Ênio Vieira – O Globo
Globo Online
GOIÂNIA – Os bancos calculam que 45 milhões de brasileiros não têm acesso a serviços financeiros e podem ser o público-alvo do microcrédito no país.
No entanto, nada indica que esse público-alvo será beneficiado com uma maior oferta de crédito, porque, atualmente, os bancos sequer cumprem a determinação do governo para que apliquem 2% dos depósitos à vista em empréstimos populares.
O Bradesco, por exemplo, abriu 1,8 milhão de contas simplificadas em seu Banco Postal, que funciona em agências dos Correios, sendo 59% delas com valores de até R$ 240, desde o ano passado.
Na Caixa Econômica Federal, que tem pontos de atendimento em lotéricas, as contas simplificadas alcançaram também 1,8 milhão.
Esses dados foram divulgados nesta terça-feira no Terceiro Seminário de Microfinanças do Banco Central.
Os dirigentes de bancos disseram que apostam no crescimento da oferta de produtos financeiros para baixa renda e em locais onde existem poucos serviços à disposição da população.
– Estamos com 4,895 mil pontos do Banco Postal. Qualquer cliente dele pode usar os serviços para atendimento no Bradesco.
A maioria dos sem bancos está em grandes centros urbanos – disse o diretor-executivo do Banco Postal do Bradesco, Odair Afonso Rebelato.
Para o microcrédito nos bancos, um dos entraves está no cadastro negativo dos clientes de contas simplificadas.
O diretor-geral do Lemon Bank, Michael Esrulbilsky, disse que o registro do nome nos serviços de proteção ao crédito impede a liberação de recursos.
Mas, segundo ele, o crédito não é a principal demanda dos clientes. A maioria das pessoas se interessa em saber se tem os recursos à disposição em casos de emergência. Ou seja, não precisa sacá-los de imediato.
O Lemon atua preferencialmente em lojas comerciais, quiosques próprios e pequenas agências, contando hoje com 3,541 mil pontos de atendimento em locais que não há qualquer oferta de serviços.
Um dos principais produtos é o pagamento de boletos como telefone e energia.
– Instalamos nossos pontos onde está a periferia das cidades e onde não foi explorado por nenhum banco antes – afirmou Esrulbilsky.
Para o ex-presidente do BC e consultor Gustavo Loyola, o microcrédito deve ser visto como uma política específica para atender determinados segmentos de baixa renda e não a solução dos problemas de crédito no país.
Segundo ele, a relação entre volume de crédito pelo Produto Interno Bruto (PIB) está ainda abaixo de 30%, o que é um valor menor que o padrão internacional.
Dentro da exigência de se aplicar pelo menos 2% dos depósitos à vista (contas-correntes) em microcrédito, por exemplo, os bancos estão abaixo do potencial de R$ 1,2 bilhão e emprestaram apenas R$ 200 milhões desde agosto de 2003.
No Bradesco, essas operações somaram R$ 71 milhões. O governo estuda maneiras de os bancos aplicarem efetivamente esses recursos.
– O microcrédito é importante para alguns segmentos. Sozinho, não resolve os problemas do crédito na economia brasileira – disse Gustavo Loyola.
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Por Mhais• 16 de junho de 2004• 10:07• Sem categoria
BANCOS CALCULAM QUE 45 MILHÕES DE BRASILEIROS NÃO TÊM ACESSO A SERVIÇOS FIN
Ênio Vieira – O Globo
Globo Online
GOIÂNIA – Os bancos calculam que 45 milhões de brasileiros não têm acesso a serviços financeiros e podem ser o público-alvo do microcrédito no país.
No entanto, nada indica que esse público-alvo será beneficiado com uma maior oferta de crédito, porque, atualmente, os bancos sequer cumprem a determinação do governo para que apliquem 2% dos depósitos à vista em empréstimos populares.
O Bradesco, por exemplo, abriu 1,8 milhão de contas simplificadas em seu Banco Postal, que funciona em agências dos Correios, sendo 59% delas com valores de até R$ 240, desde o ano passado.
Na Caixa Econômica Federal, que tem pontos de atendimento em lotéricas, as contas simplificadas alcançaram também 1,8 milhão.
Esses dados foram divulgados nesta terça-feira no Terceiro Seminário de Microfinanças do Banco Central.
Os dirigentes de bancos disseram que apostam no crescimento da oferta de produtos financeiros para baixa renda e em locais onde existem poucos serviços à disposição da população.
– Estamos com 4,895 mil pontos do Banco Postal. Qualquer cliente dele pode usar os serviços para atendimento no Bradesco.
A maioria dos sem bancos está em grandes centros urbanos – disse o diretor-executivo do Banco Postal do Bradesco, Odair Afonso Rebelato.
Para o microcrédito nos bancos, um dos entraves está no cadastro negativo dos clientes de contas simplificadas.
O diretor-geral do Lemon Bank, Michael Esrulbilsky, disse que o registro do nome nos serviços de proteção ao crédito impede a liberação de recursos.
Mas, segundo ele, o crédito não é a principal demanda dos clientes. A maioria das pessoas se interessa em saber se tem os recursos à disposição em casos de emergência. Ou seja, não precisa sacá-los de imediato.
O Lemon atua preferencialmente em lojas comerciais, quiosques próprios e pequenas agências, contando hoje com 3,541 mil pontos de atendimento em locais que não há qualquer oferta de serviços.
Um dos principais produtos é o pagamento de boletos como telefone e energia.
– Instalamos nossos pontos onde está a periferia das cidades e onde não foi explorado por nenhum banco antes – afirmou Esrulbilsky.
Para o ex-presidente do BC e consultor Gustavo Loyola, o microcrédito deve ser visto como uma política específica para atender determinados segmentos de baixa renda e não a solução dos problemas de crédito no país.
Segundo ele, a relação entre volume de crédito pelo Produto Interno Bruto (PIB) está ainda abaixo de 30%, o que é um valor menor que o padrão internacional.
Dentro da exigência de se aplicar pelo menos 2% dos depósitos à vista (contas-correntes) em microcrédito, por exemplo, os bancos estão abaixo do potencial de R$ 1,2 bilhão e emprestaram apenas R$ 200 milhões desde agosto de 2003.
No Bradesco, essas operações somaram R$ 71 milhões. O governo estuda maneiras de os bancos aplicarem efetivamente esses recursos.
– O microcrédito é importante para alguns segmentos. Sozinho, não resolve os problemas do crédito na economia brasileira – disse Gustavo Loyola.
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