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Por 09:59 Notícias

BANK OF AMERICA DIZ QUE NÃO VENDE O BOSTON

ÉRICA FRAGA
da Folha de S.Paulo
GUILHERME BARROS
Editor do Painel S.A. da Folha de S.Paulo
Para um banco estrangeiro, é muito difícil competir com as grandes instituições brasileiras, diz Eugene McQuade, 55, presidente do Bank of America (BofA). Apesar disso e dos problemas que a instituição norte-americana enfrentou no Brasil no passado, McQuade afirma que não pretende vender o BankBoston.
No final do ano passado, o BofA comprou o FleetBoston –controlador do BankBoston no Brasil. Desde que o anúncio foi feito, há uma onda interminável de rumores de que o novo banco não manterá a operação no Brasil. O pano de fundo dessas suspeitas é o fato de que o BofA havia anunciado, meses antes da compra do Fleet, sua decisão de deixar o país.
McQuade, executivo que veio do Fleet, afirma que o BofA não pretende se desfazer do Boston no Brasil. “Vocês verão um forte comprometimento do Bank of America com o Brasil”, disse McQuade, em entrevista exclusiva à Folha na última quinta-feira, durante uma rápida passagem pelo Brasil para apresentar aos funcionários Richard Prager, 44, o novo presidente do banco para a América Latina.
Em termos macroeconômicos, McQuade acredita que a alta dos juros nos EUA será inevitável, mas que as conseqüências disso para o Brasil não serão ruins. Isso porque tendem a ser compensadas pelos efeitos positivos, como o comércio global mais intenso, que tendem a vir com o crescimento mais robusto dos EUA.
A seguir, os principais trechos da entrevista de McQuade.
Folha – O Bank of America anunciou, no início de 2002, sua decisão de deixar o Brasil. Por isso, desde o anúncio da compra do Fleet, há fortes rumores de que o Boston seria vendido aqui. Quais são as intenções do BofA em relação ao Boston?
Eugene McQuade – O Bank of America, de forma geral, está muito comprometido com a América Latina, o que inclui o Brasil. Kenneth Lewis, que é o principal executivo do banco, pediu, como presidente, que eu, pessoalmente, supervisione as operações no Brasil. Estou envolvido com mercados emergentes na América do Sul há pelo menos 20 anos. Vocês verão um forte comprometimento do Bank of America com o Brasil. Para enfatizar isso, uma das coisas que estou fazendo nesta semana é apresentar Richard Prager como o presidente do Bank of America para a América Latina. E falando com empregados e com representantes do governo a fim de reafirmar nosso compromisso com o Brasil.
Folha – Então os rumores de venda não procedem?
McQuade – Não. Nós temos uma das mais proeminentes operações no Brasil. Com a fusão, temos a oportunidade de tornar a operação ainda mais forte e fazê-la crescer mais rapidamente do que o BankBoston conseguiria sozinho.
Folha – E em relação à Argentina?
McQuade – O mesmo. Estamos comprometidos. Disse isso a Lavagna [Roberto, ministro da Economia da Argentina] na segunda-feira [da semana passada], e aos empregados e aos clientes na terça.
Folha – O sr. poderia detalhar um pouco mais como a América Latina e o Brasil se encaixam na estratégia de negócios do BofA?
McQuade – Há três ou quatro negócios principais do BofA que associo com o Brasil. Talvez nosso maior negócio aqui sejam os grandes clientes corporativos, e isso inclui empréstimos e serviços de tesouraria. Cerca de 25% dos ganhos do banco vêm de seus grandes clientes corporativos. Uma das coisas que acho que o BofA está descobrindo é que um dos recursos mais escassos da atividade bancária é no setor corporativo da América Latina.
Folha – Há planos para mudar algo na forma de operar do Boston?
