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Por 11:15 Notícias

BANCOS APOSTAM NA RETOMADA EM 2004

Gazeta Mercantil – Alessandra Bellotto
Neste ano, operações somaram US$ 4 bilhões, queda de 50%, segundo dados da Thomson. O mercado de empréstimos sindicalizados no Brasil continuou retraído neste ano, ainda como reflexo da crise pré-eleitoral ocorrida em 2002, quando o acesso ao crédito externo estava fechado até para as linhas comerciais.
No País, mais de 95% das operações de sindicalizados, que contam com a participação de um “pool” de bancos para dividir o risco (em conseqüência dos altos volumes), são denominadas em dólar. A liquidez externa que se verificou este ano foi absorvida por outros canais de captação, como por exemplo a emissão de títulos.
Para 2004, a expectativa é de melhora para os empréstimos sindicalizados. “O próximo ano será de recuperação, com um volume bem superior ao de 2003”, afirma o vice-presidente de Finanças Estruturadas do BNP Paribas, Ernesto Meyer, sem arriscar números. Segundo ele, a expansão será puxada pela maior demanda dos clientes – “o foco do mercado são as cem maiores companhias, com faturamento acima de US$ 100 milhões” – e pelo excesso de capacidade dos bancos.
“Há um estoque grande de linhas ociosas, o que levou a uma queda vertiginosa das taxas. Os preços (calculados com base na Libor) estão se aproximando dos níveis de 2000 e 2001”, diz Meyer. A recuperação da economia também exigirá mais crédito.
Levantamento da consultoria Thomson Financial Brasil mostra que o volume de recursos concedido às empresas brasileiras por meio de sindicatos de bancos ficou perto dos US$ 4 bilhões em 2003 – metade do total registrado no ano passado: US$ 8,2 bilhões (a captação via títulos privados – só para comparar – chegou a US$ 16 bilhões este ano).
“A demanda de crédito diminuiu bastante”, diz o superintendente de Finanças Corporativas do BankBoston, Marcos Soares de Camargo. O executivo acrescenta que neste ano o mercado priorizou empréstimos a companhias exportadoras.
Acompanhamento do BNP, no entanto, aponta que o mercado de empréstimos sindicalizados vinha registrando uma média anual de US$ 10 bilhões até 2001. No ano passado, segundo Meyer, o volume caiu para US$ 4,6 bilhões. Para 2003, porém, os números coincidem.
O executivo do BNP informa que os critérios do banco são mais restritos e consideram apenas operações que contam com um banco coordenador, responsável pelo grupo de bancos que participam com diferentes “status”.
Alongamento de prazos
Segundo o diretor do Unibanco, Carlos Catraio, depois de um primeiro semestre fechado, o mercado passou a viver um período de flexibilização, com o retorno de operações mais ligadas ao comércio exterior e também com a participação de organismos multilaterais, como o recém-fechado empréstimo sindicalizado de US$ 100 milhões para a Bandeirante Energia, sob o guarda-chuva do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Segundo informou a empresa, nesse caso, como há muito não se via, os recursos serão para investimento na melhoria de sua rede de distribuição.
Começaram a surgir também empréstimos sindicalizados para capital de giro, modalidade considerada de maior risco que o pré-pagamento à exportação e a primeira a ser cortada em momentos de crise. Isso, segundo Catraio, é um sinal de retomada.
Outro ponto levantado pelo diretor do Unibanco é o alongamento dos prazos. “Já há operações de cinco anos”, destaca, como um pré-pagamento à exportação para a Usiminas, no montante de US$ 135 milhões, fechado no início de novembro, e a própria operação da Bandeirante Energia.
Meyer, do BNP, explica que o mercado internacional se fechou para o Brasil em 2002, afetando inicialmente as emissões de títulos, operações que contam com recursos de investidores institucionais e private banking (pessoa física de alta renda). Ele afirma, porém, que as captações por meio de bônus foram as primeiras a retornar, com a reversão das expectativas no cenário interno. “As linhas de empréstimos sindicalizados demoraram mais para se fechar. Mas, a retomada está mais lenta.”
O executivo do BNP afirma ainda que o mercado começou a se recuperar a partir do último trimestre, mas continuou concentrado em operações de exportação, principalmente com elementos de securitização. Segundo Meyer, prevaleceram os empréstimos de pré-pagamento com garantia de recebí-veis de exportação. “A securitização funciona como um redutor do risco político”, explica.
Os empréstimos sindicalizados para importação e capital de giro tornaram-se menos comuns por conta dos riscos de convertibilidade da moeda e de transferência dos recursos. O executivo do BNP informa que essas linhas começaram a voltar nos últimos meses. No caso das importações, segundo Meyer, a liquidez maior é verificada nas operações com prazo de dois anos, mas há empréstimos de até três anos. Nas linhas de capital de giro, o prazo vai até dois anos, mas as operações mais líquidas vencem em um ano. Nos empréstimos sindicalizados atrelados à exportação, a liquidez maior está nas operações de três anos, apesar do prazo chegar até cinco anos.
Catraio ressalta que, apesar de as operações mais comuns serem feitas com capital externo, já começam a surgir linhas com recursos domésticos, via BNDES. “É uma tendência com a queda dos juros básicos”, diz o diretor do Unibanco. “Essa é também a forma mais atrativa do sindicato local”.
O vice-presidente do BNP lembra, ainda, que neste ano muitos bancos captaram recursos no exterior, por meio de operações conhecidas como MT 100, em que os fluxos financeiros no exterior são securitizados, ou de dívida subordinada, ambas com prazos longos, em torno de dez anos. “Os recursos são repassados para os clientes por meio de operações bilaterais, o que impede uma recuperação mais significativa dos empréstimos sindicalizados”, diz.
Ainda segundo Catraio, o mercado de empréstimos funciona em ciclos, que começam sempre com perdas de crédito – provocadas por crises econômicas e de inadimplência – e políticas de restrição como o aumento das taxas e a diferenciação dos riscos. “Todos os bancos passam a focar os melhores e mesmos riscos. A concorrência leva à flexibilização e, por conseqüência, a novas perdas de crédito”, diz. “O ciclo pode levar anos ou meses”, conclui.

