KENNEDY ALENCAR
da Folha de S.Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu o último aval à expulsão dos radicais e discutiu com seus principais ministros e auxiliares a linha de defesa do governo para a reunião do Diretório Nacional do partido, que ocorreu em Brasília.
Para se preservar de ataques diretos de radicais e das críticas até dos moderados à política econômica, Lula desistiu de comparecer à reunião do diretório. A cúpula do PT o aconselhou a evitar constrangimento.
Em reunião no sábado de manhã, o ministro José Dirceu (Casa Civil) relatou a Lula reuniões do dia anterior feitas pelas alas moderadas. Nos encontros, fechou-se questão pela expulsão.
Anteontem, no encontro no Palácio da Alvorada, o presidente reafirmou seu desejo de expulsar os radicais, apesar dos apelos que recebeu em sentido contrário.
Para Lula, um eventual perdão poderia arranhar sua autoridade e a do presidente do PT, José Genoino. Na visão de Lula, abriria-se uma crise com moderados e até radicais do PT que são contra políticas do governo, mas votam a favor no plenário.
A expulsão dos radicais, na avaliação da cúpula do governo e do PT, também serve de alerta aos partidos da base. Para Lula, era importante o PT demonstrar fidelidade ao governo. Setores de partidos aliados, como PSB e PMDB, tiveram dificuldade política para votar a favor das reformas, particularmente da previdenciária.
Descompressão política
Lula também foi informado do documento da ala moderada cobrando mudanças na política econômica. Na avaliação dele, o documento serve como descompressão política: no momento em que o partido corta na carne em defesa do governo, é importante dar-lhe alguma autonomia de crítica.
Do ponto de vista prático, a crítica será pouco influente, já que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, disse na reunião do diretório que a política econômica não será alterada em seus pilares.
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