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Sindicalistas aprovam a proposta e CUT vai lançar campanha nacional
O empresário Francisco Simeão, diretor da fábrica de pneus BS Colway, de Piraquara, apresentou ontem o projeto do Pacto Empresarial para o Pleno Emprego (Pepe). Adotado há pouco mais de três anos na empresa, o projeto implementa a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias de segunda-feira a sábado em troca de um aumento de produtividade de 10%, mantendo o salário do trabalhador.
A proposta, apresentada durante encontro promovido pela secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, o Pacto Empresarial para o Pleno Emprego (Pepe). O projeto foi debatido entre representantes de sindicatos e empresários. Além disso, a Secretaria do Trabalho apresentou os serviços que oferece aos empresários do estado, como a Agência do Trabalhador, e anunciou que o programa Empresa Solidária será lançado ainda este ano.
Produtividade
Para Simeão, a solução para o desemprego é a redução da jornada de trabalho e a contrapartida de uma qualificação nas horas ociosas. Na BS, que neste mês atinge a produção de 100 mil pneus, o projeto deu tão certo que a produtividade aumentou 37%.
Quando o programa foi implantado, a empresa tinha 110 funcionários. Hoje possui 425 e vai contratar mais 25 em janeiro. “Ampliamos o número de empregos pela demanda e pelo projeto”, conta.
Ele argumenta que implantar o projeto de redução de jornada é fácil, o difícil é convencer os demais empresários. “Os sindicalistas gostam, mas os empresários ainda recebem a proposta com desconfiança. Temos uma luta grande”, diz.
Confirmando o que Simeão disse, o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Paraná (CUT), Roni Anderson Barbosa, aprova a proposta. “É um modelo interessante”. Ele lembra que algumas categorias já trabalham com a redução da jornada, como os bancários. O problema, segundo ele, é que não adianta reduzir a jornada e aumentar as horas extras.
Ele diz que a CUT vai lançar no próximo dia 26 uma campanha nacional entre as centrais para a redução da jornada de trabalho. No que se refere à Reforma Trabalhista, Barbosa diz que a prioridade é a garantia de direitos mínimos e depois a luta por outros direitos.
O encontro também serviu para que a secretaria do Trabalho apresentasse alguns serviços que oferece ao empresariado. “Algumas empresas não sabem, mas nós cadastramos, indicamos o perfil e podemos ajudar a qualificar os novos funcionários”, diz.
A secretaria também quer implementar ainda este ano o programa Empresa Solidária. “O projeto dá um susto na fantástica a aviltante exclusão social”, diz o secretário. O anúncio do programa só depende da agenda de alguns ministros que querem acompanhar o lançamento.
No projeto, a empresa solidária adota uma comunidade e desenvolve ações de inclusão social, como por exemplo, ofertando cursos de qualificação profissional, alfabetização ou oferecendo estrutura para que as crianças da região tenham atividades extracurriculares no período de contraturno escolar”, explica o secretário.
O Empresa Solidária já está sendo mostrado para empresas e a receptividade está sendo muito boa. “Empresas que pensávamos que iriam assumir um bairro, estão querendo adotar quatro ou cinco”, conta.
Priscila Bueno
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