Gazeta Mercantil – Karla Correia
Com uma carteira de clientes ultrapassando a marca de 1 milhão de contas simplificadas, a Caixa Econômica Federal prepara-se para lançar produtos bancários voltados para o público de baixa renda. Ao comemorar a milionésima conta “Caixa Aqui”, na sexta-feira, o presidente da instituição, Jorge Mattoso, anunciou que, em 2004, o banco passará a oferecer seguros, títulos de capitalização e cartões de crédito para os correntistas da conta simplificada.
“Nós acreditamos que, além de ser uma iniciativa de cunho social, a conta simplificada é também um bom negócio”, afirmou Mattoso. “Com a melhoria que se observa no quadro econômico para o próximo ano, essa fatia da população vai aumentar a renda e demandar produtos bancários”, acrescentou o presidente da Caixa.
Popularização
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente na cerimônia de entrega do milionésimo cartão magnético do Caixa Aqui, comemorou os resultados da conta simplificada. “Há seis meses, eu duvido que tivesse alguém no Brasil, entendido de bancos, que imaginasse que fôssemos chegar a um milhão de contas”, provocou. “Estamos atendendo exatamente o povo que a gente queria atender.”
O limite rotativo pré-aprovado, de até R$ 200 e juros de 2% ao mês, pode ser considerada o primeiro produto vinculado à conta Caixa Aqui, oferecido desde o início do projeto. Até agora, esse crédito já tem 198.689 clientes aprovados (adimplentes há mais de três meses), totalizando um volume de recursos de cerca de R$ 40 milhões. Cerca de 27 mil clientes já utilizaram a linha e o saldo médio das operações é de R$ 135.
Renda abaixo de R$ 800
Os números foram avaliados por Mattoso como indicativo de uma clientela potencial para novos produtos “que, evidentemente, terão de ser adaptados à realidade desse público”. Pesquisa encomendada pela Caixa ao Instituto Vox Populi mostrou que 85,6% dos clientes da conta simplificada têm renda abaixo de R$ 800. O motivo mais citado para a abertura da conta foi a não exigência da comprovação de renda. Do total de correntistas, 71,9% não tem nenhum tipo de poupança ou dinheiro guardado, enquanto 50,6% está endividado ou pagando prestação. Do público pesquisado, 67% tinha entre 20 e 45 anos.
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