McQuade -Uma das coisas que o BofA traz para essa operação é uma produtividade mais robusta do que o Boston tinha no Brasil. Vejo isso, particularmente, nas áreas de mercado de capitais e de “investment banking”. A mudança que vejo é principalmente na capacidade de trazermos novos clientes para o Brasil. A atividade principal vai continuar parecida com a atual. A diferença serão novos produtos e clientes.
Folha – O sr. acha a atividade bancária concentrada no Brasil?
McQuade – Se você olhar para a atividade bancária pelo mundo –e no Brasil não é diferente–, há uma tendência de consolidação. O Brasil tem alguns bancos locais que são muito grandes e não há, portanto, muito mais espaço para consolidação no setor de varejo. Acho que ainda pode ocorrer alguma consolidação no setor de bancos de investimento.
Folha – Essa concentração faz com que seja difícil para um banco estrangeiro competir aqui?
McQuade -Claro. Mas também faz com que seja difícil para os bancos brasileiros competir nos Estados Unidos. O tamanho que bancos como Bradesco, Banco do Brasil, Itaú têm e a escala que eles conseguem em termos de canal de distribuição e rede e a habilidade de conseguir oferecer produtos mais baratos do que nós são as grandes vantagens, e essa é a razão pela qual tem sido difícil para o Carbone [Geraldo, presidente do Boston no Brasil] competir de forma agressiva contra eles no mercado de varejo. E é por isso que temos nos concentrado no atacado, onde acho que temos escala.
Folha – Qual é a opinião do sr. sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva?
McQuade -Minha opinião sobre as ações do governo é extremamente positiva. Tem sido uma surpresa positiva para os mercados globais o bom desempenho de Lula, Palocci [Antonio Filho, ministro da Fazenda] e Meirelles (Henrique, presidente do Banco Central). Esses senhores têm feito um trabalho extraordinário ao conquistar de volta a confiança mundial na economia brasileira.
Folha – Muitos analistas criticam o governo por ter perdido o fôlego na condução das reformas. O sr. concorda com isso?
McQuade -Acho que eles continuam a fazer um bom trabalho. Não acompanho as reformas no dia-a-dia, o debate interno que existe no país. Sei que existe um debate sobre se o dinheiro deveria estar indo mais para os programas sociais ou para o pagamento da dívida ou para a administração da taxa de câmbio. Continuo a ver ações que eles estão tomando em termos de superávit primário, gestão da taxa de câmbio, gestão da taxa de juros interna, e eles fizeram um ótimo trabalho ao evitar a inflação. Tudo isso parece estar continuando e sendo muito bem administrado.
Folha – O sr. acha que o Brasil tem fundamentos sólidos para enfrentar uma alta de juros nos EUA?
McQuade -Sim, acho que não há dúvidas de que as taxas de juros subirão nos Estados Unidos, e minha percepção é que o aumento será modesto e gradual e ainda muito propício para a expansão dos negócios. A taxa está em 1% ao ano agora e pode chegar a 2% nos próximos 12 meses, mas, em termos de média histórica, ainda será muito baixa.
Folha – Mas isso não seria prejudicial para o Brasil?
McQuade – Certamente. Quando os juros sobem, as pessoas pressupõem que isso seja negativo, mas a razão para a alta é que a economia norte-americana está crescendo fortemente e acho que isso terá efeitos positivos para o Brasil. Temos visto a redução do desemprego nos EUA, temos visto investimentos pela primeira vez em cinco anos, e continuamos a importar muitos bens.
Folha – O que o sr. acha das oscilações do mercado, principalmente no Brasil, nas últimas semanas?
McQuade -Não sou “expert” em mercados financeiros, mas fico impressionado com a velocidade com que os mercados oscilam por conta de notícias ou rumores no Brasil. O Brasil é talvez o melhor instrumento financeiro para quem quer investir em mercados emergentes. Então, quando há muita pressão, os ativos brasileiros provavelmente caem mais do que deveriam e, quando as pessoas estão com bom humor, esses ativos se fortalecem.