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BANCOS APOSTAM NA RETOMADA EM 2004

Gazeta Mercantil – Alessandra Bellotto

Neste ano, operações somaram US$ 4 bilhões, queda de 50%, segundo dados da Thomson. O mercado de empréstimos sindicalizados no Brasil continuou retraído neste ano, ainda como reflexo da crise pré-eleitoral ocorrida em 2002, quando o acesso ao crédito externo estava fechado até para as linhas comerciais.

No País, mais de 95% das operações de sindicalizados, que contam com a participação de um “pool” de bancos para dividir o risco (em conseqüência dos altos volumes), são denominadas em dólar. A liquidez externa que se verificou este ano foi absorvida por outros canais de captação, como por exemplo a emissão de títulos.

Para 2004, a expectativa é de melhora para os empréstimos sindicalizados. “O próximo ano será de recuperação, com um volume bem superior ao de 2003”, afirma o vice-presidente de Finanças Estruturadas do BNP Paribas, Ernesto Meyer, sem arriscar números. Segundo ele, a expansão será puxada pela maior demanda dos clientes – “o foco do mercado são as cem maiores companhias, com faturamento acima de US$ 100 milhões” – e pelo excesso de capacidade dos bancos.

“Há um estoque grande de linhas ociosas, o que levou a uma queda vertiginosa das taxas. Os preços (calculados com base na Libor) estão se aproximando dos níveis de 2000 e 2001”, diz Meyer. A recuperação da economia também exigirá mais crédito.

Levantamento da consultoria Thomson Financial Brasil mostra que o volume de recursos concedido às empresas brasileiras por meio de sindicatos de bancos ficou perto dos US$ 4 bilhões em 2003 – metade do total registrado no ano passado: US$ 8,2 bilhões (a captação via títulos privados – só para comparar – chegou a US$ 16 bilhões este ano).

“A demanda de crédito diminuiu bastante”, diz o superintendente de Finanças Corporativas do BankBoston, Marcos Soares de Camargo. O executivo acrescenta que neste ano o mercado priorizou empréstimos a companhias exportadoras.

