A saudita Rania Al-Baz se torna símbolo de luta contra a violência de gênero em uma sociedade islâmica
Em maio, o Estado de São Paulo reproduziu matéria da Newsweek sobre a saudita Rania Al-Baz que, após apanhar do marido, permitiu que sua foto fosse publicada pela imprensa de seu país e, desde então, tem alertado mulheres sobre seus direitos. Em junho, após a grande repercussão do caso na imprensa internacional, os outros jornais/revistas monitorados passaram a divulgar o caso, retratando a punição do marido agressor.
A história de Rania Al-Baz
Segundo os jornais, Rania, 29 anos, que trabalha para a TV estatal Saudi Channel One, é uma das poucas mulheres que apresentam telejornais na Arábia Saudita. Rania é uma celebridade em seu país, onde muitas mulheres não têm permissão de mostrar seu rosto em público.
Rania contou que em um domingo à noite, seus filhos dormiam e ela e seu marido discutiam. Então, “ele me jogou contra a parede e bateu minha cabeça no chão. Ele falou para eu dizer o Shahadah (a prece muçulmana para os ritos finais) porque eu ia morrer. Eu disse e desmaiei. Lembro de ter acordado no hospital”.
Rania sofreu 13 fraturas na face e foi submetida a 12 delicadas cirurgias.
A Arábia Saudita como uma sociedade islâmica melhor
Segundo a matéria do Estadão, a condição de Rania e seu protesto são emblemáticos de uma luta mais ampla para tornar a Arábia Saudita uma sociedade islâmica melhor, com leis mais igualitárias.
O Estado de São Paulo informou que uma pesquisa com mais de 15 mil homens e mulheres sauditas, conduzida no ano passado com fundos do governo, sugeriu que uma grande maioria silenciosa apóia as reformas promovidas pelo príncipe Abdullah, incluindo esforços para dar às mulheres mais direitos legais, como carteira de motorista, e alguns passos no sentido de fazê-las participar das eleições municipais. A história de Rania chegou aos jornais no momento em que os reformistas precisavam de alguma inspiração. “A mensagem que quero dar é ‘não para a violência’”, declarou Rania.
Marido é condenado a prisão e chibatadas
No dia 01, os jornais publicaram a condenação do marido de Rania, Mohammed Bakr al-Fallatta, a seis meses de prisão e 300 chibatadas supervisionadas por um juiz. Fallatta, um cantor desempregado, se entregou à polícia duas semanas após a agressão. Segundo os jornais, ele teve seu indiciamento inicial de tentativa de homicídio mudado para lesão corporal grave. Agora, Rania está pedindo na Justiça o divórcio e a guarda dos três filhos, um deles testemunhou a agressão sofrida pela mãe.
De acordo com o jornais, pela Sharia (a lei islâmica, extraída do Alcorão), ela ainda tem direito a entrar com outra ação, de indenização pelo sofrimento. Nesse caso, Fallatta poderia ser condenado a pagar uma indenização ou a receber uma surra equivalente à que deu na mulher.
Conservadorismo religioso acarreta em morte de mulheres
A Veja do dia 02 de junho, ao retratar o caso de Rania, traçou um panorama da situação da mulher na Arábia Saudita e ressaltou que, há dois anos, durante um incêndio numa escola feminina, os policias impediram que as meninas deixassem o prédio por estarem sem o véu. Quinze adolescentes morreram carbonizadas.
No dia 13, novamente o Estado de São Paulo reproduziu matéria do Los Angeles Times que denunciou os maus-tratos e estupros sofridos por prisioneiras de Abu Ghraib, em Bagdá. Um relatório do Exército americano, sobre os abusos na prisão, documentou o caso de um guarda americano que abusou sexualmente de uma detenta. Um porta-voz do pentágono disse que 1.200 imagens não divulgadas de agressão em Abu Ghraib incluíam “comportamento impróprio de natureza sexual”.
Segundo a matéria, as prisioneiras esperam graves perspectivas depois de serem libertadas: desprezo, isolamento e até morte. No islamismo, uma mulher que é estuprada traz vergonha para a família. O jornal informou que, em vários casos, vítimas de estupro são mortas pelos parentes para salvar a honra da família, embora ressalte que não haja provas de que isso esteja acontecendo com ex-prisioneiras no Iraque.
De acordo com o Estadão, várias detidas são mulheres ou parentes de altos funcionários do Partido Baath ou de suspeitos rebeldes. Oficiais do Exército americano reconheceram que detiveram essas mulheres na esperança de convencer seus parentes a dar informações.
O Correio Braziliense do dia 16 de junho retratou o drama das afegãs que, mesmo com o fim do regime talibã, chegam a atear fogo no próprio corpo para se livrarem do marido. O jornal relatou a história de Zahara, 19 anos, que se encharcou com combustível e ateou fogo ao corpo para se ver livre das surras e das torturas psicológicas do marido. A matéria ressaltou que Zahara teve sorte, não só por ter sobrevivido às queimaduras, que atingiram 60% do seu corpo, mas por se mudar para o Irã com os pais.
Segundo o jornal, mesmo com a promulgação da Constituição, em janeiro de 2004, que garante os direitos femininos, a voz do líder foragido Osama bin Laden ainda ressoa no ouvido de seus seguidores. Aparentemente livre de um governo fundamentalista, o Afeganistão continua escravo de uma cultura de discriminação que atinge, principalmente, as mulheres. A Comissão Independente de Direitos Humanos do país divulgou que, só no ano passado, foram registrados 110 casos de auto-imolação feminina.
