Novos Companheiros – 01/12/2003
METALÚRGICOS: Feijóo conseguiu um reajuste de 18%
O ano de 2003 foi marcado pelo baixo crescimento e o alto desemprego. Um cenário ruim para a economia, mas pior ainda para os sindicalistas. Nos últimos meses, porém, algumas negociações trouxeram à luz acordos em que os ganhos salariais superaram a inflação. Por trás deles, há uma nova safra de lideranças sindicais que ainda têm o presidente Lula como modelo, mas que, de certa forma, trocaram a ideologia pelo pragmatismo. Assumem o lado assistencialista, como forma de prestar serviços e garantir adesões, e negociam de forma profissional com os empresários, em busca de resultados efetivos. Além disso, os sindicalistas estão também se preparando para ganhar fôlego financeiro depois das oportunidades abertas pelo governo. Uma delas é a intermediação dos empréstimos com desconto em folha de pagamento. “A ligação entre o trabalhador e o líder sindical era ideológica”, explica Luiz Inácio Barbosa, sócio da consultoria trabalhista Sussekind. “Hoje, quem procura um sindicato também quer resolver problemas concretos, como crédito, formação profissional e até previdência.”
Dentro desse raciocínio, um nome que se destaca é José Lopez Feijóo, um espanhol de 53 anos que preside o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista. Após uma batalha que durou quase todo o mês de outubro, Feijóo conseguiu um invejável reajuste frente às poderosas montadoras: 18,01%, com ganho real de 2%. “De início, elas não queriam dar nem a inflação”, lembra. Depois de quatro rodadas com as lideranças patronais em que pouco se avançou, ele partiu para uma tática distinta: optou por negociar com cada empresa em separado, minando a união das montadoras. A Scania, que vinha exportando e produzindo mais, foi a primeira a aceitar os reajustes. Abriu o precedente. No fim, mesmo as que enfrentavam dificuldades, como a Volks, viram-se forçadas a dar o reajuste. Feijóo fez carreira sindical na CUT e sucedeu a Luiz Marinho, atual presidente da Central, no sindicato dos metalúrgicos. Foi Feijóo quem comandou a criação das cooperativas Metalcred, que empresta dinheiro a juros mais baixos, e Unisol, que ajuda desempregados da região.
QUÍMICOS: Acordo deu a Danilo o maior aumento do ano
Outro dirigente sindical que conseguiu um reajuste polpudo num ano de redução na renda do trabalhador foi Danilo Pereira, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de São Paulo. Obteve 20% para o setor do álcool. “Foi a melhor negociação do ano”, diz. O reajuste foi conseguido graças à relação de cumplicidade entre empregados e empregadores. Há três anos, os químicos entraram numa crise sem precedentes e, para evitar quebradeira e perda de empregos, não houve aumentos. A recompensa veio em 2003. “Tivemos paciência e agora recebemos nossa parte”, comemora Danilo. Nascido em Presidente Epitácio (SP), Danilo, 50, é um tipo calado que, segundo ele mesmo, “gosta mais de ouvir que falar”. A risada que freqüentemente escapa da boca esconde a origem difícil. “Fui muito pobre, não conheci meus pais e os que me criaram já faleceram”, diz, com simplicidade de quem tem o futebol e o jogo de truco como grandes diversões.
COMERCIÁRIOS: Patah quer regularizar o trabalho aos domingos
A história de Ricardo Patah, 50, é bem diferente. Na verdade, pode se dizer que em nada a trajetória do atual presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de São Paulo se parece com a de qualquer outro dirigente sindical. Nascido na capital paulistana, em uma família de classe média alta, Patah estudou em colégios da elite até ser aceito no curso de Administração de Empresas da PUC. “Sofri preconceito no meio sindical pela minha origem”, diz, ajustando os óculos Armani. Ele ganhou notoriedade recentemente por sua briga contra o trabalho aos domingos. “Abrindo ou não aos domingos, as vendas são as mesmas, logo o funcionário ganha o mesmo”, explica. Com a fama de duro nas negociações, ele quer arrancar um reajuste de 20% em dezembro e reduzir a jornada de trabalho. Patah, que ainda é tesoureiro da Força Sindical, atua também à frente do ForçaPrev, o fundo de previdência complementar da entidade, que espera a adesão de 26 mil pessoas em um ano. Patah fala com orgulho das iniciativas sociais do sindicato, como a cooperativa que construiu quatro prédios na periferia de São Paulo.
BANCÁRIOS: Vagner fez greve para triunfar
Outro sindicalista durão é Vagner Freitas, que, em outubro, conduziu as grandes greves dos bancos públicos. “Foi a primeira greve massificada que tivemos desde 1991”, explica o presidente da Confederação Nacional dos Bancários. “Conseguimos um reajuste igual para os trabalhadores de bancos públicos e privados”, comemora. Normalmente, aqueles de bancos públicos tinham reajustes menores. Os aumentos foram de 12,6%, acrescidos de um abono de R$ 1.500 e participação nos lucros. No final das contas, um bancário com salário médio de R$ 2.250 terá um aumento real de 2%. “As negociações são difíceis. Apesar dos lucros formidáveis, os banqueiros não amenizam”, explica Vagner. Ele, que largou o curso de História, quer retomar os estudos. Espera seguir o exemplo do deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, que acaba de obter seu diploma superior.
Link da reportagem:
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/
Fonte: Renato Mendes – IstoÉ Dinheiro
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