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Caiu de 85,4% em 1995 para 42,3% em 2003 o número de categorias profissionais que obtiveram reajustes salariais iguais ou superiores à inflação. Os dados foram computados por pesquisa feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) sobre os 10 anos do Plano Real, a serem completados em 1º de julho.
Na pesquisa, divulgada na sexta-feira da semana passada, o Dieese analisou o comportamento dos principais indicadores socioeconômicos do país, relativos a preços, desempenho econômico, emprego, renda e negociações coletivas durante o período de 1995 a 2003.
Em relação às negociações coletivas, o Dieese constatou que, de 1995 a 2003, boa parte dos acordos coletivos resultou na recomposição das perdas inflacionárias acumuladas em cada data-base. O levantamento aponta que, em 1995, 85% dos reajustes salariais asseguraram aos trabalhadores reposição integral de perdas ou mesmo a obtenção de reajustes reais, tomando-se por base o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado pelo IBGE.
De 1996 a 2002, de acordo com o Dieese, o número de categorias que restauraram o poder aquisitivo dos salários variou de 55% a 67%, com exceção de 1999, quando metade dos acordos coletivos não obteve grande êxito. A queda contínua na proporção de negociações salariais que conseguiram repor as perdas inflacionárias ocorreu a partir de 2001. Esse declínio culminou, em 2003, com o pior desempenho de todo o período de 10 anos do Plano Real. No ano passado, segundo a pesquisa, 58% dos acordos implicaram na manutenção de perdas salariais para os trabalhadores.
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