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BANK OF AMERICA DIZ QUE NÃO VENDE O BOSTON

ÉRICA FRAGA
da Folha de S.Paulo
GUILHERME BARROS
Editor do Painel S.A. da Folha de S.Paulo

Para um banco estrangeiro, é muito difícil competir com as grandes instituições brasileiras, diz Eugene McQuade, 55, presidente do Bank of America (BofA). Apesar disso e dos problemas que a instituição norte-americana enfrentou no Brasil no passado, McQuade afirma que não pretende vender o BankBoston.

No final do ano passado, o BofA comprou o FleetBoston –controlador do BankBoston no Brasil. Desde que o anúncio foi feito, há uma onda interminável de rumores de que o novo banco não manterá a operação no Brasil. O pano de fundo dessas suspeitas é o fato de que o BofA havia anunciado, meses antes da compra do Fleet, sua decisão de deixar o país.

McQuade, executivo que veio do Fleet, afirma que o BofA não pretende se desfazer do Boston no Brasil. “Vocês verão um forte comprometimento do Bank of America com o Brasil”, disse McQuade, em entrevista exclusiva à Folha na última quinta-feira, durante uma rápida passagem pelo Brasil para apresentar aos funcionários Richard Prager, 44, o novo presidente do banco para a América Latina.

Em termos macroeconômicos, McQuade acredita que a alta dos juros nos EUA será inevitável, mas que as conseqüências disso para o Brasil não serão ruins. Isso porque tendem a ser compensadas pelos efeitos positivos, como o comércio global mais intenso, que tendem a vir com o crescimento mais robusto dos EUA.

A seguir, os principais trechos da entrevista de McQuade.

Folha – O Bank of America anunciou, no início de 2002, sua decisão de deixar o Brasil. Por isso, desde o anúncio da compra do Fleet, há fortes rumores de que o Boston seria vendido aqui. Quais são as intenções do BofA em relação ao Boston?

Eugene McQuade – O Bank of America, de forma geral, está muito comprometido com a América Latina, o que inclui o Brasil. Kenneth Lewis, que é o principal executivo do banco, pediu, como presidente, que eu, pessoalmente, supervisione as operações no Brasil. Estou envolvido com mercados emergentes na América do Sul há pelo menos 20 anos. Vocês verão um forte comprometimento do Bank of America com o Brasil. Para enfatizar isso, uma das coisas que estou fazendo nesta semana é apresentar Richard Prager como o presidente do Bank of America para a América Latina. E falando com empregados e com representantes do governo a fim de reafirmar nosso compromisso com o Brasil.

Folha – Então os rumores de venda não procedem?
McQuade – Não. Nós temos uma das mais proeminentes operações no Brasil. Com a fusão, temos a oportunidade de tornar a operação ainda mais forte e fazê-la crescer mais rapidamente do que o BankBoston conseguiria sozinho.

Folha – E em relação à Argentina?
McQuade – O mesmo. Estamos comprometidos. Disse isso a Lavagna [Roberto, ministro da Economia da Argentina] na segunda-feira [da semana passada], e aos empregados e aos clientes na terça.

Folha – O sr. poderia detalhar um pouco mais como a América Latina e o Brasil se encaixam na estratégia de negócios do BofA?
McQuade – Há três ou quatro negócios principais do BofA que associo com o Brasil. Talvez nosso maior negócio aqui sejam os grandes clientes corporativos, e isso inclui empréstimos e serviços de tesouraria. Cerca de 25% dos ganhos do banco vêm de seus grandes clientes corporativos. Uma das coisas que acho que o BofA está descobrindo é que um dos recursos mais escassos da atividade bancária é no setor corporativo da América Latina.

