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LULA CRITICA BUSH E DIZ QUE A GUERRA DO IRAQUE É UM ERRO

FERNANDO RODRIGUES
enviado especial da Folha de S.Paulo ao Cairo

No dia em que chegou a Trípoli para se encontrar com o líder líbio, coronel Muammar Gaddafi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma crítica ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao discursar durante um almoço para os representantes dos 22 países da Liga dos Estados Árabes, a maioria composta por líderes antiamericanos.

“O presidente fez seu melhor discurso. Disse, fazendo uma análise, que o ano eleitoral nos EUA em 2004 dificulta ou impede que o presidente Bush reconheça o erro no Iraque. Mas o presidente falou que não quer confrontação. Deixou claro que o Brasil deseja continuar a transacionar com os EUA e que entende que os outros países também façam isso” disse o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PPS), que integra a delegação brasileira e participou do almoço, na sede da Liga dos Estados Árabes, no Cairo, Egito.

O “erro” de Bush, na interpretação de Hartung sobre a declaração de Lula, seria sobre o início da guerra por causa das supostas armas de destruição de massa, que nunca foram encontradas.

A Folha ouviu o mesmo relato do discurso de Lula de outras cinco pessoas que estiveram no almoço. Foi uma declaração espontânea do presidente. Embora o conteúdo seja crítico aos EUA, todos os interlocutores consultados pela reportagem falam que Lula não teve a intenção de confrontar os EUA. “Ele deixou claro que não deseja criar conflitos”, disse José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras, que estava no almoço.

Depois de fazer sua observação sobre Bush, mas não necessariamente sobre o que classificou de erro do norte-americano, Lula falou aos integrantes da Liga Árabe que é muito difícil para um político admitir algum equívoco e recuar. “Poucos têm essa capacidade”, disse, segundo o relato.

Geografia política

Esse almoço ocorreu logo depois de o presidente ter discursado numa sessão plenária da liga, onde estavam presentes embaixadores e ministros da área social dos 22 países da organização. Já na sua fala pública, Lula fez enfática defesa do restabelecimento de relações mais próximas entre a América do Sul e o mundo árabe.

No início de sua viagem internacional, o presidente falava em “redesenhar a geografia comercial”. Agora, ampliou sua aspiração para uma “nova geografia política e comercial do mundo”.

Depois de citar vários países que visitou neste ano, especialmente na América do Sul e na África, Lula disse estar ali para transmitir, pessoalmente, o “genuíno interesse em ter, com os países árabes, um relacionamento mais forte”. No plenário, estavam ministros da área social dos países da liga.

Foi uma espécie de repetição mais agressiva daquilo que Lula já havia dito nos primeiros países que visitou no mundo árabe –Síria, Líbano e Emirados Árabes Unidos. Ontem, depois do Egito, chegou no final do dia à Líbia.

Antes de discursar, Lula foi apresentado pelo secretário-geral da liga, Amr Mussa, um político popular em toda a região por ter sido chanceler egípcio no passado. “O Brasil tem um peso político e econômico enorme”, disse Mussa, que citou o fato de haver uma comunidade de cerca de 10 milhões de descendentes de árabes no Brasil. Afirmou que o presidente brasileiro falaria também em nome dessa comunidade.

O presidente Lula agradeceu os elogios que recebeu de Mussa e a “admissão do Brasil como observador na Liga Árabe” –o que não é grande deferência, pois somente significa que o país poderá designar um diplomata para acompanhar as deliberações do organismo árabe.

Primeiro discurso

Lula foi o primeiro presidente latino-americano a discursar em uma sessão plenária da liga, que, no ano que vem, deve abrir uma representação em Brasília.

“Apesar da simpatia e afinidade naturais entre nossos povos, faltou a vontade política necessária para a construção de uma genuína parceria. Necessitamos intensificar nossos contatos políticos de alto nível”, disse Lula.

Seu discurso teve tradução simultânea para o inglês e, deste, para o árabe. A tradução do inglês para o árabe foi fornecida pela liga, o que evitou os erros cometidos nas fases anteriores da viagem, quando o serviço foi entregue pelo Palácio do Planalto a um profissional que não tinha experiência nesse tipo de atividade.

Ao dar a sua fala uma embocadura tanto política como comercial, Lula apresentou a seus interlocutores um discurso mais apropriado. Em toda a sua viagem, ficou claro que os países visitados pelo presidente brasileiro têm mais interesse em apoio político do que em outra coisa.

Sobre a ONU, Lula foi explícito. “O Brasil reivindica ser membro permanente do Conselho de Segurança”, declarou. Disse não ser “possível que alguns países sejam mais importantes e tenham direito a veto em coisas que a maioria aprova no Conselho”.

