Gazeta do Povo
Ninguém deu lance de R$ 2,5 milhões pedido no primeiro leilão
O histórico prédio do Banestado na Marechal Deodoro, em Curitiba, que por 56 dias ficou ocupado por um grupo de sem-teto, está à venda. No último sábado, ele foi levado à leilão, mas ninguém se habilitou a pagar o lance mínimo de R$ 2,5 milhões. Até meados deste mês, porém, segundo o gerente do leiloeiro oficial, Valdir Antônio Nogueira, estão sendo aceitas propostas. “É possível que neste período apareçam interessados”, disse, acrescentando que, apesar de o imóvel ter servido de abrigo para um número variando entre 40 e 70 sem-teto, ele encontra-se em boas condições de conservação.
Um novo leilão de imóveis do Grupo Itaú – que comprou o Banestado e mantêm algumas agências e imóveis sob a administração do banco paranaense, como o prédio da Marechal – está marcado para o próximo dia 20. Os responsáveis pelo leilão consideram remota, porém, a possibilidade de inclusão do imóvel histórico neste próximo processo. “Os investidores geralmente contam com um novo leilão para que o preço do imóvel seja reduzido, mas isso não deve acontecer”, disse Valdir.
Ao todo, 99 imóveis do Itaú foram a leilão em Curitiba, no último fim de semana. Entre as construções vendidas está um prédio situado na esquina da Rua XV de Novembro com Avenida Marechal Floriano, arrematado por R$ 1,130 milhão. Boa parte dos imóveis oferecidos, porém, não teve compradores, havendo ainda a possibilidade de venda por meio de propostas que obedeçam as regras do leilão. A maior parte das construções são casas, apartamentos e terrenos que não tiveram o financiamento pago e voltaram para o banco.
Patrimônio
O prédio da Marechal teve sua fachada tombada pelo Patrimônio Histórico. Por isso, ele apresenta algumas restrições de uso. Segundo Suely Hass, presidente da Comissão de Avaliação do Patrimônio Cultural de Curitiba, para que algum estabelecimento comece a funcionar numa Unidade de Interesse de Preservação é necessário um parecer da comissão.
Em geral, as limitações de uso estão relacionadas à análise compatibilidade da atividade com o imóvel e às condições da edificação. “Se é necessária alguma mudança no prédio, é sinal de que ele não é compatível para aquele fim. Da mesma forma, se ele está muito deteriorado ou passou por mudanças não autorizadas, o alvará não é concedido até que o restauro seja feito”, informou.
Segundo Suely, quando o imóvel está sujeito a algum tipo de interferência do estado – como prédios tombados pelo Patrimônio Histórico do Estado – a avaliação também é feita pelo Secretaria de Cultura do Paraná. Da mesma forma, em algumas situações é necessário parecer do Patrimônio Cultural do Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba).
Andréa Morais
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