Folha – Há planos para mudar algo na forma de operar do Boston?
McQuade -Uma das coisas que o BofA traz para essa operação é uma produtividade mais robusta do que o Boston tinha no Brasil. Vejo isso, particularmente, nas áreas de mercado de capitais e de “investment banking”. A mudança que vejo é principalmente na capacidade de trazermos novos clientes para o Brasil. A atividade principal vai continuar parecida com a atual. A diferença serão novos produtos e clientes.

Folha – O sr. acha a atividade bancária concentrada no Brasil?
McQuade – Se você olhar para a atividade bancária pelo mundo –e no Brasil não é diferente–, há uma tendência de consolidação. O Brasil tem alguns bancos locais que são muito grandes e não há, portanto, muito mais espaço para consolidação no setor de varejo. Acho que ainda pode ocorrer alguma consolidação no setor de bancos de investimento.

Folha – Essa concentração faz com que seja difícil para um banco estrangeiro competir aqui?
McQuade -Claro. Mas também faz com que seja difícil para os bancos brasileiros competir nos Estados Unidos. O tamanho que bancos como Bradesco, Banco do Brasil, Itaú têm e a escala que eles conseguem em termos de canal de distribuição e rede e a habilidade de conseguir oferecer produtos mais baratos do que nós são as grandes vantagens, e essa é a razão pela qual tem sido difícil para o Carbone [Geraldo, presidente do Boston no Brasil] competir de forma agressiva contra eles no mercado de varejo. E é por isso que temos nos concentrado no atacado, onde acho que temos escala.

Folha – Qual é a opinião do sr. sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva?
McQuade -Minha opinião sobre as ações do governo é extremamente positiva. Tem sido uma surpresa positiva para os mercados globais o bom desempenho de Lula, Palocci [Antonio Filho, ministro da Fazenda] e Meirelles (Henrique, presidente do Banco Central). Esses senhores têm feito um trabalho extraordinário ao conquistar de volta a confiança mundial na economia brasileira.

Folha – Muitos analistas criticam o governo por ter perdido o fôlego na condução das reformas. O sr. concorda com isso?
McQuade -Acho que eles continuam a fazer um bom trabalho. Não acompanho as reformas no dia-a-dia, o debate interno que existe no país. Sei que existe um debate sobre se o dinheiro deveria estar indo mais para os programas sociais ou para o pagamento da dívida ou para a administração da taxa de câmbio. Continuo a ver ações que eles estão tomando em termos de superávit primário, gestão da taxa de câmbio, gestão da taxa de juros interna, e eles fizeram um ótimo trabalho ao evitar a inflação. Tudo isso parece estar continuando e sendo muito bem administrado.

Folha – O sr. acha que o Brasil tem fundamentos sólidos para enfrentar uma alta de juros nos EUA?
McQuade -Sim, acho que não há dúvidas de que as taxas de juros subirão nos Estados Unidos, e minha percepção é que o aumento será modesto e gradual e ainda muito propício para a expansão dos negócios. A taxa está em 1% ao ano agora e pode chegar a 2% nos próximos 12 meses, mas, em termos de média histórica, ainda será muito baixa.

Folha – Mas isso não seria prejudicial para o Brasil?
McQuade – Certamente. Quando os juros sobem, as pessoas pressupõem que isso seja negativo, mas a razão para a alta é que a economia norte-americana está crescendo fortemente e acho que isso terá efeitos positivos para o Brasil. Temos visto a redução do desemprego nos EUA, temos visto investimentos pela primeira vez em cinco anos, e continuamos a importar muitos bens.

Folha – O que o sr. acha das oscilações do mercado, principalmente no Brasil, nas últimas semanas?
McQuade -Não sou “expert” em mercados financeiros, mas fico impressionado com a velocidade com que os mercados oscilam por conta de notícias ou rumores no Brasil. O Brasil é talvez o melhor instrumento financeiro para quem quer investir em mercados emergentes. Então, quando há muita pressão, os ativos brasileiros provavelmente caem mais do que deveriam e, quando as pessoas estão com bom humor, esses ativos se fortalecem.

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