandes conferências e 325 atividades auto-gestionadas (propostas e organizadas pelas entidades).
Ao final, deverão estar organizadas as propostas brasileiras a serem levadas ao 4ª FSM, que ocorrerá em janeiro na Índia, pela primeira vez fora do Brasil.
Muito mais que fazer uma avaliação do atual governo, o FSB quer discutir o futuro do país e fortalecer a atuação dos movimentos sociais.
“Nós elegemos um governo popular e democrático e isso foi uma conquista histórica”, disse Salete Valesan Camba, do Instituto Paulo Freire, membro do Conselho Brasileiro do FSM. “Mas o povo precisa ter uma paciência histórica para continuar a sua luta.”
Fonte: Frances Jones – Reuters
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