O Valor – Rodrigo Bittar, De Brasília
Dados relativos a novembro divulgados ontem pelo Banco Central mostram a consolidação da queda no nível de inadimplência, tanto entre pessoas físicas quanto pessoas jurídicas; apontam também uma resistência dos bancos em reduzir o spread e a taxa de juros; e, ainda, a retomada da oferta de crédito por parte do sistema financeiro privado.
De acordo com o relatório sobre política monetária e operações de crédito do sistema financeiro, os bancos privados expandiram suas operações de crédito em 2,4% no mês passado, patamar que poderia ter chegado aos 2,6% se não fosse a obrigação de “baixar como prejuízo” um crédito de cerca de R$ 480 milhões que uma empresa estatal de energia não honrou o pagamento.
Já os bancos públicos também expandiram suas operações de crédito no mês passado em 2,7%, mas o a diferença entre as duas naturezas de financiamento (bancos públicos e privados) já foi muito maior ao longo de 2003.
“No último bimestre (outubro e novembro), o sistema financeiro privado estava ficando para trás do sistema público e iniciou um processo de maior participação, com a retomada do crédito. Nós achamos esse fator extremamente positivo e queremos que se acentue”, disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Luiz Malan.
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro como um todo chegou aos R$ 404,861 bilhões em novembro, o que significou uma variação no ano de 7%. Esse crescimento foi fortemente puxado pelo setor público, com um crescimento de 14,3% nas operações de crédito contra uma variação de 2,5% dos bancos privados, que detêm 59,25% das operações em vigor.
Desde outubro, no entanto, o aumento do estoque das operações de crédito do sistema financeiro público foi de 4%, enquanto no privado ficou em 3,7%. “Isso mostra que o crescimento do setor privado foi concentrado nos últimos dois meses”, concluiu Malan. “Trata-se de um dado extremamente favorável em termos de recuperação da atividade e ampliação da demanda por parte do consumo”, acrescentou.
Esses novos créditos foram concedidos com uma taxa de juros mais branda no mês passado, mas a queda, apesar de constante desde março, não acompanha os cortes praticados na taxa Selic, que caiu de 26,5% (maio) para 16,5% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada.
Os dados do BC mostram que a taxa média praticada no sistema financeiro chegou a subir 1,4% desde dezembro do ano passado para os empréstimos feitos às pessoas jurídicas. A tendência foi inversa para as pessoas físicas, que tiveram uma redução da taxa de 15,3% no mesmo período, e provocou a queda de 3% na taxa global.
No mês passado, ambas as taxas caíram: de 69,4% para 68,2% entre as pessoas físicas e de 32,5% para 32,3% no caso das pessoas jurídicas. Os juros do cheque especial continuam disparados na frente das outras modalidades, em 146,5% contra 147,4% registrados em outubro. “Há uma acomodação no nível de redução da taxa de juros. À medida em que ela está num nível mais baixo, a margem de redução tende a ser menor”, considerou Malan.
Já o nível do spread bancário seguiu a tendência de redução mínima registrada no último trimestre e caiu mais 0,1 ponto percentual, para 30,4%. Também nesse indicador há uma diferença no comportamento de acordo com o participante da operação. No caso das pessoas jurídicas, a taxa subiu 0,2% em novembro e atingiu 14,4%. Entre as pessoas físicas, houve uma queda no mês passado (-0,5%), mas o nível do spread é bem mais elevado: 51,2%.
Esse patamar de spread é contraditório com os bons níveis de inadimplência registrados no mês passado. O nível de 14,2% é o menor desde outubro de 2001, quando a inadimplência bateu os 13,9% das operações de crédito. Esse indicador de risco é um dos principais componentes na composição do spread bancário.
