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Por 12:08 Notícias

BANCOS SOBEM JUROS APESAR DE O BANCO CENTRAL TAXA MANTER ESTÁVEL

O Globo – Cleide Carvalho, Aguinaldo Novo e Fábio Nascimento
Os juros básicos da economia, após uma queda de dez pontos percentuais em 2003, ficaram estacionados em 16,5% ao ano em janeiro. A inflação dá sinais de queda. Porém, bancos, financeiras e comércio elevaram a taxa que cobram dos consumidores na hora de conceder empréstimos e crediários.
À exceção do juro do cheque especial, todas as taxas acompanhadas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) subiram em janeiro, na comparação com dezembro. A taxa média passou de 7,75% para 7,92% ao mês — 149,59% ao ano. Isso mesmo com os balanços mostrando lucros maiores dos bancos, a volta do consumidor aos balcões de crédito e as vendas fracas no varejo.
— A preocupação do BC com a inflação assustou o mercado e os bancos se anteciparam a um possível aumento do juro. Não há outra explicação para a alta — afirma Miguel de Oliveira, presidente da Anefac.
O consumidor também se surpreendeu. O contínuo Wagner Silveira vê nos juros a barreira para comprar um carro. Pendurado no cartão de crédito, paga 10% de juros ao mês:
— A taxa já é absurda e tenho que me esforçar para pagar a dívida. Dificilmente consigo poupar.
Lula: taxas elevadas não têm explicação
Para o economista Alfredo Neto, os juros deveriam cair:
— Se os juros fossem menores, o consumo e a economia cresceriam. Não tomo empréstimos, não uso cartão de crédito nem cheque especial. Senão, o banco fica rico e eu, pobre.
Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou ontem, após reunião na Federação Brasileira dos Bancos, seu espanto com as altas taxas cobradas dos consumidores:
— Ninguém nunca conseguiu me explicar por que em um cartão de crédito se paga 12% de juros ao mês ou por que um cheque especial, de um cliente que é especial, custa 10% ou 11% ao mês — afirmou Lula.
A pesquisa da Anefac mostra que o maior aumento foi detectado no crédito direto ao consumidor oferecido pelos bancos, cuja taxa média passou para 3,59% em janeiro (52,69% ao ano). O segundo maior foi observado no empréstimo pessoal das financeiras: a taxa subiu para 12,81% (149,59% ao ano). Já o juro do empréstimo pessoal ficou em 6,09% (103,28% ao ano).
— Não há qualquer relação entre a manutenção da Selic e a alta dos juros ao consumidor. No máximo, os bancos deveriam manter a taxa, já que a expectativa ainda é de queda a longo prazo — avalia Marcelo Ávila, da consultoria financeira Global Station.
Do ponto de vista do caixa das instituições também não há motivos para a elevação dos juros — que caíram ao longo de 2003 acompanhando o corte na Selic. Os balanços divulgados até agora mostram que o lucro acumulado em 2003 por 12 bancos chega a R$ 5,692 bilhões, segundo a consultoria Austin Asis. Trata-se de um aumento de 13,9% em relação ao ganho registrado em 2002 (de R$ 4,994 bilhões).
O melhor resultado até agora foi o do Bradesco, maior banco privado do país, cujo lucro pulou de R$ 1,9 bilhão para R$ 2,3 bilhões. Mas será ultrapassado pelo Itaú, que até setembro tinha um ganho de R$ 2,298 bilhões. O lucro da Caixa cresceu 50%.
No comércio — cujas vendas despencam há três anos e até novembro caíam 4,52% em 2003 — o juro foi ajustado para 6,16% (104,89% ao ano). Mas a Anefac encontrou taxa de até 22,93%, o que equivale a 1.090,95% ao ano. No cartão de crédito, o juro pulou para 10,36% (226,39% ao ano), mas alguns bancos chegam a cobrar 13,5%.
No cheque especial, o juro médio baixou para 8,51% ao mês — com taxa máxima de 15,13%.
(*) Do Globo Online

Por 12:08 Sem categoria

BANCOS SOBEM JUROS APESAR DE O BANCO CENTRAL TAXA MANTER ESTÁVEL

O Globo – Cleide Carvalho, Aguinaldo Novo e Fábio Nascimento

Os juros básicos da economia, após uma queda de dez pontos percentuais em 2003, ficaram estacionados em 16,5% ao ano em janeiro. A inflação dá sinais de queda. Porém, bancos, financeiras e comércio elevaram a taxa que cobram dos consumidores na hora de conceder empréstimos e crediários.

