O Globo
(Rio) A informalidade que tomou conta do mercado de trabalho nos últimos anos fez cair o rendimento do trabalhador. Cerca de 60% das vagas criadas em 2002 não incluem qualquer proteção social, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2003, divulgada ontem pelo IBGE. Somente 45,2% dos trabalhadores contribuem para a Previdência Social.
A procura por trabalho em meio ao desemprego crescente se reflete no valor dos salários. Entre os que trabalham por conta própria, segundo maior grupo de trabalhadores no Brasil, 34,1% têm renda familiar per capita de até meio salário-mínimo. No grupo de empregados com carteira assinada, são 18% nessa faixa de rendimento.
Entre os trabalhadores sem registro, a percentual é de 31%. O ganho médio dos que estavam por conta própria em 2002 foi de R$ 516,40, enquanto os sem carteira recebiam R$ 380 em média.
Patrícia Gonçalves Pedroso, mãe de três filhos, vende castanha de caju no Centro do Rio. É uma empregada sem carteira assinada e ganha um salário-mínimo por mês. É a única renda da família, já que o marido está desempregado:
— Meu sonho é arrumar um emprego de carteira assinada e voltar a estudar — conta ela, que tenta uma vaga de camelô para o marido. — Ele só faz biscate, quando aparece.
Só crescimento industrial amenizaria situação
Segundo Adalberto Cardoso, sociólogo do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), a situação de precariedade do mercado de trabalho só deve melhorar se houver crescimento do emprego industrial:
— As grandes empresas dependem de financiamento público e precisam ter a situação regularizada. Mesmo assim, a formalidade vem caindo. Nos anos 80, a indústria respondia por 90% dos empregos formais. Hoje são responsáveis por 70% — diz Cardoso, especialista em mercado de trabalho.
Segundo a pesquisa, a situação novamente é pior no Nordeste. Quase a metade (48,2%) dos trabalhadores por conta própria ganham até um mínimo.
Deixe um comentário