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REAL ESTÁ SOBREVALORIZADO, DIZ EX-DIRETOR DO BC

Estadão

São Paulo – O economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central e atualmente professor do Ibmec, considera que a valorização do real em relação ao dólar é um problema sério para o incremento das exportações brasileiras no ano em curso.

E chama a atenção para as altas taxas de juros em vigor e para a sinalização dada pelo do Banco Central de que pretende reduzi-los bem parcimoniosamente nos próximos meses. “Acho que o nosso Banco Central exagerou um pouco ao falar esse tipo de coisa. Não se deve falar isso”, disse Freitas em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News.

Ele acrescentou que o País não deve correr novamente o risco de deixar o real se valorizar excessivamente em relação à moeda americana. “Isso é bom hoje, mas não será bom daqui a um ano. E a solução é o Banco Central realmente derrubar mais as taxas de juros, ser mais rápido no gatilho e não esperar 25 dias para fazê-lo.”

O “dólar bom”

Na avaliação do economista, a queda do risco Brasil e do dólar é um claro sinal para que o BC reduza os juros mais rapidamente, e não ficar na expectativa de novos sinais da economia. Para Freitas, a valorização do real está muito ligada aos investimentos externos na Bovespa. “O dólar bom é o que entra e fica para investimentos diretos. O dólar ruim afasta o dólar bom, só que o dólar bom só vai entrar quando o dólar estiver em níveis superiores aos que estão aí.”

Arbitragem do capital

Para Freitas,o BC deveria entrar no mercado para recomprar, rapidamente, a dívida pública indexada à moeda americana, ou então baixar os juros, também rapidamente, para não ficar sem alternativas, a não ser que decida recorrer ao controle de capitais, “o que não faz sentido hoje”. E explicou: “O grande ponto é que, hoje, o Banco Central americano (o Federal Reserve) é quem dita a política monetária de todos os países. Isso quer dizer o seguinte: o juro (do Fed) vai ficar baixo por um longo tempo, enquanto que nós fizemos o contrário, os juros vão cair devagar. Então, é a arbitragem do capital.”

Ele concluiu dizendo que se o BC esperar muito para baixar a taxa Selic, a economia não reagirá de forma mais positiva, a dívida pública aumentará e o “dólar ruim” continuará entrando em demasia. “E o pior: a volta é muito pior, ou seja, o dólar vai voltar a subir daqui a alguns meses. Nós não podemos, no Brasil, nos dar ao luxo de ter um dólar muito barato. Este ano nós vamos ter um saldo bom na balança comercial, mas para o próximo ano (2005) é uma dúvida. Se o dólar continuar como está, o saldo vai cair.”

Melchíades Cunha Júnior

Por 09:23 Notícias

REAL ESTÁ SOBREVALORIZADO, DIZ EX-DIRETOR DO BC

Estadão
São Paulo – O economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central e atualmente professor do Ibmec, considera que a valorização do real em relação ao dólar é um problema sério para o incremento das exportações brasileiras no ano em curso.
E chama a atenção para as altas taxas de juros em vigor e para a sinalização dada pelo do Banco Central de que pretende reduzi-los bem parcimoniosamente nos próximos meses. “Acho que o nosso Banco Central exagerou um pouco ao falar esse tipo de coisa. Não se deve falar isso”, disse Freitas em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News.
Ele acrescentou que o País não deve correr novamente o risco de deixar o real se valorizar excessivamente em relação à moeda americana. “Isso é bom hoje, mas não será bom daqui a um ano. E a solução é o Banco Central realmente derrubar mais as taxas de juros, ser mais rápido no gatilho e não esperar 25 dias para fazê-lo.”
O “dólar bom”
Na avaliação do economista, a queda do risco Brasil e do dólar é um claro sinal para que o BC reduza os juros mais rapidamente, e não ficar na expectativa de novos sinais da economia. Para Freitas, a valorização do real está muito ligada aos investimentos externos na Bovespa. “O dólar bom é o que entra e fica para investimentos diretos. O dólar ruim afasta o dólar bom, só que o dólar bom só vai entrar quando o dólar estiver em níveis superiores aos que estão aí.”
Arbitragem do capital
Para Freitas,o BC deveria entrar no mercado para recomprar, rapidamente, a dívida pública indexada à moeda americana, ou então baixar os juros, também rapidamente, para não ficar sem alternativas, a não ser que decida recorrer ao controle de capitais, “o que não faz sentido hoje”. E explicou: “O grande ponto é que, hoje, o Banco Central americano (o Federal Reserve) é quem dita a política monetária de todos os países. Isso quer dizer o seguinte: o juro (do Fed) vai ficar baixo por um longo tempo, enquanto que nós fizemos o contrário, os juros vão cair devagar. Então, é a arbitragem do capital.”
Ele concluiu dizendo que se o BC esperar muito para baixar a taxa Selic, a economia não reagirá de forma mais positiva, a dívida pública aumentará e o “dólar ruim” continuará entrando em demasia. “E o pior: a volta é muito pior, ou seja, o dólar vai voltar a subir daqui a alguns meses. Nós não podemos, no Brasil, nos dar ao luxo de ter um dólar muito barato. Este ano nós vamos ter um saldo bom na balança comercial, mas para o próximo ano (2005) é uma dúvida. Se o dólar continuar como está, o saldo vai cair.”
Melchíades Cunha Júnior

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