JB
Edna Simão
esimao@jb.com.br
BRASÍLIA – Os analistas de mercado estão divididos quanto à redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central esta semana. Uns acreditam que o corte será de um ponto percentual, de 17,5% para 16,5% ao ano. Outros apostam que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá diminuir os juros em 1,5 ponto percentual, para 16% ao ano. O Copom começa a se reunir amanhã e anuncia a nova taxa na quarta-feira.
Segundo o ex-diretor do BC e professor do Ibmec, Carlos Thadeu de Freitas, o Copom enfrenta um dilema. Se continuar focando a meta central de inflação para 2004, que é de 5,5%, o Copom deverá cortar os juros em um ponto percentual. Mas, a redução poderá chegar a 1,5 ponto percentual se o comitê considerar que as vendas do comércio varejista caíram, que a produção industrial está aquém do esperado e que o crescimento da economia ficará próximo de zero neste ano.
Freitas concorda com o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Alexandre Schwartsman, que afirmou recentemente que a autoridade monetária não sabe qual é o juro real (descontada a inflação) de equilíbrio, isto é, a taxa que permite que o país cresça com a inflação sob controle.
– Ninguém sabe qual é a taxa de juro real ideal – afirmou.
Para o gerente da área de câmbio da Corretora Liquidez, Francisco Carvalho, a tendência é de que o BC reduza os juros entre 1 ponto percentual a 1,5, o que, segundo ele, já está no preço dos ativos. Os contratos de DI (juros) para janeiro estavam projetando taxa de 16,43% ao ano na sexta-feira e os de julho de 2004, os mais líquidos, taxa de 15,53% ao ano.
O economista-chefe da consultoria Global Station, Marcelo de Ávila, acredita que existe espaço para uma queda de 1,5 ponto, mas acredita que o Copom reduzirá um ponto. Ele lembrou que o BC já baixou em nove pontos percentuais a Selic e que deve ser mais cauteloso.
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