Folha de S.Paulo
(São Paulo) Desta vez, a expectativa do mercado financeiro para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que será realizada entre amanhã e quarta-feira, é unânime: os juros básicos devem continuar em 16% anuais, segundo analistas.
Muitos economistas afirmam que os juros devem cair apenas um ponto percentual até dezembro e encerrar 2004 em 15% ao ano. Novos cortes, para boa parte dos analistas de bancos e corretoras, só devem ocorrer a partir de agosto ou setembro, quando deverão estar mais claros os cenários internacional e doméstico.
“Nessa época, ficará claro com que velocidade o Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] elevará os juros, quais os preços do petróleo e os efeitos sobre o dólar. Então, poderá haver quedas mensais de 0,25 ponto percentual”, diz Adauto Lima, economista do West LB.
A possível decisão de manter a Selic não deve causar grande impacto pelo fato de já ser esperada, segundo analistas. “É a confirmação de um consenso de mercado”, diz Alexandre Bassoli, economista-chefe do HSBC. Apesar da manutenção dos juros na reunião passada do Copom, os juros reais caíram entre maio e junho.
“Os juros nominais subiram pouco, mas as expectativas de inflação subiram muito nas quatro últimas semanas. Houve queda dos juros reais por essa má razão, a alta das projeções de inflação”, diz Alexandre Póvoa, da Modal Asset Management.
Juros reais – Segundo economistas, os juros reais que importam para investidores são medidos pelos juros nominais de um ano (“swap” de 360 dias), divididos pela expectativa de inflação para 12 meses.
O CPI (Consumer Price Index), índice de inflação americano, que deve ser divulgado amanhã, pode tranqüilizar os mercados, se vier abaixo ou no piso das expectativas. “Se isso ocorrer, os juros reais podem cair por uma boa razão, a queda dos juros nominais de um ano [“swap” de 360 dias], e não pela alta da inflação”, diz Póvoa.
A inflação é a principal razão para justificar a manutenção dos juros, segundo analistas do mercado financeiro.
Expectativa – A inflação corrente está um pouco mais alta, e a expectativa subiu no último mês tanto para o curto prazo como para 2004 e para 2005. A previsão do IPCA –que baliza a política monetária– cresceu para 6,59% neste ano e está em 5,37% para 2005.
As incertezas no cenário externo e a volatilidade dos mercados _que levaram o BC a não mexer na taxa de juros no mês passado_ continuam presentes. O risco-país e o câmbio mudaram de patamar e ainda oscilam muito. Os preços do petróleo ainda não se acomodaram claramente.
No mercado futuro, nos juros mais longos, a partir de outubro, há até prêmio de risco maior para possibilidade de alta no futuro. Os contratos são negociados acima de 16%, o que embute possibilidade de alta da taxa Selic.
“O que se discute é qual a probabilidade de o BC vir a ser forçado a elevar taxas de juros ao longo do tempo”, afirma Bassoli.
Deixe um comentário