CNB/CUT
(São Paulo) O Itaú, instituição financeira que registrou o maior lucro na história dos bancos no Brasil, está cobrando pela manutenção das agências pioneiras em 58 municípios de Minas Gerais.
As prefeituras teriam que pagar o entre R$ 7 mil a R$ 20 mil, o que equivaleria a até 20% da cota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) arrecadado pelo município.
Nesse percentual já estariam inclusas as despesas com aluguel e contas de consumo dos imóveis ocupados pelo Itaú.
As pioneiras são provenientes do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), privatizado em 1998.
Em 105 cidades mineiras, as agências do Itaú/Bemge são o único canal de atendimento bancário à disposição de uma população de 600 mil pessoas, que poderão ficar sem os serviços bancários.
Em muitas cidades, o Bemge é o único ponto de atendimento bancário. Se as agências anunciadas forem fechadas, mais de 200 trabalhadores irão perder o emprego. Até o momento, 25 agências foram extintas.
O banco recuou da decisão de fechar as 58 agências pioneiras, em função de audiência pública realizada na Assembléia Legislativa no último dia 11 de maio, e também pela mobilização do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte, que em 14 de maio esteve reunido com a Secretaria de Estado da Fazenda e a diretoria do banco.
A próxima audiência pública ocorre nesta quinta-feira, 3 de junho.
O integrante da Comissão de Organização dos Funcionários do Itaú e também membro da Executiva Nacional dos Bancários, Ted Silvino Ferreira, informa que o Sindicato terá voz na audiência na AL desta semana.
“Estamos em contato com os prefeitos, associação de municípios na defesa dos empregos e no combate à precarização do atendimento bancário”.
O dirigente acrescenta que o governo do stado de Minas “está fazendo corpo mole” na resolução do caso.
A CNB/CUT condena a prática do Itaú.
“Sempre denunciamos as privatizações que demitem chefes de família e aumentam o desemprego”, afirma o secretário-geral da CNB/CUT, Carlos Cordeiro.
De acordo com o dirigente, o Itaú está sendo irresponsável ao não permitir que comunidades inteiras tenham acesso aos serviços bancários, e para isso precisem viajar até 160 quilômetros para chegar à agência mais próxima.
A CNB/CUT irá reunir 1.200 bancários na Conferência Nacional, entre os dias 5 e 8 de junho. Cordeiro diz que o assunto poderá ser colocado em pauta.
“A partir disso poderemos fazer com que 150 sindicatos de todo o país se mobilizem contra essa irresponsabilidade do Itaú”.
O secretário-geral da CNB enfatiza que não é papel das prefeituras remunerar o banco, e sim o banco recolher impostos.
“Está totalmente desproporcional essa lógica. O Itaú Holding lucrou somente em 2003, R$ 3,152 bilhões, registrando o maior lucro da história dos bancos no Brasil”.
O Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte juntamente com a Associação Mineira dos Municípios estão trabalhando na formação de uma comissão em conjunto com a secretaria da Fazenda e Assembléia Legislativa para mediar a resolução do impasse com o banco.
O Itaú paga os salários de quase 600 mil servidores públicos e centraliza a arrecadação tributária estadual que chegou perto de R$ 10,8 bilhões no ano passado.
O Sindicato assinala que as 25 agências fechadas estavam com o balanço no azul. Com o encerramento dessas agências, 96.689 habitantes ficaram sem acesso ao serviço bancário.
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