Gazeta Mercantil – Adriana Cotias
O Santander Banespa revisou sua política de crédito às pequenas e médias empresas (PMEs) e ampliou o prazo de 12 meses para até 36 meses nas linhas para capital de giro destinadas ao segmento. As taxas cobradas variam de 2,5% a 3,5% ao mês.
Desta forma, o grupo espanhol pretende reforçar sua atuação no chamado “middle market”, um nicho que só começou a ser disputado com mais ímpeto pelos grandes bancos de varejo recentemente.
O holandês ABN Amro Real também tem mostrado especial interesse nesta área, com foco nos empréstimos garantidos por recebíveis.
Segundo o superintendente de Produtos Ativos do Santander Banespa, Luiz Carlos Nogueira, com a elasticidade do prazo da linha batizada como SuperGiro Parcelado, o banco pretende contratar cerca de R$ 1 bilhão até o fim do ano.
A oferta se dará por meio de um crédito pré-aprovado para os atuais clientes, mas a intenção é utilizar o produto também como um chamariz para atrair novas empresas.
“Houve um entendimento do que representam as pequenas e médias empresas, que demandam produto com parcelas fixas e prazo maior, direcionando o uso para compra de micros, estoques, máquinas e demais investimentos em infra-estrutura e modernização tecnológica”, disse Nogueira.
“As pessoas físicas já são bem conhecidas dos bancos e a busca da eficiência justifica a procura de mercados potenciais como este pela indústria bancária em geral.”
Segundo o executivo, com a prospecção dirigida, o Santander Banespa tem condições de incrementar em até 15% a base de 220 mil clientes classificada como pequena e média empresa. A força comercial conta com 1 mil gerentes.
“O Santander tem tradição mundial no atendimento às PMEs e no Brasil essa estratégia agora se materializa com novas ofertas.”
No ABN Amro Real, a projeção é ampliar a carteira de médio e pequeno varejo entre 10% e 20% neste ano, dos cerca de R$ 2 bilhões atualmente tomados.
Segundo a superintendente de Empréstimos e Financiamentos, Denise Carilho, deste total, cerca de 30% referem-se a créditos lastreados em cheques pré-datados ou faturas de cartões de crédito.
“O recebível de cartão é bastante líquido e setores de menor escala quando contam com essa garantia conseguem contratar taxas mais vantajosas do que em operações clean”, diz.
Para a executiva, o interesse dos bancos no “middle” se explica pelo fato de as grandes empresas, com melhor qualidade de crédito, estarem amplamente atendidas pelo setor bancário.
“O Corporate tem condições de negociar prazos e taxas e pode recorrer ao mercado internacional”, diz. “O ‘middle’é pulverizado, tem necessidade de crédito, proporciona um retorno maior, sem o risco do grande varejo, afirma.”
O comportamento do consumidor também tem amplificado as necessidades de apoio do crédito bancário às empresas comerciais.
Sondagem da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) mostra que no pagamento das compras feitas para o Dia das Mães – segunda melhor data para o varejo – o meio de pagamento mais utilizado foi o cartão de crédito com uma fatia de 78% das vendas realizadas. Outras formas de crédito, como os carnês, tiveram participação de 11%.
“Há mais pessoas com cartão de crédito em função da maior aceitação no comércio”, diz o assessor econômico da Fecomercio, Fábio Pina.
“Para o consumidor, há mais familiaridade com o meio de pagamento, e, para o lojista, apesar de o cartão incorrer em custos administrativos, o risco de inadimplência é menor e há maior segurança no recebimento.”
O técnico diz que tem sido crescente a dependência do varejo do financiamento ao consumo, que representa cerca de 60% das vendas realizadas pelo setor. Dessa fatia, há picos em que 40% das transações são realizadas via cartão de crédito.
Pina diz, porém, que o desconto de recebíveis não é uma prática ainda muito disseminada no mercado brasileiro.
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