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O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) acertou ontem a liberação de até US$ 2 bilhões para o governo brasileiro investir no programa Bolsa-Família, em duas etapas.
Segundo o presidente do banco, Enrique Iglesias, a primeira parcela dos recursos estará disponível já partir de hoje, e a contrapartida do governo federal serão os recursos orçamentários previstos para a área social.
A verba poderá ser utilizada como um financiamento parcial do repasse de recursos às famílias, mas também na montagem de um sistema de monitoramento e avaliação do processo para garantir a permanente atualização do cadastro único e a sua articulação com os gestores locais do programa.
Elogios
Iglesias elogiou o programa brasileiro de complementação de renda e considerou “ambiciosa” a meta de atendimento de 3,6 milhões de famílias para o próximo ano, conforme anunciou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Com esses programas, o atendimento às metas pode ser uma realidade em 2015”, disse Iglesias, referindo-se principalmente ao objetivo de redução da pobreza pela metade, uma das metas do milênio, compromisso assumido por 189 líderes mundiais durante a Conferência do Milênio, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O presidente do BID destacou que “admira” o que está sendo feito na área social e quer acompanhar e apoiar o desenvolvimento do programa no Brasil.
O programa Fome Zero também foi destacado como um esforço do governo brasileiro para a redução da fome e da pobreza.
O presidente Lula reuniu-se com Iglesias ontem logo após participação no seminário que discute a implementação dos objetivos do milênio na América Latina e no Caribe.
Superávit
Enrique Iglesias defendeu que parte dos gastos da área social e investimentos altamente rentáveis fiquem de fora do cálculo das metas de superávit primário.
Essa é uma das principais reivindicações do Brasil e de outros países em desenvolvimento na negociação de empréstimos junto ao FMI.
Mesmo reconhecendo que a contabilidade fiscal para o cálculo do superávit primário é muito complexa, Iglesias afirmou que a área de educação, por exemplo, não deve ser considerada como um gasto, mas um investimento.
O presidente do BID disse estar esperançoso com o fato de o FMI ter criado uma comissão para analisar o assunto. Esses estudos serão acompanhados de perto pelo BID.
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