Fonte: Saúde Reprodutiva on line
Notícias recentes
Comentários
Por Mhais• 14 de junho de 2004• 15:53• Sem categoria
MUÇULMANA, NA LUTA CONTRA VIOLÊNCIA DE GÊNERO
A saudita Rania Al-Baz se torna símbolo de luta contra a violência de gênero em uma sociedade islâmica
Em maio, o Estado de São Paulo reproduziu matéria da Newsweek sobre a saudita Rania Al-Baz que, após apanhar do marido, permitiu que sua foto fosse publicada pela imprensa de seu país e, desde então, tem alertado mulheres sobre seus direitos. Em junho, após a grande repercussão do caso na imprensa internacional, os outros jornais/revistas monitorados passaram a divulgar o caso, retratando a punição do marido agressor.
A história de Rania Al-Baz
Segundo os jornais, Rania, 29 anos, que trabalha para a TV estatal Saudi Channel One, é uma das poucas mulheres que apresentam telejornais na Arábia Saudita. Rania é uma celebridade em seu país, onde muitas mulheres não têm permissão de mostrar seu rosto em público.
Rania contou que em um domingo à noite, seus filhos dormiam e ela e seu marido discutiam. Então, “ele me jogou contra a parede e bateu minha cabeça no chão. Ele falou para eu dizer o Shahadah (a prece muçulmana para os ritos finais) porque eu ia morrer. Eu disse e desmaiei. Lembro de ter acordado no hospital”.
Rania sofreu 13 fraturas na face e foi submetida a 12 delicadas cirurgias.
A Arábia Saudita como uma sociedade islâmica melhor
Segundo a matéria do Estadão, a condição de Rania e seu protesto são emblemáticos de uma luta mais ampla para tornar a Arábia Saudita uma sociedade islâmica melhor, com leis mais igualitárias.
O Estado de São Paulo informou que uma pesquisa com mais de 15 mil homens e mulheres sauditas, conduzida no ano passado com fundos do governo, sugeriu que uma grande maioria silenciosa apóia as reformas promovidas pelo príncipe Abdullah, incluindo esforços para dar às mulheres mais direitos legais, como carteira de motorista, e alguns passos no sentido de fazê-las participar das eleições municipais. A história de Rania chegou aos jornais no momento em que os reformistas precisavam de alguma inspiração. “A mensagem que quero dar é ‘não para a violência’”, declarou Rania.
Marido é condenado a prisão e chibatadas
No dia 01, os jornais publicaram a condenação do marido de Rania, Mohammed Bakr al-Fallatta, a seis meses de prisão e 300 chibatadas supervisionadas por um juiz. Fallatta, um cantor desempregado, se entregou à polícia duas semanas após a agressão. Segundo os jornais, ele teve seu indiciamento inicial de tentativa de homicídio mudado para lesão corporal grave. Agora, Rania está pedindo na Justiça o divórcio e a guarda dos três filhos, um deles testemunhou a agressão sofrida pela mãe.
De acordo com o jornais, pela Sharia (a lei islâmica, extraída do Alcorão), ela ainda tem direito a entrar com outra ação, de indenização pelo sofrimento. Nesse caso, Fallatta poderia ser condenado a pagar uma indenização ou a receber uma surra equivalente à que deu na mulher.
Conservadorismo religioso acarreta em morte de mulheres
A Veja do dia 02 de junho, ao retratar o caso de Rania, traçou um panorama da situação da mulher na Arábia Saudita e ressaltou que, há dois anos, durante um incêndio numa escola feminina, os policias impediram que as meninas deixassem o prédio por estarem sem o véu. Quinze adolescentes morreram carbonizadas.
No dia 13, novamente o Estado de São Paulo reproduziu matéria do Los Angeles Times que denunciou os maus-tratos e estupros sofridos por prisioneiras de Abu Ghraib, em Bagdá. Um relatório do Exército americano, sobre os abusos na prisão, documentou o caso de um guarda americano que abusou sexualmente de uma detenta. Um porta-voz do pentágono disse que 1.200 imagens não divulgadas de agressão em Abu Ghraib incluíam “comportamento impróprio de natureza sexual”.
Segundo a matéria, as prisioneiras esperam graves perspectivas depois de serem libertadas: desprezo, isolamento e até morte. No islamismo, uma mulher que é estuprada traz vergonha para a família. O jornal informou que, em vários casos, vítimas de estupro são mortas pelos parentes para salvar a honra da família, embora ressalte que não haja provas de que isso esteja acontecendo com ex-prisioneiras no Iraque.
De acordo com o Estadão, várias detidas são mulheres ou parentes de altos funcionários do Partido Baath ou de suspeitos rebeldes. Oficiais do Exército americano reconheceram que detiveram essas mulheres na esperança de convencer seus parentes a dar informações.
O Correio Braziliense do dia 16 de junho retratou o drama das afegãs que, mesmo com o fim do regime talibã, chegam a atear fogo no próprio corpo para se livrarem do marido. O jornal relatou a história de Zahara, 19 anos, que se encharcou com combustível e ateou fogo ao corpo para se ver livre das surras e das torturas psicológicas do marido. A matéria ressaltou que Zahara teve sorte, não só por ter sobrevivido às queimaduras, que atingiram 60% do seu corpo, mas por se mudar para o Irã com os pais.
Segundo o jornal, mesmo com a promulgação da Constituição, em janeiro de 2004, que garante os direitos femininos, a voz do líder foragido Osama bin Laden ainda ressoa no ouvido de seus seguidores. Aparentemente livre de um governo fundamentalista, o Afeganistão continua escravo de uma cultura de discriminação que atinge, principalmente, as mulheres. A Comissão Independente de Direitos Humanos do país divulgou que, só no ano passado, foram registrados 110 casos de auto-imolação feminina.
Fonte: Saúde Reprodutiva on line
Deixe um comentário