Maria Christina Carvalho | Valor Econômico
SÃO PAULO – Apesar da queda de 10,5 pontos percentuais dos juros desde o pico de fevereiro de 2003, de 26,5% para os 16% atuais, o sistema financeiro conseguiu aumentar o lucro líquido no início deste ano.
Raras foram as exceções e elas parecem se concentrar em bancos estrangeiros com atuação seletiva ou quase inexistente no varejo bancário.
O lucro líquido do sistema financeiro aumentou 17%, de R$ 4,75 bilhões no primeiro trimestre de 2003 para R$ 5,56 bilhões nos primeiros três meses deste ano, de acordo com o levantamento divulgado pelo Banco Central (BC). A rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido ficou exatamente igual, em 17,8%.
Enquanto a receita de títulos e valores mobiliários do sistema financeiro despencou, deprimida pela redução dos juros, a de crédito conseguiu crescer, impulsionada pelo aumento das carteiras.
A receita de títulos encolheu 29,9%, passando de R$ 22,976 bilhões para R$ 17,707 bilhões.
Já a de crédito aumentou 4,8%, de R$ 27,274 bilhões, garantida pela expansão de 14,6% da carteira, de R$ 363,647 bilhões para R$ 416,896 bilhões.
As despesas financeiras também caíram, de modo que a margem – resultado bruto da intermediação financeira mais provisões para devedores duvidosos – cresceu 3,8%, de R$ 22,224 bilhões para R$ 23,08 bilhões.
Mas, em relação aos ativos que rendem juros (excluindo o permanente), a margem anualizada teve uma pequena queda, de 7,6% para 7,2%.
O aumento de nada menos que 22% das receitas de serviços, de R$ 6,456 bilhões para R$ 7,786 bilhões, foi outro destaque do levantamento divulgado pelo BC.
E, pela primeira vez, a receita de serviços empatou com as despesas de pessoal, que somaram R$ 7,88 bilhões.
Alguns bancos estrangeiros que não atuam no grande varejo não estão com resultados tão bons. O Citibank perdeu R$ 231,402 milhões no primeiro trimestre, mais do que o prejuízo de R$ 146,349 milhões registrado em todo o ano passado.
Depois de perder R$ 87,580 milhões em 2003, o Deutsche Bank teve prejuízo de R$ 40,077 milhões no primeiro trimestre.
O Bank of America (BofA), que teve prejuízo de R$ 153,415 milhões em 2003, continuou no vermelho neste ano com R$ 92,859 milhões de resultado negativo.
Já o BankBoston, que o BofA recentemente adquiriu, continua no azul: teve um lucro líquido de R$ 63,119 milhões no primeiro trimestre e R$ 518,034 milhões em 2003.
O Deutsche Bank preferiu não comentar o assunto. Mas, o Citibank atribuiu as perdas a peculiaridades da contabilidade brasileira e garantiu que os resultados continuam excelentes, do ponto de vista da matriz, que deu sinal verde para novas expansões da rede.
O controller do Citi, Alberto Ferreira, afirmou que o balanço de 2003 e do primeiro trimestre deste ano do banco ” refletem perdas e ganhos dependendo dos rumos do câmbio ” .
Em relação a este ano, um outro fator contábil teve forte influência: a baixa para perda de um volume significativo de créditos tributários.
Mas, em dólares, não houve impacto contábil algum e os resultados foram bons, disse Ferreira.
O executivo explicou não poder divulgar os dados do primeiro trimestre referentes apenas ao Brasil por causa da política do banco junto à Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM americana, de informar os dados de forma regional.
Segundo nota enviada pelo banco ao Valor, ” a performance do Citigroup no Brasil, vista sob o prisma da matriz e de acordo com as normas contábeis americanas foi uma das melhores da história do Citigroup no país ” .
A nota fala que o banco manteve a posição de liderança nos segmentos de atacado e de operações de tesouraria; e acelerou o crescimento na área de pessoa física com o lançamento da financeira do grupo, a Citifinancial.
A matriz deu sinal verde para a inauguração de 12 novas agências do banco neste ano – três já abertas, duas no Rio e uma em São Paulo – e mais 12 no próximo.
Além disso, a Citifinancial, que já tem onze lojas, abrirá mais 17 neste ano e 40 no próximo, até atingir 100 lojas em três anos, com operações de crédito pessoal e CDC.
