LARISSA FÉRIA
ELLEN NOGUEIRA
do Agora
Boa notícia para o país: a expectativa de vida passou de 70,7 anos, em 2001, para 71 anos no ano passado. Agora vem a bomba para quem vai se aposentar no ano que vem: por conta da população vivendo mais, o INSS recalcula o valor dos benefícios para baixo. De acordo com o especialista em Previdência Renato Follador, a queda no valor das aposentadorias será de 6,5%.
Mas, se o trabalhador quiser o seu benefício integral, terá de trabalhar mais dois anos, na comparação com os números deste ano, de acordo com o Ministério da Previdência.
A pedido da reportagem, Follador fez uma tabela de como deve ficar o cálculo da aposentadoria em 2004.
Para receber a média dos 80 maiores salários de contribuição (até o teto de R$ 1.869,34), o trabalhador terá de ter em 2004 60 anos de idade e 38 de contribuição ou 62 anos de idade e 36 de contribuição –hoje são dois anos a menos (aplicados na idade ou na contribuição).
Tudo isso ocorre porque o fator previdenciário –redutor nas aposentadorias que o governo usa– muda. Esse número depende da expectativa de vida população _quanto maior, mais redutor deve se usar.
O objetivo é fazer com que as pessoas não se aposentem cedo ou com pouco tempo de contribuição –se ela fizer isso pode perder até 70% da sua aposentadoria.
O cálculo é um pouco complicado, mas a reportagem mostra quanto é o redutor e como usá-lo a partir do ano que vem. Para saber quanto seria sua aposentadoria integral, sem o redutor, a primeira coisa é calcular é a média dos últimos 80 maiores salários recebidos desde 1994.
“O fator previdenciário é sinônimo de redutor das aposentadorias e prejudica, principalmente, quem começou a trabalhar cedo por necessidade”, afirmou o advogado especialista em Previdência Wagner Balera.
O fator é alterado todo ano, com base nos dados do IBGE. Uma das propostas do governo é incluir o redutor para os funcionários públicos, na reforma da Previdência. “O grande objetivo é que o governo arrecade mais e tenha como pagar os aposentados. Seria um desequilíbrio se todos pagassem por pouco tempo e se aposentassem cedo”, comentou Renato Follador, um dos especialistas que elaborou a tese do redutor. “Quem trabalha mais, ganha mais”, afirmou.
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