Valor
Cristiane Perini Lucchesi, De São Paulo
Catraio, do Unibanco: “Espetáculo dos empréstimos sindicalizados em 2004”
O mercado de empréstimos externos sindicalizados – nos quais vários bancos participam – deverá crescer em 2004, com a retomada do crescimento econômico, acredita o diretor do Unibanco, Carlos Catraio. E os bancos nacionais estão se preparando para uma atuação mais forte também nesse mercado, diz ele. “Com a chegada do espetáculo do crescimento, teremos também o espetáculo dos empréstimos sindicalizados”, brinca.
O Unibanco acaba de contratar Richard Bird, ex-ING, para liderar a equipe que vai realizar esses empréstimos sindicalizados, no mercado interno e externo, para seus clientes. “Já temos encomendado para 2004 um volume maior de operações do que o total que fizemos em 2003”, conta Catraio. A participação das agências de crédito à exportação e dos organismos multilaterais, como o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), vai continuar forte e necessária, acredita ele.
Atualmente, o Unibanco está liderando um desses empréstimos, à Bandeirantes Energia, no total de US$ 100 milhões, com apoio do BID. Da operação, que está para ser finalizada, deverão participar aproximadamente sete bancos, inclusive vários internacionais, estima Catraio.
As parcerias com os bancos internacionais em emissões de títulos brasileiros, inclusive do governo federal, têm ampliado a participação dos bancos de capital nacional no mercado externo. Paulo Soares, diretor-sênior de tesouraria internacional do Itaú, e Marcelo Felberg, diretor do Unibanco, contam que as duas instituições financeiras participaram ativamente de emissões do governo brasileiro até mesmo no mercado primário.
“Assim que os bancos líderes formam os grupos primários de compradores de papéis nas emissões da República, nós entramos comprando volumes expressivos para nossos clientes. Ajudamos a criar mercado para esses papéis”, explica Soares. “Nosso nível atual de atividade e performance nos permite agregar valor às emissões soberanas”, diz Felberg.
O foco dos bancos de capital nacional é a venda de papéis brasileiros. Usam a experiência e o conhecimento adquirido na venda de seus próprios títulos para lançar papéis para empresas ou bancos. Como têm ajudado a vender operações próprias mais estruturadas – como as de dívida subordinada com cobertura de risco político ou de títulos lastreados em fluxos de ordens de pagamentos dos clientes no exterior ao Brasil, as chamadas securitizações de fluxos financeiros -, os bancos nacionais acabam conhecendo um tipo de investidor mais conservador, que compra papéis considerados bons para investimento (“investment grade”) pelas agências de rating. E acabam conseguindo acessar esse mercado, de investidores institucionais mais conservadores, também para seus clientes.
Para se ter uma idéia, a base dos investidores que atuam com o Unibanco é composta 34% por clientes “private” (pessoas físicas ricas), 27% institucionais, 11% tesourarias e 28% contrapartes em outros mercados. Do total do movimento financeiro, 48% vem dos EUA, 36% da Europa e 16% da América Latina e Ásia
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