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Por Mhais• 16 de junho de 2004• 12:06• Sem categoria
LUCRO DO SETOR FINANCEIRO CRESCE 17%
Maria Christina Carvalho | Valor Econômico
SÃO PAULO – Apesar da queda de 10,5 pontos percentuais dos juros desde o pico de fevereiro de 2003, de 26,5% para os 16% atuais, o sistema financeiro conseguiu aumentar o lucro líquido no início deste ano.
Raras foram as exceções e elas parecem se concentrar em bancos estrangeiros com atuação seletiva ou quase inexistente no varejo bancário.
O lucro líquido do sistema financeiro aumentou 17%, de R$ 4,75 bilhões no primeiro trimestre de 2003 para R$ 5,56 bilhões nos primeiros três meses deste ano, de acordo com o levantamento divulgado pelo Banco Central (BC). A rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido ficou exatamente igual, em 17,8%.
Enquanto a receita de títulos e valores mobiliários do sistema financeiro despencou, deprimida pela redução dos juros, a de crédito conseguiu crescer, impulsionada pelo aumento das carteiras.
A receita de títulos encolheu 29,9%, passando de R$ 22,976 bilhões para R$ 17,707 bilhões.
Já a de crédito aumentou 4,8%, de R$ 27,274 bilhões, garantida pela expansão de 14,6% da carteira, de R$ 363,647 bilhões para R$ 416,896 bilhões.
As despesas financeiras também caíram, de modo que a margem – resultado bruto da intermediação financeira mais provisões para devedores duvidosos – cresceu 3,8%, de R$ 22,224 bilhões para R$ 23,08 bilhões.
Mas, em relação aos ativos que rendem juros (excluindo o permanente), a margem anualizada teve uma pequena queda, de 7,6% para 7,2%.
O aumento de nada menos que 22% das receitas de serviços, de R$ 6,456 bilhões para R$ 7,786 bilhões, foi outro destaque do levantamento divulgado pelo BC.
E, pela primeira vez, a receita de serviços empatou com as despesas de pessoal, que somaram R$ 7,88 bilhões.
Alguns bancos estrangeiros que não atuam no grande varejo não estão com resultados tão bons. O Citibank perdeu R$ 231,402 milhões no primeiro trimestre, mais do que o prejuízo de R$ 146,349 milhões registrado em todo o ano passado.
Depois de perder R$ 87,580 milhões em 2003, o Deutsche Bank teve prejuízo de R$ 40,077 milhões no primeiro trimestre.
O Bank of America (BofA), que teve prejuízo de R$ 153,415 milhões em 2003, continuou no vermelho neste ano com R$ 92,859 milhões de resultado negativo.
Já o BankBoston, que o BofA recentemente adquiriu, continua no azul: teve um lucro líquido de R$ 63,119 milhões no primeiro trimestre e R$ 518,034 milhões em 2003.
O Deutsche Bank preferiu não comentar o assunto. Mas, o Citibank atribuiu as perdas a peculiaridades da contabilidade brasileira e garantiu que os resultados continuam excelentes, do ponto de vista da matriz, que deu sinal verde para novas expansões da rede.
O controller do Citi, Alberto Ferreira, afirmou que o balanço de 2003 e do primeiro trimestre deste ano do banco ” refletem perdas e ganhos dependendo dos rumos do câmbio ” .
Em relação a este ano, um outro fator contábil teve forte influência: a baixa para perda de um volume significativo de créditos tributários.
Mas, em dólares, não houve impacto contábil algum e os resultados foram bons, disse Ferreira.
O executivo explicou não poder divulgar os dados do primeiro trimestre referentes apenas ao Brasil por causa da política do banco junto à Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM americana, de informar os dados de forma regional.
Segundo nota enviada pelo banco ao Valor, ” a performance do Citigroup no Brasil, vista sob o prisma da matriz e de acordo com as normas contábeis americanas foi uma das melhores da história do Citigroup no país ” .
A nota fala que o banco manteve a posição de liderança nos segmentos de atacado e de operações de tesouraria; e acelerou o crescimento na área de pessoa física com o lançamento da financeira do grupo, a Citifinancial.
A matriz deu sinal verde para a inauguração de 12 novas agências do banco neste ano – três já abertas, duas no Rio e uma em São Paulo – e mais 12 no próximo.
Além disso, a Citifinancial, que já tem onze lojas, abrirá mais 17 neste ano e 40 no próximo, até atingir 100 lojas em três anos, com operações de crédito pessoal e CDC.
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