Notícias recentes
- Governo Lula vai registrar a menor inflação da história, diz Haddad
- Trabalhador se mantém na luta coletiva, aponta pesquisa, segundo Sérgio Nobre
- Congresso aprova Orçamento para 2026
- Após adiamentos, Banco Central desiste de regular Pix Parcelado
- Bolsa supera os 164 mil pontos e bate terceiro recorde seguido
Comentários
Por Mhais• 23 de dezembro de 2003• 10:01• Sem categoria
BANCOS ENSAIAM RETOMADA DO CRÉDITO
O Valor – Rodrigo Bittar, De Brasília
Dados relativos a novembro divulgados ontem pelo Banco Central mostram a consolidação da queda no nível de inadimplência, tanto entre pessoas físicas quanto pessoas jurídicas; apontam também uma resistência dos bancos em reduzir o spread e a taxa de juros; e, ainda, a retomada da oferta de crédito por parte do sistema financeiro privado.
De acordo com o relatório sobre política monetária e operações de crédito do sistema financeiro, os bancos privados expandiram suas operações de crédito em 2,4% no mês passado, patamar que poderia ter chegado aos 2,6% se não fosse a obrigação de “baixar como prejuízo” um crédito de cerca de R$ 480 milhões que uma empresa estatal de energia não honrou o pagamento.
Já os bancos públicos também expandiram suas operações de crédito no mês passado em 2,7%, mas o a diferença entre as duas naturezas de financiamento (bancos públicos e privados) já foi muito maior ao longo de 2003.
“No último bimestre (outubro e novembro), o sistema financeiro privado estava ficando para trás do sistema público e iniciou um processo de maior participação, com a retomada do crédito. Nós achamos esse fator extremamente positivo e queremos que se acentue”, disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Luiz Malan.
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro como um todo chegou aos R$ 404,861 bilhões em novembro, o que significou uma variação no ano de 7%. Esse crescimento foi fortemente puxado pelo setor público, com um crescimento de 14,3% nas operações de crédito contra uma variação de 2,5% dos bancos privados, que detêm 59,25% das operações em vigor.
Desde outubro, no entanto, o aumento do estoque das operações de crédito do sistema financeiro público foi de 4%, enquanto no privado ficou em 3,7%. “Isso mostra que o crescimento do setor privado foi concentrado nos últimos dois meses”, concluiu Malan. “Trata-se de um dado extremamente favorável em termos de recuperação da atividade e ampliação da demanda por parte do consumo”, acrescentou.
Esses novos créditos foram concedidos com uma taxa de juros mais branda no mês passado, mas a queda, apesar de constante desde março, não acompanha os cortes praticados na taxa Selic, que caiu de 26,5% (maio) para 16,5% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada.
Os dados do BC mostram que a taxa média praticada no sistema financeiro chegou a subir 1,4% desde dezembro do ano passado para os empréstimos feitos às pessoas jurídicas. A tendência foi inversa para as pessoas físicas, que tiveram uma redução da taxa de 15,3% no mesmo período, e provocou a queda de 3% na taxa global.
No mês passado, ambas as taxas caíram: de 69,4% para 68,2% entre as pessoas físicas e de 32,5% para 32,3% no caso das pessoas jurídicas. Os juros do cheque especial continuam disparados na frente das outras modalidades, em 146,5% contra 147,4% registrados em outubro. “Há uma acomodação no nível de redução da taxa de juros. À medida em que ela está num nível mais baixo, a margem de redução tende a ser menor”, considerou Malan.
Já o nível do spread bancário seguiu a tendência de redução mínima registrada no último trimestre e caiu mais 0,1 ponto percentual, para 30,4%. Também nesse indicador há uma diferença no comportamento de acordo com o participante da operação. No caso das pessoas jurídicas, a taxa subiu 0,2% em novembro e atingiu 14,4%. Entre as pessoas físicas, houve uma queda no mês passado (-0,5%), mas o nível do spread é bem mais elevado: 51,2%.
Esse patamar de spread é contraditório com os bons níveis de inadimplência registrados no mês passado. O nível de 14,2% é o menor desde outubro de 2001, quando a inadimplência bateu os 13,9% das operações de crédito. Esse indicador de risco é um dos principais componentes na composição do spread bancário.
Deixe um comentário