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INCERTEZA EXTERNA ELEVA OS JUROS NO MERCADO FUTURO

Valor – Sergio Lamucci De São Paulo
A turbulência externa voltou ontem a pressionar as projeções de juros, levando a taxa privada de um ano (o swap de 360 dias) a subir de 17,6% para 18,05% ao ano.
A alta do petróleo, o tombo de 11,14% da Bolsa de Bombaim, na Índia, o ataque que matou o presidente do conselho de governo do Iraque, Izzedine Salim, e os atentados a bomba a agências do HSBC na Turquia castigaram os mercados internacionais e, por tabela, o brasileiro.
Com a alta do swap de 360 dias, o juro real subiu de 11,32% na sexta para 11,74% ontem, comparando a taxa de um ano com a inflação esperada para os próximos 12 meses.
Na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), o juro real estava em 9,4%. Para alguns analistas, o Copom deve cortar a Selic no encontro de hoje e amanhã para tentar derrubar as taxas mais longas, que de fato influenciam o custo de empréstimos e financiamentos.
A instabilidade externa afetou todos os mercados. O risco-Brasil subiu 2,56%, para 722 pontos, e o dólar avançou 1,06%, fechando em R$ 3,125.
A Bolsa caiu 2,63%. Um dos principais focos de tensão foi a alta do petróleo. Em Nova York, os contratos para junho subiram 0,41%, para US$ 41,55 o barril.
Além disso, a Bolsa indiana despencou e ocorreram atentados no Iraque e na Turquia, aumentando a aversão ao risco, num quadro já marcado por incertezas quanto aos juros nos EUA.
Mesmo com toda essa turbulência, o economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon, entende que o BC deve cortar a Selic, atualmente em 16% ao ano, em 0,25 ponto percentual.
Para ele, a volatilidade que atinge os mercados é temporária. Uma redução do juro indicaria que o BC também vê a instabilidade como passageira, contribuindo para derrubar as taxas de juros mais longas, afirma ele.
Da reunião de abril para cá, o swap de 360 dias pulou de 15,4% para 18,05%, enquanto as expectativas para o IPCA em 12 meses tiveram alta discreta, de 5,48% para 5,65%.
Com isso, o juro real subiu de 9,4% para 11,74%. Não cortar a Selic acabaria sancionando parte do aumento das taxas longas, diz Salomon, acrescentando que a alta é um aperto efetivo da política monetária.
O diretor de Investimentos da Mellon Global, Eduardo Rezende, também diz que um corte da Selic pode levar a uma queda do swap de 360 dias. Ele acredita, porém, que essas taxas ainda deverão oscilar bastante até que fique claro o que vai ocorrer com os juros nos EUA.
O diretor-responsável da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa, entende que o BC deve manter a Selic num momento de muita volatilidade.
Ele lembra que, em março e abril, o Copom cortou os juros em 0,25 ponto em cada reunião, mas as taxas longas continuaram a subir. Se o dólar se mantiver pressionado, há o risco de os juros seguirem em alta, a despeito de eventual queda da Selic.
Salomon não descarta pressões de curto prazo sobre o câmbio. É possível, por exemplo, que os investidores tentem forçar para cima a cotação média de hoje, pois ela corrige os US$ 2,06 bilhões de papéis cambiais que vencem amanhã. Mesmo assim, acredita que as cotações vão se acomodar num nível mais baixo.

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INCERTEZA EXTERNA ELEVA OS JUROS NO MERCADO FUTURO

Valor – Sergio Lamucci De São Paulo

A turbulência externa voltou ontem a pressionar as projeções de juros, levando a taxa privada de um ano (o swap de 360 dias) a subir de 17,6% para 18,05% ao ano.

A alta do petróleo, o tombo de 11,14% da Bolsa de Bombaim, na Índia, o ataque que matou o presidente do conselho de governo do Iraque, Izzedine Salim, e os atentados a bomba a agências do HSBC na Turquia castigaram os mercados internacionais e, por tabela, o brasileiro.

Com a alta do swap de 360 dias, o juro real subiu de 11,32% na sexta para 11,74% ontem, comparando a taxa de um ano com a inflação esperada para os próximos 12 meses.

Na reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), o juro real estava em 9,4%. Para alguns analistas, o Copom deve cortar a Selic no encontro de hoje e amanhã para tentar derrubar as taxas mais longas, que de fato influenciam o custo de empréstimos e financiamentos.

A instabilidade externa afetou todos os mercados. O risco-Brasil subiu 2,56%, para 722 pontos, e o dólar avançou 1,06%, fechando em R$ 3,125.

A Bolsa caiu 2,63%. Um dos principais focos de tensão foi a alta do petróleo. Em Nova York, os contratos para junho subiram 0,41%, para US$ 41,55 o barril.

Além disso, a Bolsa indiana despencou e ocorreram atentados no Iraque e na Turquia, aumentando a aversão ao risco, num quadro já marcado por incertezas quanto aos juros nos EUA.

Mesmo com toda essa turbulência, o economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon, entende que o BC deve cortar a Selic, atualmente em 16% ao ano, em 0,25 ponto percentual.

Para ele, a volatilidade que atinge os mercados é temporária. Uma redução do juro indicaria que o BC também vê a instabilidade como passageira, contribuindo para derrubar as taxas de juros mais longas, afirma ele.

Da reunião de abril para cá, o swap de 360 dias pulou de 15,4% para 18,05%, enquanto as expectativas para o IPCA em 12 meses tiveram alta discreta, de 5,48% para 5,65%.

Com isso, o juro real subiu de 9,4% para 11,74%. Não cortar a Selic acabaria sancionando parte do aumento das taxas longas, diz Salomon, acrescentando que a alta é um aperto efetivo da política monetária.

O diretor de Investimentos da Mellon Global, Eduardo Rezende, também diz que um corte da Selic pode levar a uma queda do swap de 360 dias. Ele acredita, porém, que essas taxas ainda deverão oscilar bastante até que fique claro o que vai ocorrer com os juros nos EUA.

O diretor-responsável da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa, entende que o BC deve manter a Selic num momento de muita volatilidade.

Ele lembra que, em março e abril, o Copom cortou os juros em 0,25 ponto em cada reunião, mas as taxas longas continuaram a subir. Se o dólar se mantiver pressionado, há o risco de os juros seguirem em alta, a despeito de eventual queda da Selic.

Salomon não descarta pressões de curto prazo sobre o câmbio. É possível, por exemplo, que os investidores tentem forçar para cima a cotação média de hoje, pois ela corrige os US$ 2,06 bilhões de papéis cambiais que vencem amanhã. Mesmo assim, acredita que as cotações vão se acomodar num nível mais baixo.

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