Presidente do TRE defende necessidade de trabalhar a formação do voto
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, exclusiva para a Gazeta do Povo, apontou que 70% dos eleitores curitibanos levam em conta a pessoa e apenas 17% o partido político, na hora da decisão. As respostas ratificam a opinião do presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, Moacir Guimarães, sobre a necessidade de se trabalhar a formação do voto.
“O processo de votação e apuração chegou quase à perfeição com a urna eletrônica. Agora nós temos que partir para o trabalho da formação do voto. É aquele momento em que o eleitor vai decidir. Na democracia brasileira existe ainda muito vício. A formação do voto é influenciada pelo poder político, econômico e até o poder da imprensa”, diz Guimarães. O presidente do TRE fala ainda que a reforma política é o primeiro passo para esse processo, com a consolidação dos partidos políticos no Brasil. “É preciso criar partidos fortes. Hoje não existe isso. Os partidos são de conveniência. Não existe partido programático”, conclui o presidente do TRE.
A sondagem foi realizada em Curitiba, entre 19 e 21 de dezembro. Foram ouvidas 444 pessoas, e segundo a Paraná Pesquisas, a margem de erro de cada resposta é de 4,5% para mais ou para menos. A pesquisa procura revelar algumas características dos eleitores curitibanos e suas perspectivas para as eleições municipais de 2004.
O levantamento mostra que a maioria dos eleitores curitibanos não se lembra em quem votou para o Legislativo nas eleições de 2002. Passados pouco mais de 14 meses do pleito, 63,06% não souberam responder em quem haviam votado para deputado federal contra 30,41% que responderam afirmativamente. O porcentual foi quase idêntico em relação ao candidato a deputado estadual.
A pesquisa foi realizada entre os dias 19 e 21 com O quadro também repete-se entre os candidatos ao Senado – foram dois no ano passado – e aponta para um esquecimento maior na segunda opção de voto do eleitor. Assim, 54,95% disseram não se lembrar em quem votaram para senador na primeira escolha na urna eletrônica, contra 70,27% na segunda.
No caso dos candidatos a presidente da República e governador, a tendência se reverte. Dos entrevistados, 87,39% afirmam saber em quem votaram para presidente e 77,48% para governador, contra 6,08% e 15,99%, respectivamente, que disseram não se lembrar. A pesquisa inclui no cômputo do levantamento, os 6,53% dos entrevistados que declararam não ter comparecido ao local da votação ou que se abstiveram do voto.
O índice de insatisfação dos eleitores em relação a seus candidatos é expressivo. Entre os pesquisados, 47,13% afirmam que, de uma maneira geral, os políticos que ajudaram a eleger estão fazendo menos do que esperavam, seguidos de 36,55% que disseram que seus candidatos estão atendendo suas expectativas, e 8,28% que disseram que eles estão fazendo mais do que esperavam. Não souberam responder, 8,05% dos entrevistados.
Com relação às eleições de 2004, dos entrevistados, 70,05% afirmam saber que haverá eleições no ano que vem, contra 20,95% que disseram ignorar a informação. O levantamento também indicou que a maioria (46,15%) tem conhecimento de que serão escolhidos prefeitos e vereadores, seguido de 26,78% que afirmaram que os votos serão somente para prefeito ou vereador e 21,08% que declararam não saber. Apenas 5,97% dos entrevistados citaram outros cargos.
GP – Edson Fonseca e Marcus Vinicius Gomes
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