Para a Força Sindical, discurso em que Lula disse que fará de 2004 o ano do emprego tem tom eleitoral. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) considera que o governo deveria ter começado a dar prioridade a essa questão ainda em 2003.
As principais centrais sindicais cobraram ontem do governo ações concretas para a abertura de novos postos de trabalho no País. Para a Força Sindical, a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de transformar 2004 no ano do emprego tem um tom de campanha, pois no ano que vem haverá eleições municipais. Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT) considera que o governo deveria ter começado a dar prioridade a essa questão ainda em 2003.
Num discurso emocionado feito a catadores de lixo do centro de São Paulo, no qual chegou a chorar, Lula afirmou na terça-feira que apenas o crescimento econômico não será suficiente para criar empregos necessários ao País. Ele prometeu reunir no início do ano que vem especialistas, sindicalistas e representantes da sociedade civil para adotar políticas alternativas de combate ao desemprego.
Durante a campanha presidencial de 2002, Lula dizia que sua meta para acabar com o problema seria criar cerca de 10 milhões de postos de trabalho em quatro anos.
Segundo o presidente da CUT, Luiz Marinho, a central apresentou ao governo um plano para a criação de empregos em outubro, mas não obteve nenhuma resposta. O projeto previa a criação de frentes de trabalho contratadas pelo poder público nos grandes centros urbanos. “Seria uma medida de emergência”, explicou Marinho. “Neste final de ano, o governo já deveria ter começado a lidar com o problema, mas antes tarde do que nunca.”
O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, foi mais duro com Lula. De acordo com ele, a entidade está cautelosa em relação às promessas de mais empregos. “O discurso do presidente nos pareceu eleitoral”, afirmou o sindicalista. “O ano que vem tem eleição e as promessas dele continuam as mesmas desde a época em que era candidato.”.
O sindicalista ainda criticou o comportamento de Lula. “Acho que está na hora de o presidente falar menos e fazer mais”, reclamou. Também afirmou que o otimismo mostrado pelo presidente em relação ao crescimento econômico não é compartilhado pela Força. “Estamos preferindo esperar para ver”, disse Juruna. “Até agora não houve grandes mudanças, sobretudo na política econômica.”
Apoio
Marinho conversou com Lula na terça-feira, em São Paulo, sobre a criação de um grupo de trabalho para chegar a políticas alternativas de criação de empregos. “O emprego não se resolverá meramente com crescimento”, disse ele, repetindo o discurso de Lula na terça-feira. “Se não voltarmos um olhar especial para questão, ela não se resolverá”, alertou.
Mesmo achando que a promessa do governo de dar prioridade ao emprego vem tarde, o presidente da CUT defendeu, ao contrário do que fez a Força Sindical, as ações de Lula neste ano. “Temos de levar em consideração o jeito que o presidente pegou o País”, afirmou Marinho. “A tarefa em 2003 foi assumir o controle da economia.”
Conrado Corsalette e Ana Paula Scinocca
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Por Mhais• 26 de dezembro de 2003• 10:47• Sem categoria
CENTRAIS SINDICAIS COBRAM MENOS PROMESSA E MAIS EMPREGO
Para a Força Sindical, discurso em que Lula disse que fará de 2004 o ano do emprego tem tom eleitoral. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) considera que o governo deveria ter começado a dar prioridade a essa questão ainda em 2003.
As principais centrais sindicais cobraram ontem do governo ações concretas para a abertura de novos postos de trabalho no País. Para a Força Sindical, a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de transformar 2004 no ano do emprego tem um tom de campanha, pois no ano que vem haverá eleições municipais. Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT) considera que o governo deveria ter começado a dar prioridade a essa questão ainda em 2003.
Num discurso emocionado feito a catadores de lixo do centro de São Paulo, no qual chegou a chorar, Lula afirmou na terça-feira que apenas o crescimento econômico não será suficiente para criar empregos necessários ao País. Ele prometeu reunir no início do ano que vem especialistas, sindicalistas e representantes da sociedade civil para adotar políticas alternativas de combate ao desemprego.
Durante a campanha presidencial de 2002, Lula dizia que sua meta para acabar com o problema seria criar cerca de 10 milhões de postos de trabalho em quatro anos.
Segundo o presidente da CUT, Luiz Marinho, a central apresentou ao governo um plano para a criação de empregos em outubro, mas não obteve nenhuma resposta. O projeto previa a criação de frentes de trabalho contratadas pelo poder público nos grandes centros urbanos. “Seria uma medida de emergência”, explicou Marinho. “Neste final de ano, o governo já deveria ter começado a lidar com o problema, mas antes tarde do que nunca.”
O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, foi mais duro com Lula. De acordo com ele, a entidade está cautelosa em relação às promessas de mais empregos. “O discurso do presidente nos pareceu eleitoral”, afirmou o sindicalista. “O ano que vem tem eleição e as promessas dele continuam as mesmas desde a época em que era candidato.”.
O sindicalista ainda criticou o comportamento de Lula. “Acho que está na hora de o presidente falar menos e fazer mais”, reclamou. Também afirmou que o otimismo mostrado pelo presidente em relação ao crescimento econômico não é compartilhado pela Força. “Estamos preferindo esperar para ver”, disse Juruna. “Até agora não houve grandes mudanças, sobretudo na política econômica.”
Apoio
Marinho conversou com Lula na terça-feira, em São Paulo, sobre a criação de um grupo de trabalho para chegar a políticas alternativas de criação de empregos. “O emprego não se resolverá meramente com crescimento”, disse ele, repetindo o discurso de Lula na terça-feira. “Se não voltarmos um olhar especial para questão, ela não se resolverá”, alertou.
Mesmo achando que a promessa do governo de dar prioridade ao emprego vem tarde, o presidente da CUT defendeu, ao contrário do que fez a Força Sindical, as ações de Lula neste ano. “Temos de levar em consideração o jeito que o presidente pegou o País”, afirmou Marinho. “A tarefa em 2003 foi assumir o controle da economia.”
Conrado Corsalette e Ana Paula Scinocca
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