Gazeta Mercantil – Vicente Vilardaga
O negócio bancário se confunde com a tecnologia da informação. Telecomunicações e informática se juntam para viabilizar o novo sistema financeiro e torná-lo mais eficiente e rentável.
A mobilidade se impõe; transações em tempo real viram padrão; os mecanismos de sincronização são aperfeiçoados, já que perdas de décimos de segundo são consideradas falhas, e a centralização das bases de dados e das autorizações de transações, algo que convém ao negócio, vai requerer sempre mais conexões, além de grande capacidade e segurança de transmissão.
O aumento da demanda por serviços de maior valor agregado está diretamente relacionado com a velocidade na comunicação e acesso remoto aos dados bancários, em todos os tipos de terminais (celulares, PCs, computadores de mão, caixas eletrônicos, etc).
Os sinais digitais, os bits, já superaram, de longe, o papel como meio circulante. E se para as empresas, em geral, a tecnologia é uma ferramenta indispensável, para os bancos ela é o próprio negócio.
O sistema financeiro se encaixa como uma luva no mundo virtual. E os bancos brasileiros estão especialmente avançados em tudo o que se refere às transações digitais.
O Brasil é um dos líderes mundiais em internet banking. E poucos países têm tanta capacidade de realização de operações online. Vai chegar, por exemplo, a fase do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) 2, que colocará as transações de cifras inferiores a R$ 5 mil em rede.
Hoje, 95% do valor financeiro transacionado entre os bancos já passam pelo meio eletrônico, mas, em volume, isso ainda é pouco representativo. Só 5% das negociações se realizam na velocidade da rede, pela Transferência Eletrônica Direta (TED).
Meios eletrônicos
Com o SPB 2, a massa de transações diárias, aquelas de valores mais baixos, vai se concretizar online, transformando o cheque, definitivamente, em um título de “longo prazo”.
Meios eletrônicos de pagamento, mesmo em países como o Brasil, onde a cultura do cheque se tornou dominante, conquistam novos usuários a cada dia.
Isso só é possível por causa do desenvolvimento da comunicação bancária e da multiplicação dos terminais de pagamento eletrônico (cartões de crédito e débito), os POS, do inglês point-of-sale.
Os bancos se integram em redes cada vez mais rápidas e seguras, buscando sempre a redundância. As agências são conectadas e os comandos de autorização de transações, centralizados.
É um processo caro, que ainda está não foi levado adiante por muitos bancos. A centralização representa uma grande vantagem para o cliente, que passa a ser atendido em qualquer agência do seu banco.
Uma questão ainda pendente no sistema financeiro, o compartilhamento de redes, começa a avançar, com objetivos de redução de custo e ampliação do alcance dos serviços.
Se algumas grandes instituições mantêm redes próprias de caixas eletrônicos (ATMs), por exemplo, a maioria dos bancos se sustenta em soluções terceirizadas e flexíveis. São cerca de 150 mil ATMs ao todo, espalhados pelo País.
Além das grandes redes exclusivas, como a do Itaú e Bradesco, desenvolvem-se redes compartilhadas, como a Rede Verde-Amarela (RVA), da ATP S.A., com 29 mil terminais de auto-atendimento e 13 instituições usuárias, entre elas o Santander/Banespa e o Banrisul.
Em breve, a RVA, que faz 100% das transações em tempo real e online, vai começar a ser utilizada por seis novos clientes. A meta da ATP para sua rede, nos próximos três anos, é atingir 100 mil pontos de auto-atendimento.
A aderência ao SPB 2 é uma grande vantagem competitiva da RVA e um fator de atração de novos bancos usuários.
“As prioridades de investimento, agora, são os sistemas de auto-atendimento e a automação das agências”, afirma Juarez Lopes Cançado, diretor-executivo da ATP e secretário-geral da Associação Brasileira de Bancos Estaduais e Regionais (Asbace).
“Além disso, os bancos ainda precisam investir em data centers e em bons softwares para aumentar o nível de disponibilidade dos dados”.
