Gazeta do Povo
Governador diz que Índia é exemplo que não deve ser seguido
O Paraná está negociando com o governo federal uma forma de amortizar a dívida que o estado tem com a União. De um lado, o governo estadual aceitaria abrir mão de créditos que tem a receber. De outro, o governo federal aceitaria isso como uma maneira de abater as dívidas paranaenses.
“A sugestão, inclusive, foi do [presidente] Lula para que o governo federal nos antecipasse alguns valores de créditos, por exemplo, a parte que falta [receber] dos royalties dos próximos anos de Itaipu”, afirmou ontem o governador Roberto Requião.
Requião anunciou as negociações ontem pela manhã, durante a reunião do secretariado. O acordo funcionaria em duas fases. Primeiro, os governos aceitam uma antecipação do pagamento dos royalties, que o Paraná recebe da União regularmente. Os royalties são uma indenização paga pela perda de terras produtivas que a criação do lago de Itaipu representou.
No segundo passo, o governo do Paraná aceita repassar os créditos recebidos antecipadamente para o governo federal. “O governo federal liberaria como contrapartida, por exemplo, os R$ 47 milhões que nós pagamos por mês pelo saneamento do Banestado”, explicou Requião.
O Paraná também poderia abrir mão de recursos do Fundo de Participação de Estados e Municípios. Ontem à tarde, técnicos da Secretaria de Estado da Fazenda ainda faziam as contas para levantar como poderia ser feita a amortização.
A maior vantagem para o estado seria um aumento no limite para a tomada de novos empréstimos. “Nós teríamos aberta nossa capacidade de endividamento e poderíamos entrar pesadamente nas linhas de financiamento que o governo federal oferece”, colocou o governador.
Parte das negociações com o governo federal foram feitas durante a viagem feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, na semana passada. O governador Roberto Requião fez parte da comitiva presidencial e fez uma avaliação negativa sobre o caminho seguido pela economia indiana. “Fiquei fascinado com a Índia e com tudo que aprendi sobre aquilo que não devemos fazer”, sentenciou o governador.
Na opinião de Requião, a desigualdade social na Índia parece insolúvel. “A miséria é orgânica e irreversível”, avaliou.
A viagem também serviu para que o governo do Paraná tentasse incrementar os negócios com parceiros indianos. “Eles disseram que querem aumentar substancialmente a compra de soja do Brasil”, contou Requião. De acordo com o governador, a Índia compra do Paraná US$ 70 milhões por ano em mercadorias, e 90% desse valor é em óleo de soja. Esse mercado não aceitaria as variedades transgênicas, garantiu Requião.
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