Valor Econômico – Mônica Izaguirre De Brasília
A oferta de moeda estrangeira no mercado primário de câmbio superou a demanda em US$ 1,577 bilhão em maio, segundo informou ontem o Banco Central.
Embora inferior ao de abril (que chegou a US$ 2,635 bilhões), o superávit cambial do mês passado elevou a um volume recorde a posição de câmbio do sistema financeiro.
Fechado o movimento de 31 de maio, os bancos estavam liquidamente comprados – isto é, com dólares já em carteira ou a receber – no montante de US$ 3,047 bilhões.
Essa é a maior posição cambial comprada do sistema desde o início da série histórica disponibilizada no site do BC na internet, que traz dados desde janeiro de 1994.
De fevereiro de 2002 até março deste ano, os bancos fecharam todos os meses vendidos em câmbio, ou seja, com um saldo de moeda estrangeira a entregar maior do que o a receber.
Em abril, a combinação de superávit cambial com a ausência do Banco Central no mercado interbancário já tinha virado esse quadro, fazendo com que a posição líquida do sistema em câmbio fechasse o mês comprada em US$ 1,206 bilhão.
Em maio, como sobrou dólar de novo e o BC mais uma vez não comprou o excesso, as instituições encarteiraram ainda mais moeda estrangeira.
O BC não tem entrado como comprador no mercado cambial interbancário, apesar das sobras, por entender que isso aumentaria a volatilidade da taxa de câmbio – já afetada pelo cenário externo desfavorável nas últimas semanas.
Uma regra baixada pela autoridade monetária em maio de 1999, a fim de inibir a especulação, limita a posição comprada individual de cada banco.
O que excede ao teto é obrigatoriamente depositado no BC, sem direito a qualquer remuneração. Somados, esses limites individuais hoje permitem ao conjunto das instituições ficar, no máximo, com US$ 799 milhões.
Portanto, a parcela da carteira do sistema sem remuneração no BC, que já estava em pelo menos de US$ 407 milhões no final de abril, subiu no mínimo para US$ 2,248 bilhões em maio.
Fontes do governo ouvidas pelo Valor acham difícil explicar por quê, apesar dessa restrição, os bancos se dispuseram a continuar comprando moeda estrangeira da clientela e, ainda por cima, a preços mais altos, já que a taxa de câmbio subiu nos últimos dois meses.
Há quem veja nisso uma postura defensiva do sistema financeiro diante do atual cenário. Os bancos poderiam estar buscando se proteger contra uma desvalorização maior do real.
Por outro lado, as instituições podem apenas estar refletindo demanda da clientela por “hedge” cambial.
A carteira de câmbio à vista pode estar liquidamente comprada apenas para compensar posições cambiais vendidas em outros mercados e em outros instrumentos (swap e mercado futuro, por exemplo), pondera um funcionário da área econômica.
Como em abril, em maio o superávit cambial foi novamente garantido pelos exportadores, que ofertaram aos bancos US$ 9,207 bilhões, volume recorde para um mês.
A diferença em relação ao que foi vendido pelas instituições para pagamento de importações também foi recorde, chegando a US$ 5,18 bilhões.
A contratação de câmbio para operações financeiras gerou déficit de US$ 3,446 bilhões em maio, saldo negativo superior ao de abril, de US$ 2,207 bilhões.
As saídas líquidas via contas de não-residentes (CC5 ) também aumentaram, de US$ 140 milhões para US$ 158 milhões.
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