Os repórteres FERNANDO RODRIGUES e ALAN MARQUES viajam no avião do governo nos deslocamentos do giro internacional do presidente pelos países árabes por falta de opção de vôos comerciais para esta cobertura jornalística

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LULA CRITICA BUSH E DIZ QUE A GUERRA DO IRAQUE É UM ERRO

FERNANDO RODRIGUES
enviado especial da Folha de S.Paulo ao Cairo
No dia em que chegou a Trípoli para se encontrar com o líder líbio, coronel Muammar Gaddafi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma crítica ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao discursar durante um almoço para os representantes dos 22 países da Liga dos Estados Árabes, a maioria composta por líderes antiamericanos.
“O presidente fez seu melhor discurso. Disse, fazendo uma análise, que o ano eleitoral nos EUA em 2004 dificulta ou impede que o presidente Bush reconheça o erro no Iraque. Mas o presidente falou que não quer confrontação. Deixou claro que o Brasil deseja continuar a transacionar com os EUA e que entende que os outros países também façam isso” disse o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PPS), que integra a delegação brasileira e participou do almoço, na sede da Liga dos Estados Árabes, no Cairo, Egito.
O “erro” de Bush, na interpretação de Hartung sobre a declaração de Lula, seria sobre o início da guerra por causa das supostas armas de destruição de massa, que nunca foram encontradas.
A Folha ouviu o mesmo relato do discurso de Lula de outras cinco pessoas que estiveram no almoço. Foi uma declaração espontânea do presidente. Embora o conteúdo seja crítico aos EUA, todos os interlocutores consultados pela reportagem falam que Lula não teve a intenção de confrontar os EUA. “Ele deixou claro que não deseja criar conflitos”, disse José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras, que estava no almoço.
Depois de fazer sua observação sobre Bush, mas não necessariamente sobre o que classificou de erro do norte-americano, Lula falou aos integrantes da Liga Árabe que é muito difícil para um político admitir algum equívoco e recuar. “Poucos têm essa capacidade”, disse, segundo o relato.
Geografia política
Esse almoço ocorreu logo depois de o presidente ter discursado numa sessão plenária da liga, onde estavam presentes embaixadores e ministros da área social dos 22 países da organização. Já na sua fala pública, Lula fez enfática defesa do restabelecimento de relações mais próximas entre a América do Sul e o mundo árabe.
No início de sua viagem internacional, o presidente falava em “redesenhar a geografia comercial”. Agora, ampliou sua aspiração para uma “nova geografia política e comercial do mundo”.
Depois de citar vários países que visitou neste ano, especialmente na América do Sul e na África, Lula disse estar ali para transmitir, pessoalmente, o “genuíno interesse em ter, com os países árabes, um relacionamento mais forte”. No plenário, estavam ministros da área social dos países da liga.
Foi uma espécie de repetição mais agressiva daquilo que Lula já havia dito nos primeiros países que visitou no mundo árabe –Síria, Líbano e Emirados Árabes Unidos. Ontem, depois do Egito, chegou no final do dia à Líbia.
Antes de discursar, Lula foi apresentado pelo secretário-geral da liga, Amr Mussa, um político popular em toda a região por ter sido chanceler egípcio no passado. “O Brasil tem um peso político e econômico enorme”, disse Mussa, que citou o fato de haver uma comunidade de cerca de 10 milhões de descendentes de árabes no Brasil. Afirmou que o presidente brasileiro falaria também em nome dessa comunidade.
O presidente Lula agradeceu os elogios que recebeu de Mussa e a “admissão do Brasil como observador na Liga Árabe” –o que não é grande deferência, pois somente significa que o país poderá designar um diplomata para acompanhar as deliberações do organismo árabe.
Primeiro discurso
Lula foi o primeiro presidente latino-americano a discursar em uma sessão plenária da liga, que, no ano que vem, deve abrir uma representação em Brasília.
“Apesar da simpatia e afinidade naturais entre nossos povos, faltou a vontade política necessária para a construção de uma genuína parceria. Necessitamos intensificar nossos contatos políticos de alto nível”, disse Lula.
Seu discurso teve tradução simultânea para o inglês e, deste, para o árabe. A tradução do inglês para o árabe foi fornecida pela liga, o que evitou os erros cometidos nas fases anteriores da viagem, quando o serviço foi entregue pelo Palácio do Planalto a um profissional que não tinha experiência nesse tipo de atividade.
Ao dar a sua fala uma embocadura tanto política como comercial, Lula apresentou a seus interlocutores um discurso mais apropriado. Em toda a sua viagem, ficou claro que os países visitados pelo presidente brasileiro têm mais interesse em apoio político do que em outra coisa.
Sobre a ONU, Lula foi explícito. “O Brasil reivindica ser membro permanente do Conselho de Segurança”, declarou. Disse não ser “possível que alguns países sejam mais importantes e tenham direito a veto em coisas que a maioria aprova no Conselho”.
Os repórteres FERNANDO RODRIGUES e ALAN MARQUES viajam no avião do governo nos deslocamentos do giro internacional do presidente pelos países árabes por falta de opção de vôos comerciais para esta cobertura jornalística

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