Gazeta do Povo
Empréstimos irregulares teriam sido aplicados na reeleição
Curitiba – O governador Roberto Requião acusou ontem seu antecessor, Jaime Lerner, de ter usado o Banestado para obter recursos que teriam financiado a campanha à reeleição, em 1998. Segundo Requião, o esquema, que está sendo investigado pelo Ministério Público Federal, teve a participação de um grupo de empresas que “emprestaram” suas razões sociais para a tomada de financiamentos em paraísos fiscais, feitos com aval do Banestado. O Ministério Público Federal, porém, informou, por meio da sua assessoria de imprensa, não haver indícios de que o dinheiro teria financiado a campanha do ex-governador.
Requião disse que as dívidas foram parcialmente pagas com precatórios que acarretaram prejuízos para o banco e que uma parcela ficou sem quitação. “Era seguramente uma quadrilha de ladrões”, disse Requião, referindo-se ao grupo que ocupou o governo estadual até o fim de 2002.
O governador disse não ter informações “extraordinariamente precisas” sobre os valores envolvidos nas operações. Ele falou inicialmente em R$ 10 milhões e, depois, em US$ 10 milhões. “O que não há dúvida é que esse dinheiro foi integralmente jogado na campanha eleitoral”, afirmou.
De acordo com o governador, parte das dívidas foi paga com precatórios que as empresas adquiriram no mercado paralelo por 5% do valor de face e depois repassaram ao Banestado pelo valor integral. “Quando o escândalo dos precatórios veio a público, o banco parou de aceitar os precatórios. Sobraram então alguns pagamentos da Tucuman, da Redram e da Jabur Pneus”, disse, referindo-se à Tucuman Engenharia e Empreendimentos e à Redram Construtora de Obras, ambas de Curitiba, e à Jabur Toyopar Importação e Comércio de Veículos, de Londrina.
Apesar de não ter falado na entrevista pela manhã que essas mesmas empresas teriam financiado a campanha de reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, mais tarde a agência de notícias do governo fez essa denúncia. O governador afirmou que duas das empresas, a Redram, que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, e a Tucuman aparecem como doadoras no caixa-dois da campanha eleitoral de Taniguchi.
Segundo Requião, quando o atual secretário de Administração, Reinhold Stephanes, assumiu a presidência do banco, com a missão de saneá-lo, tentou cobrar as dívidas. “Os empresários disseram que não pagariam porque a dívida não era deles. Tinham apenas emprestado as razões sociais”, disse.
O governador lembrou que desde 1998 denuncia essas operações. “Mas curiosamente jamais encontrei eco na imprensa. Ele disse que pediu ao Ministério Público rigor nas investigações porque, até agora, somente o ex-diretor de câmbio do Banestado, Gabriel Pires Neto, está preso.
Lorena Aubrift Klenk
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