Gazeta do Povo
Trabalhadores pedem redução de jornada e reajuste de 10,7% nos vencimentos
Metalúrgicos de várias indústrias de Curitiba e região voltaram a paralisar suas atividades ontem, como parte da campanha salarial de 2003. Dirigentes dos sindicatos patronais e de trabalhadores vão se reunir hoje, às 9 horas, para discutir as reivindicações salariais da categoria, na sede do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal).
Ontem, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, os funcionários de empresas como Bosch, Case New Holland, Mollins e Metapar paralisaram suas atividades por uma hora. Os trabalhadores da Trox entraram em greve por tempo indeterminado, enquanto os funcionários da New Hübner, que haviam entrado em greve pela manhã, voltaram a trabalhar à tarde depois de aprovarem a proposta patronal.
Os metalúrgicos pedem aumento real de salários de 10,7%, reposição integral da inflação pelo INPC para todos os trabalhadores, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, piso salarial de R$ 650, garantia do pagamento da multa de 40% do FGTS em caso de demissão de trabalhadores aposentados, implantação de programas de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) e custeio de tratamentos de acidentes e doenças do trabalho.
Roberto Sotomaior Karam, presidente do Sindimetal/PR, sindicato patronal, disse ontem que vê com estranheza a paralisação dos metalúrgicos. Ele diz não entender o motivo pelo qual o sindicato dos trabalhadores quer negociar empresa por empresa, se o sindicato patronal está conversando com a categoria em nome de todas as indústrias.
Karam afirma que dificilmente as indústrias terão condições de conceder aumento real de 10,7% aos metalúrgicos diante do quadro recessivo enfrentado ao longo deste ano. Ele lembra que, em junho, a categoria conseguiu uma antecipação de 11%. As empresas já teriam atingido o limite de possibilidade de pagamento.
A New Hübner fechou acordo com os funcionários na tarde de ontem. A empresa concederá reajuste de 17%, dividido em duas parcelas, sendo 15% a partir de 1.º de dezembro e 2% em 1.º de julho de 2004. A indústria, que tem 900 empregados e produz peças automotivas para diversas marcas, aumentará o piso de R$ 440 para R$ 600. A empresa promete também reduzir a jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais em janeiro de 2004.
Mirian Gasparin
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