Pela internet, desde que haja reforços de segurança, a relação entre os bancos e seus clientes ganha um formato próximo do ideal, graças à comodidade e à oferta de cada vez mais funcionalidades. Entre 20% e 30% dos correntistas de bancos nacionais e regionais, privados ou públicos, já são usuários de internet banking.
Dos 18 milhões de clientes do Banco do Brasil, por exemplo, seis milhões usam os serviços de internet. No caso do Banco de Brasília (BRB), com atuação concentrada no Distrito Federal, 70 mil correntistas, de uma base de cerca de 330 mil, operam suas contas pela web.
“Estamos em processo de conquista de clientes e de ampliação da base”, afirma Ari Moreira, diretor de recursos administrativos e tecnológicos do BRB.
A inclusão digital é um fator que favorece a inclusão bancária. O aumento do acesso da população aos computadores pessoais e à internet contribui para a transformação dos serviços bancários, que apresentam uma tendência de migração para ambientes web.
Nenhum terminal ganhou tanta importância como o computador pessoal nos últimos anos para a prestação de serviços financeiros. A utilização do internet banking tem crescido a taxas de três dígitos nos últimos anos e a tendência é de expansão, no ritmo do aumento da base de PCs domésticos e do barateamento das conexões à rede.
Mas um outro terminal mostra-se bastante promissor. É o telefone celular, que, através de serviços de mensagens curtas (SMS), está se tornando um instrumento de transações financeiras. Usa-se o celular para receber informações de conta corrente e confirmações de transações efetuadas.
A busca de informações bancárias é a principal motivação de uso do SMS, dizem as operadoras de telefonia móvel.
Neste momento, a contribuição das telecomunicações para o sistema financeiro envolve, principalmente, a evolução da transmissão de dados entre agências, entre bancos e entre os bancos e o Banco Central.
Mas os serviços de voz também têm grande importância, tanto como canal de transações, como por seu impacto nos custos de telefonia. O atendimento bancário por telefone ainda polariza o interesse de muitos clientes.
Os call centers, além de apoiar a solução de problemas técnicos em outros canais, são um caminho preferencial de informação para uma parte dos correntistas. O telefone ainda sustenta uma boa parte das transações bancárias.
Interesse em VoIP
Em outra frente, o uso do telefone tem um alto impacto nos custos de telecomunicação, em chamadas locais e de longa distância.
Para reduzir os gastos com chamadas de longa distância nacionais e internacionais muitas instituições começam a adotar soluções de telefonia de voz sobre IP (Internet Protocol), que possibilita a transmissão de voz na rede de dados e a realização de chamadas de longa distância ao custo da ligação local.
O instituto IDC prevê crescimento de 20% nos investimentos em telefonia IP ou VoIP em 2004 no Brasil. As instituições financeiras garantem mais da metade deste bolo. No ano passado, investiu-se US$ 55 milhões em tecnologia de transmissão de voz na rede IP.
Os bancos foram responsáveis por US$ 30 milhões. Há dois anos, apenas 12% dos bancos adotavam VoIP, mas 59%, segundo dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), estavam avaliando a tecnologia.
A importância da tecnologia da informação para o sistema financeiro pode ser medida pelos gastos e investimentos em softwares, hard-wares, implantação e ampliação de redes e serviços.
Enquanto as empresas brasileiras investem anualmente o equivalente a 4,9% de seu faturamento líquido, em média, em informática e telecomunicações, os bancos destinam 10,4% de seu patrimônio líquido para tecnologia, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
As estimativas da Febraban para gastos e investimentos em tecnologia da informação é de R$ 11,5 bilhões em 2004.
Somente as 11 instituições associadas à Associação Brasileira de Bancos Estaduais e Regionais (Asbace) vão investir, segundo Cançado, entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões em informática e telecomunicações nos próximos cinco anos.
A Nossa Caixa, com 3,9 milhões de clientes, 1,3 mil servidores conectados nas suas redes de automação bancária e de escritórios e 14,5 mil estações de trabalho, planeja investimentos de R$ 130,8 milhões neste ano e de R$ 147,2 milhões em 2005.
