CLAUDIA ROLLI
da Folha de S.Paulo
Com protestos e paralisações parciais em cinco capitais do país, os bancários iniciaram uma campanha nacional contra demissões no setor. A CNB-CUT (Confederação Nacional dos Bancários) estima que o número de demissões chegue a 18 mil até junho de 2004, resultado, principalmente, das fusões entre os bancos.
Levantamento da CNB em sete capitais, de janeiro até ontem, mostra que 7.155 empregados foram demitidos em quatro instituições: Bradesco, HSBC, ABN Amro Real e Santander Banespa. Em 2002, foram 13 mil em todo o setor. No dia 18, os bancários fazem paralisação nacional contra as demissões.
A Febraban (federação que reúne os bancos) informa que não há planos de reestruturação no sistema financeiro e descartou os números da CNB-CUT.
Mas, segundo os bancários, entre 1994 e 2002, o setor eliminou 190 mil postos. “Temos informação de que serão feitos mais 12 mil cortes até março de 2004, só no Bradesco. Cerca de um terço das demissões que ocorreram neste ano também foram no Bradesco”, diz o presidente da CNB, Vagner Freitas.
A assessoria do banco informou que “o Bradesco não possui programa de demissões. Os eventuais desligamentos são decorrentes de vários motivos, inclusive pedidos dos próprios funcionários”.
A CNB informou que o banco ABN Amro Real demitiu nos últimos dois dias cerca de 200 funcionários. “Com a compra do Sudameris, o ABN avisou que quer manter 24 mil em seu quadro pessoal”, diz Marcio Monzane, diretor do sindicato. Os dois bancos juntos somam 29,2 mil funcionários –o que resultaria na perda de 5.000 vagas. O ABN nega.
A assessoria do HSBC informou que as dispensas ocorreram em ritmo normal. O Santander informou que tem hoje 961 funcionários a mais do que em janeiro.
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