Gaxeta do Povo
PREVIDêNCIA SOCIAL-INSS recalcula o fator previdenciário com base no estudo de expectativa de vida
Trabalhador terá de permanecer mais tempo na ativa se quiser manter os benefícios
Curitiba – O aumento da expectativa de vida do brasileiro irá reduzir os benefícios pagos aos futuros aposentados. A Previdência Social refez os cálculos do fator previdenciário na noite de terça-feira, e mostrou que, para os futuros aposentados, será necessário trabalhar mais para manter os mesmos benefícios que seriam concedidos antes do novo cálculo.
A Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na terça-feira que a expectativa de vida do brasileiro passou de 70,7 anos em 2001 para 71 anos em 2002. Esse aumento implica em a Previdência pagar benefícios por mais tempo. Para equilibrar as suas contas, ela utiliza o fator previdenciário, uma fórmula criada em 1998 e em uso desde 1999. O fator leva em consideração no cálculo do benefício o tempo de contribuição, a idade e a expectativa de vida do segurado. O cálculo permite perceber que quem contribui por mais tempo recebe um benefício maior, e reduz o de quem se aposenta antes.
Renato Follador, consultor em Previdência e membro da equipe que criou o fator previdenciário, explica que o recurso foi criado para equilibrar a quantidade de aposentadorias com a quantidade de contribuições feitas pelos trabalhadores. “O aumento na expectativa de vida implica mais anos da pessoa recebendo a aposentadoria, por isso a necessidade do fator”, comenta Follador.
Mais trabalho
O consultor afirma que todas as faixas de idade deverão trabalhar mais para ganhar o mesmo benefício que receberiam antes do novo cálculo. “Isto era previsível e sempre existirá, enquanto houver o aumento das expectativas de vida da população”, explica Follador. A outra opção, segundo ele, seria o trabalhador se aposentar recebendo um benefício menor. Uma nota divulgada pelo Ministério da Previdência Social diz que “se não houver o ajuste dos benefícios à real expectativa de vida, o curso será assumido pelo Orçamento Federal, em detrimento dos programas sociais e demais despesas da União, ou na forma de aumento da carga tributária”. Na mesma nota, o Ministério afirmou que os benefícios que estão sendo pagos não serão afetados.
Deixe um comentário