Notícias recentes
Comentários
Por Mhais• 13 de maio de 2004• 10:38• Sem categoria
A TECNOLOGIA QUE IMPULSIONA OS BANCOS
Gazeta Mercantil – Vicente Vilardaga
O negócio bancário se confunde com a tecnologia da informação. Telecomunicações e informática se juntam para viabilizar o novo sistema financeiro e torná-lo mais eficiente e rentável.
A mobilidade se impõe; transações em tempo real viram padrão; os mecanismos de sincronização são aperfeiçoados, já que perdas de décimos de segundo são consideradas falhas, e a centralização das bases de dados e das autorizações de transações, algo que convém ao negócio, vai requerer sempre mais conexões, além de grande capacidade e segurança de transmissão.
O aumento da demanda por serviços de maior valor agregado está diretamente relacionado com a velocidade na comunicação e acesso remoto aos dados bancários, em todos os tipos de terminais (celulares, PCs, computadores de mão, caixas eletrônicos, etc).
Os sinais digitais, os bits, já superaram, de longe, o papel como meio circulante. E se para as empresas, em geral, a tecnologia é uma ferramenta indispensável, para os bancos ela é o próprio negócio.
O sistema financeiro se encaixa como uma luva no mundo virtual. E os bancos brasileiros estão especialmente avançados em tudo o que se refere às transações digitais.
O Brasil é um dos líderes mundiais em internet banking. E poucos países têm tanta capacidade de realização de operações online. Vai chegar, por exemplo, a fase do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) 2, que colocará as transações de cifras inferiores a R$ 5 mil em rede.
Hoje, 95% do valor financeiro transacionado entre os bancos já passam pelo meio eletrônico, mas, em volume, isso ainda é pouco representativo. Só 5% das negociações se realizam na velocidade da rede, pela Transferência Eletrônica Direta (TED).
Meios eletrônicos
Com o SPB 2, a massa de transações diárias, aquelas de valores mais baixos, vai se concretizar online, transformando o cheque, definitivamente, em um título de “longo prazo”.
Meios eletrônicos de pagamento, mesmo em países como o Brasil, onde a cultura do cheque se tornou dominante, conquistam novos usuários a cada dia.
Isso só é possível por causa do desenvolvimento da comunicação bancária e da multiplicação dos terminais de pagamento eletrônico (cartões de crédito e débito), os POS, do inglês point-of-sale.
Os bancos se integram em redes cada vez mais rápidas e seguras, buscando sempre a redundância. As agências são conectadas e os comandos de autorização de transações, centralizados.
É um processo caro, que ainda está não foi levado adiante por muitos bancos. A centralização representa uma grande vantagem para o cliente, que passa a ser atendido em qualquer agência do seu banco.
Uma questão ainda pendente no sistema financeiro, o compartilhamento de redes, começa a avançar, com objetivos de redução de custo e ampliação do alcance dos serviços.
Se algumas grandes instituições mantêm redes próprias de caixas eletrônicos (ATMs), por exemplo, a maioria dos bancos se sustenta em soluções terceirizadas e flexíveis. São cerca de 150 mil ATMs ao todo, espalhados pelo País.
Além das grandes redes exclusivas, como a do Itaú e Bradesco, desenvolvem-se redes compartilhadas, como a Rede Verde-Amarela (RVA), da ATP S.A., com 29 mil terminais de auto-atendimento e 13 instituições usuárias, entre elas o Santander/Banespa e o Banrisul.
Em breve, a RVA, que faz 100% das transações em tempo real e online, vai começar a ser utilizada por seis novos clientes. A meta da ATP para sua rede, nos próximos três anos, é atingir 100 mil pontos de auto-atendimento.
A aderência ao SPB 2 é uma grande vantagem competitiva da RVA e um fator de atração de novos bancos usuários.
“As prioridades de investimento, agora, são os sistemas de auto-atendimento e a automação das agências”, afirma Juarez Lopes Cançado, diretor-executivo da ATP e secretário-geral da Associação Brasileira de Bancos Estaduais e Regionais (Asbace).
“Além disso, os bancos ainda precisam investir em data centers e em bons softwares para aumentar o nível de disponibilidade dos dados”.