À exceção do juro do cheque especial, todas as taxas acompanhadas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) subiram em janeiro, na comparação com dezembro. A taxa média passou de 7,75% para 7,92% ao mês — 149,59% ao ano. Isso mesmo com os balanços mostrando lucros maiores dos bancos, a volta do consumidor aos balcões de crédito e as vendas fracas no varejo.

— A preocupação do BC com a inflação assustou o mercado e os bancos se anteciparam a um possível aumento do juro. Não há outra explicação para a alta — afirma Miguel de Oliveira, presidente da Anefac.

O consumidor também se surpreendeu. O contínuo Wagner Silveira vê nos juros a barreira para comprar um carro. Pendurado no cartão de crédito, paga 10% de juros ao mês:

— A taxa já é absurda e tenho que me esforçar para pagar a dívida. Dificilmente consigo poupar.

Lula: taxas elevadas não têm explicação

Para o economista Alfredo Neto, os juros deveriam cair:

— Se os juros fossem menores, o consumo e a economia cresceriam. Não tomo empréstimos, não uso cartão de crédito nem cheque especial. Senão, o banco fica rico e eu, pobre.

Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou ontem, após reunião na Federação Brasileira dos Bancos, seu espanto com as altas taxas cobradas dos consumidores:

— Ninguém nunca conseguiu me explicar por que em um cartão de crédito se paga 12% de juros ao mês ou por que um cheque especial, de um cliente que é especial, custa 10% ou 11% ao mês — afirmou Lula.

A pesquisa da Anefac mostra que o maior aumento foi detectado no crédito direto ao consumidor oferecido pelos bancos, cuja taxa média passou para 3,59% em janeiro (52,69% ao ano). O segundo maior foi observado no empréstimo pessoal das financeiras: a taxa subiu para 12,81% (149,59% ao ano). Já o juro do empréstimo pessoal ficou em 6,09% (103,28% ao ano).

— Não há qualquer relação entre a manutenção da Selic e a alta dos juros ao consumidor. No máximo, os bancos deveriam manter a taxa, já que a expectativa ainda é de queda a longo prazo — avalia Marcelo Ávila, da consultoria financeira Global Station.

Do ponto de vista do caixa das instituições também não há motivos para a elevação dos juros — que caíram ao longo de 2003 acompanhando o corte na Selic. Os balanços divulgados até agora mostram que o lucro acumulado em 2003 por 12 bancos chega a R$ 5,692 bilhões, segundo a consultoria Austin Asis. Trata-se de um aumento de 13,9% em relação ao ganho registrado em 2002 (de R$ 4,994 bilhões).

O melhor resultado até agora foi o do Bradesco, maior banco privado do país, cujo lucro pulou de R$ 1,9 bilhão para R$ 2,3 bilhões. Mas será ultrapassado pelo Itaú, que até setembro tinha um ganho de R$ 2,298 bilhões. O lucro da Caixa cresceu 50%.

No comércio — cujas vendas despencam há três anos e até novembro caíam 4,52% em 2003 — o juro foi ajustado para 6,16% (104,89% ao ano). Mas a Anefac encontrou taxa de até 22,93%, o que equivale a 1.090,95% ao ano. No cartão de crédito, o juro pulou para 10,36% (226,39% ao ano), mas alguns bancos chegam a cobrar 13,5%.

No cheque especial, o juro médio baixou para 8,51% ao mês — com taxa máxima de 15,13%.
(*) Do Globo Online

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