Acompanhamento do BNP, no entanto, aponta que o mercado de empréstimos sindicalizados vinha registrando uma média anual de US$ 10 bilhões até 2001. No ano passado, segundo Meyer, o volume caiu para US$ 4,6 bilhões. Para 2003, porém, os números coincidem.

O executivo do BNP informa que os critérios do banco são mais restritos e consideram apenas operações que contam com um banco coordenador, responsável pelo grupo de bancos que participam com diferentes “status”.

Alongamento de prazos

Segundo o diretor do Unibanco, Carlos Catraio, depois de um primeiro semestre fechado, o mercado passou a viver um período de flexibilização, com o retorno de operações mais ligadas ao comércio exterior e também com a participação de organismos multilaterais, como o recém-fechado empréstimo sindicalizado de US$ 100 milhões para a Bandeirante Energia, sob o guarda-chuva do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Segundo informou a empresa, nesse caso, como há muito não se via, os recursos serão para investimento na melhoria de sua rede de distribuição.

Começaram a surgir também empréstimos sindicalizados para capital de giro, modalidade considerada de maior risco que o pré-pagamento à exportação e a primeira a ser cortada em momentos de crise. Isso, segundo Catraio, é um sinal de retomada.

Outro ponto levantado pelo diretor do Unibanco é o alongamento dos prazos. “Já há operações de cinco anos”, destaca, como um pré-pagamento à exportação para a Usiminas, no montante de US$ 135 milhões, fechado no início de novembro, e a própria operação da Bandeirante Energia.

Meyer, do BNP, explica que o mercado internacional se fechou para o Brasil em 2002, afetando inicialmente as emissões de títulos, operações que contam com recursos de investidores institucionais e private banking (pessoa física de alta renda). Ele afirma, porém, que as captações por meio de bônus foram as primeiras a retornar, com a reversão das expectativas no cenário interno. “As linhas de empréstimos sindicalizados demoraram mais para se fechar. Mas, a retomada está mais lenta.”

O executivo do BNP afirma ainda que o mercado começou a se recuperar a partir do último trimestre, mas continuou concentrado em operações de exportação, principalmente com elementos de securitização. Segundo Meyer, prevaleceram os empréstimos de pré-pagamento com garantia de recebí-veis de exportação. “A securitização funciona como um redutor do risco político”, explica.

Os empréstimos sindicalizados para importação e capital de giro tornaram-se menos comuns por conta dos riscos de convertibilidade da moeda e de transferência dos recursos. O executivo do BNP informa que essas linhas começaram a voltar nos últimos meses. No caso das importações, segundo Meyer, a liquidez maior é verificada nas operações com prazo de dois anos, mas há empréstimos de até três anos. Nas linhas de capital de giro, o prazo vai até dois anos, mas as operações mais líquidas vencem em um ano. Nos empréstimos sindicalizados atrelados à exportação, a liquidez maior está nas operações de três anos, apesar do prazo chegar até cinco anos.

Catraio ressalta que, apesar de as operações mais comuns serem feitas com capital externo, já começam a surgir linhas com recursos domésticos, via BNDES. “É uma tendência com a queda dos juros básicos”, diz o diretor do Unibanco. “Essa é também a forma mais atrativa do sindicato local”.

O vice-presidente do BNP lembra, ainda, que neste ano muitos bancos captaram recursos no exterior, por meio de operações conhecidas como MT 100, em que os fluxos financeiros no exterior são securitizados, ou de dívida subordinada, ambas com prazos longos, em torno de dez anos. “Os recursos são repassados para os clientes por meio de operações bilaterais, o que impede uma recuperação mais significativa dos empréstimos sindicalizados”, diz.

Ainda segundo Catraio, o mercado de empréstimos funciona em ciclos, que começam sempre com perdas de crédito – provocadas por crises econômicas e de inadimplência – e políticas de restrição como o aumento das taxas e a diferenciação dos riscos. “Todos os bancos passam a focar os melhores e mesmos riscos. A concorrência leva à flexibilização e, por conseqüência, a novas perdas de crédito”, diz. “O ciclo pode levar anos ou meses”, conclui.

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