Pela internet, desde que haja reforços de segurança, a relação entre os bancos e seus clientes ganha um formato próximo do ideal, graças à comodidade e à oferta de cada vez mais funcionalidades. Entre 20% e 30% dos correntistas de bancos nacionais e regionais, privados ou públicos, já são usuários de internet banking.
Dos 18 milhões de clientes do Banco do Brasil, por exemplo, seis milhões usam os serviços de internet. No caso do Banco de Brasília (BRB), com atuação concentrada no Distrito Federal, 70 mil correntistas, de uma base de cerca de 330 mil, operam suas contas pela web.
“Estamos em processo de conquista de clientes e de ampliação da base”, afirma Ari Moreira, diretor de recursos administrativos e tecnológicos do BRB.
A inclusão digital é um fator que favorece a inclusão bancária. O aumento do acesso da população aos computadores pessoais e à internet contribui para a transformação dos serviços bancários, que apresentam uma tendência de migração para ambientes web.
Nenhum terminal ganhou tanta importância como o computador pessoal nos últimos anos para a prestação de serviços financeiros. A utilização do internet banking tem crescido a taxas de três dígitos nos últimos anos e a tendência é de expansão, no ritmo do aumento da base de PCs domésticos e do barateamento das conexões à rede.
Mas um outro terminal mostra-se bastante promissor. É o telefone celular, que, através de serviços de mensagens curtas (SMS), está se tornando um instrumento de transações financeiras. Usa-se o celular para receber informações de conta corrente e confirmações de transações efetuadas.
A busca de informações bancárias é a principal motivação de uso do SMS, dizem as operadoras de telefonia móvel.
Neste momento, a contribuição das telecomunicações para o sistema financeiro envolve, principalmente, a evolução da transmissão de dados entre agências, entre bancos e entre os bancos e o Banco Central.
Mas os serviços de voz também têm grande importância, tanto como canal de transações, como por seu impacto nos custos de telefonia. O atendimento bancário por telefone ainda polariza o interesse de muitos clientes.
Os call centers, além de apoiar a solução de problemas técnicos em outros canais, são um caminho preferencial de informação para uma parte dos correntistas. O telefone ainda sustenta uma boa parte das transações bancárias.
Interesse em VoIP
Em outra frente, o uso do telefone tem um alto impacto nos custos de telecomunicação, em chamadas locais e de longa distância.
Para reduzir os gastos com chamadas de longa distância nacionais e internacionais muitas instituições começam a adotar soluções de telefonia de voz sobre IP (Internet Protocol), que possibilita a transmissão de voz na rede de dados e a realização de chamadas de longa distância ao custo da ligação local.
O instituto IDC prevê crescimento de 20% nos investimentos em telefonia IP ou VoIP em 2004 no Brasil. As instituições financeiras garantem mais da metade deste bolo. No ano passado, investiu-se US$ 55 milhões em tecnologia de transmissão de voz na rede IP.
Os bancos foram responsáveis por US$ 30 milhões. Há dois anos, apenas 12% dos bancos adotavam VoIP, mas 59%, segundo dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), estavam avaliando a tecnologia.
A importância da tecnologia da informação para o sistema financeiro pode ser medida pelos gastos e investimentos em softwares, hard-wares, implantação e ampliação de redes e serviços.
Enquanto as empresas brasileiras investem anualmente o equivalente a 4,9% de seu faturamento líquido, em média, em informática e telecomunicações, os bancos destinam 10,4% de seu patrimônio líquido para tecnologia, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
As estimativas da Febraban para gastos e investimentos em tecnologia da informação é de R$ 11,5 bilhões em 2004.
Somente as 11 instituições associadas à Associação Brasileira de Bancos Estaduais e Regionais (Asbace) vão investir, segundo Cançado, entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões em informática e telecomunicações nos próximos cinco anos.
A Nossa Caixa, com 3,9 milhões de clientes, 1,3 mil servidores conectados nas suas redes de automação bancária e de escritórios e 14,5 mil estações de trabalho, planeja investimentos de R$ 130,8 milhões neste ano e de R$ 147,2 milhões em 2005.
Deixe um comentário