Valor – Maria Christina Carvalho De São Paulo
Como chegar ao cliente de baixa renda foi uma das principais questões discutidas, ontem, no segundo dia do Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (Ciab).
Afinal, a população que ganha até 3 salários mínimos soma 115 milhões de pessoas ou 65% do total.
O Banco Popular do Brasil (BPB), braço do Banco do Brasil (BB) para as operações com a baixa renda, que começou a operar neste ano, aposta que o meio mais eficiente e barato é o correspondente bancário.
O BPB tem um modelo: mexicano Banco Azteca, que entrou em operação em outubro de 2002, instalado nas 850 lojas do seu controlador, o grupo de varejo Elektra, e, já tem 4 milhões de contas correntes e 850 mil de poupança.
Os especialistas da consultoria DTS Consulting acreditam, porém, que a máquina pode fazer esse papel, especialmente se a rede for compartilhada para reduzir os custos, como propõe a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
O presidente do BPB, Ivan Guimarães, pôs a discussão na ponta do lápis ao informar que o custo total de uma transação feita na máquina é de R$ 1,50 e o da realizada pelo correspondente, é um terço disso, R$ 0,50.
O BPB foi aprovado em fevereiro e começou a funcionar em projeto piloto com 25 correspondentes nas regiões metropolitanas de Brasília, Recife e São Paulo; e, até o final do mês, estará em mais 400 pontos no Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A meta do BPB é ter 6 milhões de clientes e uma carteira de R$ 400 milhões de crédito em quatro anos.
Até o final do ano, o investimento chegará a R$ 97,5 milhões e o equilíbrio deve ser alcançado em 26 meses, o dobro do tempo que o Azteca levou.
Guimarães observou que os custos do banco mexicano são menores porque usa as lojas do próprio grupo.
Para Guimarães, há a tendência de os grandes bancos procurarem as redes de varejo para crescer com custos menores.
Foi o que o Unibanco fez ao selar parcerias com o Magazine Luiza e o Ponto Frio. Uma rede de varejo famosa por financiar as próprias vendas e ser cobiçada pelos bancos é a Casas Bahia.
Outra experiência é a da Caixa Econômica Federal, que também está trabalhando na bancarização da população de baixa renda também através dos correspondentes, no caso, as lotéricas.
Guimarães disse que a estratégia do BPB foi montada depois do estudo de vários modelos de operações financeiras para a baixa renda, como o Grameen Bank, de Bangladesh, considerado a mais bem sucedida operação de microcrédito do mundo.
“Descobrimos que a baixa renda brasileira tem acesso a produtos financeiros mas não fornecidos por bancos e sim pelo varejo”, disse Guimarães.
Outro desafio é a ausência de comprovante de renda desse público, que constitui critério básico para a concessão de crédito formal pelos bancos; e também da regularidade de pagamentos.
“O segredo para ter sucesso junto a esse público é ser flexível”, disse o presidente do BPB.
Já a DTS acredita que o compartilhamento da rede de 128,7 mil máquinas de auto-atendimento é a estratégia para baratear custos e chegar à população não bancarizada.
Desse total, 94 mil máquinas contam de fato porque são multifuncionais ou pelos menos permitem saques de dinheiro.
O presidente da DTS, Fernando Parra, calcula que “o compartilhamento permitirá dobrar a cobertura regional da rede”.
Segundo estudo divulgado ontem pela DTS no Ciab, o Brasil tem 8 ATMs por 100 quilômetros quadrados em comparação com 36 nos Estados Unidos e 167 no Reino Unido.
São 401 ATMs por 1 milhão de habitantes no Brasil e 1,2 mil nos EUA e 682 no Reino Unido.
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