Gazeta do Povo
Dólar fica estável à espera de captação externa pelo governo federal
São Paulo (das agências) – O Ibovespa subiu 0,40% e fechou ontem aos 20.539 pontos, nova pontuação recorde do índice, criado em janeiro de 1968. Os negócios totalizaram R$ 943,5 milhões, um pouco acima do giro da véspera (R$ 932 milhões).
O destaque do dia foi a ação PN da Embraer, que avançou 4,9%, para R$ 22,99. A empresa confirmou que receberá US$ 1,8 bilhão do BNDES para financiar as exportações em 2004 e reafirmou as metas de entrega de aviões (160 em 2004 e 170 em 2005).
A maior queda foi da ação ON da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), que caiu 2,9%, para R$ 132,90. Hoje o banco americano Bear Stearns rebaixou os papéis da empresa, da Gerdau (-0,25%, a R$ 50,75) e Usiminas (-1,62%, a R$ 28,53).
Em relatório, a instituição citou que essas ações já subiram demais e que os preços do aço brasileiro podem sofrer em 2004 com a produção da China. Além disso, uma alta do juro nos Estados Unidos pode causar uma fuga de capital e afetar as ações brasileiras.
Nos três pregões do mês, o Ibovespa já acumula ganhos de 1,7%. No ano, os ganhos atingem 82,2%.
Ontem, houve eleição para renovar parte do conselho de administração da Bolsa. O presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, será reeleito para a gestão de 2004. Ele está no cargo desde 2001. O resultado colocou fim aos recentes boatos de que ele seria substituído pelo presidente da recém-criada Bolsa de Valores Sociais (BVS), Álvaro Augusto Vieira Vidigal, da corretora Socopa.
Dólar estável
O dólar fechou quase estável. Terminou o dia vendido a R$ 2,934, uma leve alta de 0,03%. A sessão foi tranqüila. A divisa operou bem perto de R$ 2,93, valor considerado como novo piso da moeda. Na mínima, o dólar caiu 0,23%, a R$ 2,926. Mas chegou a subir até 0,30%, a R$ 2,942.
A entrada de recursos externos inibiu uma pressão das compras de divisas feitas pelas empresas e bancos para pagar dívidas e reforçar caixa, além das aquisições de moeda pelo Banco do Brasil, em nome do Tesouro Nacional. O risco-país em torno de 500 pontos reduz os custos da tomada de empréstimos no exterior.
Ontem, duas captações externas foram fechadas: Brascan Imobiliária (US$ 40 milhões) e Banco Votorantim (US$ 120 milhões). Ainda estão “namorando” com os investidores para a venda de bônus a Petrobrás (US$ 500 milhões), a Telemar (US$ 300 milhões), Unibanco (US$ 200 milhões) e o ABN Amro Bank (US$ 50 milhões).
Com a “enxurrada” de captações privadas, na última rodada do ano no mercado de títulos da dívida, operadores voltaram a falar em um novo lançamento de bônus pelo governo Lula, que seria a sexta operação deste ano.
“Não há certeza entre os bancos se haverá mesmo a captação externa da República”, disse o gerente da mesa internacional da corretora Liquidez, Cláudio Riveros.
Mas operadores comentaram que os bônus devem ter prazo de 15 anos e não está descartada a realização de uma troca de títulos antigos por novos.
A última emissão da República foi realizada no dia 15 de outubro, quando o Tesouro Nacional vendeu US$ 1,5 bilhão em papéis com vencimento em outubro de 2010.
Desde o mês passado, comenta-se que o governo poderia aproveitar as condições favoráveis de liquidez internacional para vender mais títulos da República. Chegou-se a falar que a nova captação seria em euro e superior a US$ 1 bilhão.
Nesta semana, os operadores também voltaram a citar uma eventual operação de recompra ou troca de títulos da dívida externa, quando o C-Bond, principal papel do país, encostou em 98% do valor de face na última segunda.
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