JB
A economia mundial está atada ao comportamento das taxas de juros nos países desenvolvidos, principalmente dos Estados Unidos, alerta o Relatório da Estabilidade Financeira Mundial, divulgado pelo Fundo Monetário Internacional.
Uma alta repentina e intensa provocaria abalos nos países em desenvolvimento, adverte o documento.
(Londres) Uma repentina e forte alta dos juros nas economias desenvolvidas, notadamente nos Estados Unidos, é a principal ameaça que paira sobre o atual bom cenário dos mercados financeiros mundiais, avalia o Fundo Monetário Internacional.
Segundo a instituição, que divulgou ontem seu semestral Relatório da Estabilidade Financeira Global, apesar de “largamente esperada”, dados os “crescentes sinais de retomada do crescimento econômico” e o afastamento do perigo de deflação, a elevação dos juros básicos americanos pelo Federal Reserve, o banco central do país, assim como em outras nações ricas, deverá ser “cuidadosamente gerida” e “claramente comunicada aos mercados” para evitar reações extremas que levem à repetição do movimento observado em 1994 e que ajudou a deflagrar as crises mexicana, asiática, russa e brasileira no fim do século passado.
“Acima de tudo, as autoridades precisam gerir cautelosamente a transição de um ambiente de juros baixos, desenhado para proteção contra o risco de deflação, para um de taxas mais normais aliado a crescimento muito mais forte.
Além do momento e extensão de qualquer movimento de política (monetária), uma estratégia de comunicação é essencial para guiar as expectativas do mercado e evitar mal-entendidos que podem contribuir com a volatilidade e exageros. As reações extremas de 1994 devem servir como poderosos alertas”, aponta o texto.
O risco apresentado por novos ataques terroristas como os de 11 de março na Espanha não é nem mencionado no relatório. Só foi citado por Gerd Hausler, diretor do Departamento de Mercados de Capitais do Fundo e responsável pelo estudo, durante a entrevista de apresentação do documento.
Segundo ele, tais atentados podem ter impacto sobre a confiança de consumidores e investidores, minando expectativas de avanço da economia global.
– Está claro que se houver mais incidentes semelhantes ao que ocorreu em Madri, ou piores, isso teria um impacto na economia real e a confiança dos consumidores seria afetada.
Mas, se a percepção é de que se trata de um incidente isolado, então a confiança poderia voltar.
O relatório do FMI, no entanto, centrou fogo nos desequilíbrios econômicos mundiais provocados pelo duplo déficit americano – nas contas externas e no orçamentário, resultado da política de cortes de impostos e aumento de gastos do presidente George Bush.
Segundo o Fundo, por enquanto ambos são sanados por forte fluxo de capitais para os EUA.
Os déficits do país, destaca o FMI, estão sendo financiados principalmente por intervenções dos principais BCs asiáticos nos mercados cambiais – fazendo com que acumulem reservas de quase US$ 2 trilhões – e por investidores estrangeiros governamentais, institucionais e privados, que já detêm a marca recorde de 43% da dívida em títulos do Tesouro americano e voltaram a aplicar nas bolsas de valores locais.
Tudo isso está impedindo maior desvalorização do dólar no mercado internacional.
Mas, caso esse “delicado equilíbrio seja abalado”, cresce o perigo de o Fed ser obrigado a fazer rápido e forte movimento nos juros básicos – hoje em 1% ao ano, os menores em 45 anos -, deflagrando onda de crises financeiras.
“A qualquer sinal de esse risco (de maior desvalorização do dólar) se materializar, os investidores estrangeiros podem exigir um prêmio de risco para os ativos em dólar – inclusive a elevação dos juros dos títulos (americanos). Isso teria efeito de contágio negativo em outros mercados, elevando os juros na Europa e nos mercados emergentes”, afirma o relatório.
Fonte: Jornal do Brasil
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