A Gazeta
(Cuiabá) – Uma operação fiscal do Ministério do Trabalho (MTb) encontrou indícios de trabalho degradante e situação análoga à de escravo em três fazendas de soja no Médio Norte de Mato Grosso.
A equipe de fiscalização móvel encontrou 78 trabalhadores rurais vivendo nesta situação, sendo 14 na Fazenda Java e 16 na Fazenda Tucano, em Campo Novo do Parecis, a 397 km da Capital, propriedade do agricultor Lívio José Andrighetti.
Na vizinha Brasnorte, a 508 km de Cuiabá, os fiscais identificaram 48 trabalhadores que foram aliciados e viviam em regime de escravidão na Fazenda Floresta, cujo dono é o agricultor Valmor da Cunha.
A equipe continua na região até hoje, quando deve concluir o acompanhamento da regularização trabalhista dos lavradores e pagamento das indenizações.
De acordo com a auditora fiscal Inês Rezende Ferreira, coordenadora do grupo móvel, na Fazenda Floresta foram encontrados recibos em branco assinados pelos trabalhadores.
De acordo com ela, os relatos das vítimas davam conta que que foram contratados por dois “gatos” de nome “Sílvio” e “Pedro” para atividades de roçagem, derrubada de mata e coleta de raízes pelo preço de R$ 45 ao dia.
“Entretanto, ao chegarem à fazenda, foram informados de que o salário seria de R$ 4 ao dia. Além disso eles não tinham carteira assinada”.
Conforme Inês informou por telefone, a descoberta desse caso ocorreu por acaso. O grupo móvel, formado por 11 pessoas, se preparava para jantar em um hotel em Campo Novo do Parecis, quando um caminhão chegou à cidade com 26 trabalhadores.
“Eles se rebelaram contra um dos aliciadores da fazenda e fizeram pressão para deixar a propriedade. Exigiram que fossem deixados na cidade”, conta a auditora fiscal.
Lá, os trabalhadores teriam sido informados da presença da equipe móvel e fizeram a denúncia.
No dia seguinte, foram à propriedade e encontraram o restante do pessoal nas condições descritas pelos colegas.
“Eles contaram que eram ameaçados de morte e que queriam deixar a propriedade, mas os “gatos” não deixavam”, completa.
A equipe solicitou o licenciamento ambiental que o dono disse ter, mas ele só apresentou apenas o protocolo de requerimento.
Fonte: Anderson Pinho no Jornal A Gazeta (MT)
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Por Mhais• 24 de junho de 2004• 10:30• Sem categoria
FORÇA ESCRAVA: FISCAIS LIBERTAM 78 TRABALHADORES
A Gazeta
(Cuiabá) – Uma operação fiscal do Ministério do Trabalho (MTb) encontrou indícios de trabalho degradante e situação análoga à de escravo em três fazendas de soja no Médio Norte de Mato Grosso.
A equipe de fiscalização móvel encontrou 78 trabalhadores rurais vivendo nesta situação, sendo 14 na Fazenda Java e 16 na Fazenda Tucano, em Campo Novo do Parecis, a 397 km da Capital, propriedade do agricultor Lívio José Andrighetti.
Na vizinha Brasnorte, a 508 km de Cuiabá, os fiscais identificaram 48 trabalhadores que foram aliciados e viviam em regime de escravidão na Fazenda Floresta, cujo dono é o agricultor Valmor da Cunha.
A equipe continua na região até hoje, quando deve concluir o acompanhamento da regularização trabalhista dos lavradores e pagamento das indenizações.
De acordo com a auditora fiscal Inês Rezende Ferreira, coordenadora do grupo móvel, na Fazenda Floresta foram encontrados recibos em branco assinados pelos trabalhadores.
De acordo com ela, os relatos das vítimas davam conta que que foram contratados por dois “gatos” de nome “Sílvio” e “Pedro” para atividades de roçagem, derrubada de mata e coleta de raízes pelo preço de R$ 45 ao dia.
“Entretanto, ao chegarem à fazenda, foram informados de que o salário seria de R$ 4 ao dia. Além disso eles não tinham carteira assinada”.
Conforme Inês informou por telefone, a descoberta desse caso ocorreu por acaso. O grupo móvel, formado por 11 pessoas, se preparava para jantar em um hotel em Campo Novo do Parecis, quando um caminhão chegou à cidade com 26 trabalhadores.
“Eles se rebelaram contra um dos aliciadores da fazenda e fizeram pressão para deixar a propriedade. Exigiram que fossem deixados na cidade”, conta a auditora fiscal.
Lá, os trabalhadores teriam sido informados da presença da equipe móvel e fizeram a denúncia.
No dia seguinte, foram à propriedade e encontraram o restante do pessoal nas condições descritas pelos colegas.
“Eles contaram que eram ameaçados de morte e que queriam deixar a propriedade, mas os “gatos” não deixavam”, completa.
A equipe solicitou o licenciamento ambiental que o dono disse ter, mas ele só apresentou apenas o protocolo de requerimento.
Fonte: Anderson Pinho no Jornal A Gazeta (MT)
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